A sala de aula pode ser o seu sofá

Games quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Já falei uma ou outra vez aqui no Bacon que eu curto esses jogos de construir pontes. Por que? Sei lá… Eu sou ruim neles, eles não tem ação e sequer mesmo te ensinam a construir pontes de verdade… Ainda assim, praticamente todos esses que rolam na internet eu já joguei. Nos últimos anos, o estilo tem sido dominado por dois jogos: Bridge Constructor, com suas várias e várias versões; e mais recentemente, Poly Bridge, que ficou famoso por coisas assim:

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Já estou com Poly Bridge há um tempo, e nada mudou: É o mesmo estilo de jogo que sempre foi, com melhorias, claro, afinal é mais moderno, mas nada muito diferente. Os gráficos, como dá pra notar pelo nome, não são nem um pouco o foco do jogo, apesar de serem bem legais, e no fim das contas é ainda um jogo que foi lançado inicialmente para PC, mas já pensando no mercado dos celulares. Em suma, não é nem um pouco um jogo revolucionário, e se você não curtia o estilo antes não é agora que vai passar a gostar.

O mais triste nessa história é que eu também não mudei nem um pouco no que tange esses jogos: Eu ainda sou ruim… Porra, era de se esperar que depois de uma década e meia eu tivesse aprendido, mas aparentemente engenharia civil definitivamente não é o meu destino… Considerando que o mais próximo do sucesso que eu alcancei construindo coisas foi em Roller Coaster Tycoon, não é surpresa alguma.

Entretanto, eu não só continuo voltando aos simuladores de ponte como eu continuo gostando dos simuladores de ponte. Há esta altura da minha vida eu já aceitei que eu não ligo pra MMORPG e MOBA, que a maioria do RTS e TBS me enchem o saco, que FPS só é divertido com os amigos e que nem fodendo eu confio em jogador online pra jogo de sobrevivência, mas não importa o quão truncado e mal feito um simulador de pontes seja, nem mesmo o quão péssimo seja meu desempenho nele, eu ainda vou jogar… O que é estranho porque os outros simuladores – de trem, de caminhão, de fazenda, de cabra, de foguete – também são, pra mim, bem sem graça (Menos de vôo, simulador de vôo é foda).

Talvez seja uma questão de “volta às raízes”, aquela ideia meio babaca (Mas com base científica) de que os garotos gostam mais de brinquedos “mecânicos”, que levou e leva ao sucesso de tudo quanto é kit de peça de montar (E que eu também me esbaldei quando criança). Talvez a graça seja justamente justar o mundo da tecnologia digital com uma atividade que não só tem seu relativo na vida real (E que muita gente usa todo dia), como também o fatídico “aprender brincando”. Claro que esses jogos não te ensinam a ser um engenheiro, mas porra, tá lá formas geométricas, distribuição de carga, tensão, peso, características de materiais, hidráulica, timing, administração de recursos… A gente ainda tem LEGO e Playmobil e tantos outros, mas não dá pra dizer que brinquedo educativo tem representatividade (Até porque a maioria é um saco, coisa que meu eu de criança já achava e eu continuo achando).

Num mundo em que temos telas por todo lugar, coisas como Poly Bridge (E Besiege, Automation, Kerball, Planet Coaster, etc.) não só fazem um papel de entretenimento, mas como de desenvolver habilidades cruciais (Ainda que de forma menor que brinquedos físicos). É um pensamento meio romântico achar que toda criança que goste de montar torres de plástico (Ou torres no computador) queira crescer e “aplicar” esse interesse numa carreira real, mas à bem da verdade, qualquer coisa é lucro. Pode ser que só uma criança, dentre os milhões de jogue qualquer jogo, venha a aplicar o que aprendeu com aquele treco na vida real, mas e aí? Qual a desvantagem disso?

Longe de mim dizer que explodir aliens com metralhadoras futurísticas é perda de tempo, mas porram, tem bagulho mais promissor no mundo. Talvez Poly Bridge seja um desses, talvez não. Pode parecer coisa do futuro, mas está longe disso: Desde 2008 o jogo Gran Turismo (Sim, aquele Gran Turismo) faz, em parceria com a Nissan, o GT Academy. É uma competição de video game… Que leva o campeão à treinar, competir e (Talvez) ganhar num campeonato na vida real. Não tem pegadinha, é isso que você leu mesmo. Ganhou no jogo, vai competir com um carro de corrida de verdade, numa corrida de verdade.

Claro que eu não sou louco de botar o comando de um projeto de engenharia na mão de alguém que só viu o bagulho no computador, principalmente sabendo que tem gente como eu no mundo, mas se jogar um treco desse tipo é o primeiro passo no que pode ser uma carreira pra alguém que seja muito bom na parada, por que não? Por que é exclusividade da TV e da internet formar gente que terá gigantescas responsabilidades no futuro? Eu vou continuar construindo ponte que cai, mas tem gente que vai continuar construindo pontes cada vez melhores, e se a primeira ponte que essa gente construir for num simulador e cair também, por mim não tem problema algum.

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