A Filha do Meu Melhor Amigo (The Oranges)

Cinema quinta-feira, 05 de setembro de 2013

 David e Paige Walling (Hugh Laurie e Catherine Keener) e Terry e Cathy Ostroff (Oliver Platt e Allison Janney) são melhores amigos e vizinhos que moram em Orange Drive, nos subúrbios de Nova Jérsei. Sua vida confortável entra em colapso quando a filha pródiga Nina Ostroff (Leighton Meester), que terminou recentemente com o noivo Ethan (Sam Rosen), volta para casa para o Dia de Ação de Graças depois de cinco anos de ausência. Ao invés de sentir interesse pelo filho bem-sucedido de seus vizinhos, Toby Walling (Adam Brody), o que agradaria às duas famílias, é o melhor amigo de seus pais, David, quem chama a atenção de Nina. Quando a ligação entre Nina e David se torna inegável, as vidas de todos sofrem uma reviravolta, particularmente a de Vanessa Walling (Alia Shawkat), melhor amiga de infância de Nina. Não demora muito até as ramificações do caso começarem a atingir todos os membros da família de formas hilárias e inesperadas, levando todos a acordarem para a vida e a reavaliarem o que significa ser feliz, percebendo que, às vezes, o que parece ser um desastre se transforma naquilo que precisamos.

Eu adoro quando a sinopse oficial cabe certinho do lado do pôster.

Sabe aquele filme que você imagina que não vai ser grande coisa, e o desgraçado te derruba da cadeira de tão bom? Então, não é o caso desse aqui. Ele é bom, mas mais por mérito do realismo da coisa do que por ser bom em si. Afinal, nem tudo que é real é agradável. Mas o filme, no decorrer da história, levanta questões importantes.

É uma comédia, certo? Então, a ideia é te fazer rir. E mesmo cumprindo com essa função [Pelo menos eu ri bastante na sala de exibição, mais do que o povo lá presente, pra variar], te dá bastante o que pensar quando for repousar essa massa grotesca e disforme que você chama de cabeça no travesseiro a noite. A primeira delas é: Você é feliz com o que fez da sua vida? Porque, veja bem, por mais que a sua vida seja uma merda, você é responsável por ela. Afinal, se você seguiu conselhos e ela tá na bosta, a culpa é sua por seguir conselhos de merda, então tá na hora de meter a mão na massa e resolver isso.

 Almoçar com gente com cara de cu é uma dessas decisões questionáveis.

Respondida essa questão, a segunda e mais importante questão vem de encontro à sua face: Porque você depende dos outros pra ser feliz? Porque alijar essa responsabilidade sobre terceiros? Você, jovem mancebo, é capaz de pleno funcionamento sozinho, no meio do mato, caçando pra viver, sem internet, celular, tevê a cabo e outras regalias produzidas pela sociedade. Caralho, você não precisaria nem de sociedade pra funcionar [Note que funcionar no sentido biológico é bem diferente do que nós conhecemos]. É aquele velho clichê, mas que soa sempre novo como cocô de neném: Se você não tá feliz, faz diferença estar sozinho ou acompanhado? Cê só vai espalhar a sua infelicidade, ou não-felicidade, tanto faz.

E olha só eu filosofando por conta de uma comédia. Será que o filme é bão assim ou o momento em que a minha vida se encontra me levou a concatenar esse tipo de lógica distorcida e amarga? Rá, que pergunta idiota.

Mas chega de filosofar. O filme conta com um recurso muito relevante, que é utilizar um personagem como narrador que, a medida que o tempo passa, é percebido como personagem secundário. Os principais são o House e a mina que fazia Gossip Girl. Como eu sei disso? Fácil, eu ganhei dois livro relacionados, e que eu prometo um dia resenhar. Mas divago. As atuações são funcionais, tendo em vista que Nina, interpretada por Leighton Meester, a tal pessoa de Gossip Girl, é uma jovem que aparenta ser mimada e superficial, porém, quando analisada por outro prisma nos revela que é… Mais ou menos mimada e superficial, mas ainda capaz de surpreender. Mais ou menos como as pessoas na sua vida. Não é porque você tem uma imagem delas que elas são efetivamente o que você vê nelas, saca?

Já o nosso amigo Hugh Laurie, que interpreta um David fanfarrão, que tava amarrado num pasto meio sem graça, graças à Paige de Catherine Keener, que não dá nem pena. Ou isso ou eu sou uma má pessoa. Mas olha só, quem disse que burro amarrado não pasta? Pasta sim senhor, e ainda é do gramado mais jovem. Mas também, quem não daria uns pegas na Nina? Só se for muito burro, mesmo.

 Eta nóis.

Eu sei lá, era pra ela ser uma patricinha, mas eu não consigo não gostar dela, já que ela leva jeito de patricinha mas ainda assim tem senso de humor e inteligência o bastante pra não ser uma completa imbecil. Só um pouco. E ainda melhor que boa parte das mulheres que eu conheço. E não só ela. Todos os personagens são multifacetados, coisa incomum nos filmes de hoje em dia, principalmente comédias. Claro que a coisa tem um limite, e o foco é nos dois, mas todos os personagens tem algum desenvolvimento, não tão ali só de paisagem. Exceto o Ethan, que é figurante de luxo. E um imbecil. Tomara que ele pegue fogo e apaguem na paulada. Maldito imbecil.

E o final, bom… O final é meio frustrante, feito a vida. O que, por mais que pareça contraditório, é uma boa coisa. Sem frustração você fica estagnado, e eu acho melhor dar um passo pra trás pra tentar dar dois pra frente do que ficar tocando de roda, feito uma lontra gorda.

 Se bem que lontras tem um conhecimento da vida maior que muita gente por ae.

A Filha do Meu Melhor Amigo

The Oranges (97 minutos – Comédia)
Lançamento: EUA, 2011
Direção: Julian Farino
Roteiro: Ian Helfer e Jay Reiss
Elenco: Leighton Meester, Hugh Laurie, Alia Shawkat, Allison Janney, Adam Brody, Catherine Keener, Boyd Holbrook, Oliver Platt, Tim Guinee, Lucas Papaelias, Aya Cash, Sam Rosen, Hoon Lee, Heidi Kristoffer e Cassidy Gard

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