10 Anos e 10 Filmes Sobre Ser Adulto

Cinema terça-feira, 18 de junho de 2019

Esse texto faz parte de uma série, em que ex-colaboradores e conhecidos retratam sua percepção sobre os 10 anos de Bacon. Já se foi metade do mês e vocês ainda tão nessa…

Dez anos atrás eu faria uma das coisas mais estúpidas e legais da minha vida: Me candidataria para escrever pra esse site. Poderia parecer besteira, mas eu era só uma adolescente de 18 anos – provavelmente entediada – que gostava muito de cinema. Cheguei aqui como leitora e depois de ver um anúncio de que contratavam estagiários, me candidatei pra vaga. Depois de uma seletiva (SIM, anjos, teve teste escrito e tudo mais), eu comecei de fato a escrever para o Bacon junto com outros escravinhos colegas. Foram diversos textos, uns bem sucedidos, outros nem tanto, promoção de estagiária para redatora, muito carinho e muita coragem de tomar esbrega do Pizurk sem receber nem um centavo.

No entanto, os anos passaram e eu não continuei com o ofício que eu tanto gostava e odiava. Se me permitem dizer, até hoje entro periodicamente aqui reler alguns dos textos que fiz. Foi uma época gostosa. Tinha muita pressão por prazos e entrega de material (Chefe, estou olhando pra você!), mas isso contribuiu de uma forma enorme na minha formação acadêmica anos depois. Não sei se contei aos colegas, mas uma vez o fato de ter sido redatora aqui do site foi critério de desempate num importante estágio de Direito. Eu escrevia muita merda, mas ainda assim escrevia, o que me lançou lá na frente da concorrência.

Eu teria muita coisa pra dizer sobre estes 10 anos, sobre o site ou sobre como o Pizurk nunca abandonou o barco e manteve a consistência dessa bodega. Mas, pra mim, o Bacon não se trata só de raízes, mas também de mudança, de como ele acompanhou as minhas mudanças e mesmo assim continua me convencendo a escrever linhas como essa, ainda que cheias de novos significados.

Eu não sou a mesma Jade de 2009 (Até Satanás tem seus limites), mas divido com ela a mesma paixão por cinema e o entusiasmo de indicar filmes bons para quem não merece vocês. Então escutem a titia – respeito redobrado que sou quase uma senhora de 30 anos agora, tangas! – e foquem nessa lista de 10 filmes que vão te trazer algum ensinamento sobre o que é ser adulto. Talvez não faça sentido pra você (E eu te invejo por isso!), mas guarda no bolso essa listinha pra quando você tiver boletos escorregando macios debaixo da porta, alguma boca (Canina, felina ou humana) pra alimentar e uns probleminhas pra cuidar na terapia.

1. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish – 2004)

Quando a gente fala de Tim Burton já sabe que o nível de brisagem é alto. Bem alto. E aqui não poderia ser diferente ao contar a história de Edward Bloom, um sujeito de muita imaginação e que tem uma relação conturbada com o filho William, um cara bem cético. Mas no leito de morte de Edward as coisas entre os dois se afunilam e podemos perceber o quão cheias de diferentes significados podem ser aquelas histórias fantásticas. Sobre: família.

2. Conta Comigo (Stand By Me – 1986)

Não escondo que Stephen King é um dos meus autores favoritos e muito além das histórias de terror o cara sabe escrever sobre drama como ninguém. Eu já resenhei o filme aqui e vale demais assistir de peito aberto para entender sobre como as amizades (Eespecialmente as primeiras) moldam nosso caráter e nossas emoções. Sem contar as cenas maravilhosas com um bando de pirralho fumando e jogando carteado, algo completamente impensável nos dias de hoje. Sobre: amizade.

3. Quero Ser Grande (Big – 1988)

Um dos meus filmes favoritos da Sessão da Tarde e do gênero “fiz-um-pedido-para-crescer-e-cresci”. O filme é mega divertido e, pra mim, o maior trunfo dele é o resgate da alegria de ser criança, de simplificar o que nós adultos adoramos complicar. Vale destacar também a excelente atuação de Tom Hanks (E quando é que esse homem nos decepciona, não é mesmo?) e a cena do piano com os pés que entra na lista das mais conhecidas da história do cinema. Sobre: infância.

4. Nossas Noites (Our Souls At Night – 2017)

Quando a Netflix lançou Nossas Noites eu fiquei meio intrigada porque era o retorno da dupla Robert Redford e Jane Fonda de Descalços no Parque. Que agradável surpresa a história dos vizinhos viúvos – já idosos – que resolvem espantar a solidão dormindo juntos (No mais puro significado da expressão)! Um longa sincero que retrata o envelhecer de forma respeitosa, mas sem deixar de trazer todos os tabus que envolvem a terceira idade. E ela tá logo ali virando a esquina do nosso futuro… Sobre: envelhecer.

5. Simplesmente Acontece (Love, Rosie – 2014)

Uma boa comédia romântica que retrata a transição da adolescência para o mundo adulto de um casal de amigos que tinha potencial para ser mais do que isso. Mas a vida – essa bitch que adora ir para direções que nem sempre a gente planeja – acaba separando e unindo esses amigos em diferentes fases de suas histórias. Sobre: Não estar no controle.

6. Gênio Indomável (Good Will Hunting – 1998)

Antes de ser um péssimo Batman, Ben Affleck já demonstrava o quão bom cineasta poderia ser ao vencer o Oscar de Melhor Roteiro Original junto com Matt Damon por Gênio Indomável. Eu adoro a forma como o filme expõe os graves transtornos de Will e o desfecho do personagem, precisando decidir o que fazer agora que é adulto. As sessões de terapia são um show de atuação e nos propõe ir muito além dos julgamentos rasos que fazemos sobre as pessoas. Sobre: Probleminhas psicológicos.

7. A Felicidade Não Se Compra (It’s A Wonderful Life – 1947)

Posso dizer que esse filme é um dos melhores que eu já vi? Posso. Tem resenha dessa pérola aqui no site (Graças ao Yuri) e eu indico com força que vocês assistam (Mais de uma vez, se possível). Atrás de toda a história natalina, anjos, asas e toda essa parafernália, há uma IMENSA reflexão sobre a importância da sua própria existência. E o mais louco é que um dos filmes mais positivos e esperançosos já feitos começa justamente numa tentativa de suicídio. Sobre: Depressão e suicídio.

8. Clube dos Cinco (The Breakfast Club – 1985)

Um clássico dos anos 80 tranca cinco adolescentes numa sala e dali extrai muitas experiências amargas dessa fase. De detenção, os personagens principais precisam fazer uma redação dizendo o que pensam de si mesmos e, navegando no íntimo de cada um deles, é possível perceber que os estereótipos são só aquelas máscaras bobas que a gente usa para esconder o quão emocionalmente ferrados estamos todos. Sobre: Adolescência.

9. Na Natureza Selvagem (Into The Wild – 2008)

Um filmão baseado em fatos reais sobre auto-conhecimento disfarçado de road movie. Aqui as experiências são o ponto chave para que Christopher (aka Alexander Supertramp) construa sua própria noção de liberdade. Vale destacar que muitas das experiências, embora compartilhadas, só puderam ser compreendidas quando o protagonista se encontrava completamente sozinho. Tão bom que nem sei, talvez quase melhor que o filme seja a trilha sonora todinha do Eddie Vader que já vale o play. Sobre: Solitude e solidão.

10. A Partida (Okuribito – 2009)

Para finalizar, o ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2009. Filmaço japa que toca fundo ao contar a história de Daigo, um violoncelista que subitamente se vê empregado como agente funerário. A trajetória de crescimento pessoal do personagem, a desconstrução de crenças e a percepção japonesa sobre o fim da vida fazem desse longa um dos mais lindos e importantes que tive o prazer de assistir. Sobre: a morte.

Bônus

Uma série: Easy

Se você ainda não assistiu Easy, ainda dá tempo. Embora a série já esteja na terceira temporada, seus episódios são curtinhos (Entre 20 e 30 minutos) e a quantidade também não assusta. Os episódios retratam cenas do cotidiano de muitos jovens adultos como, por exemplo, o casal que na primeira temporada entra em crise porque o sexo já não empolga tanto, na segunda temporada resolve tentar um casamento aberto e então, na terceira temporada tem de lidar com as consequências da abertura. Vale pelos diálogos, pela excelência na continuidade das histórias durante as três temporadas, pela conexão entre os personagens e os dilemas da vida adulta.

Jade sempre foi a princesinha do Bacon, mas resolveu largar a coroa e ir descobrir o mundo por ae. Vê se avisa quando chegar, e não esquece de botar o casaquinho. O hidratante não precisa avisar que ela sempre usa.

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