XX – Two Decades of Love Metal (HIM)

Música segunda-feira, 05 de agosto de 2013

HIM foi minha banda favorita dos 14 aos 17 anos. E provavelmente foi a banda mais difícil de gostar, porque meu computador funcionava a manivela, assim como minha internet, e era quase impossível encontrar a discografia da banda nas lojas brasileiras. Comprei, portanto, alguns álbuns pela Amazon com todo o valor da minha mesada. Meu romance com a banda foi delicioso, mas eventualmente terminou. E nem parece que faz tanto tempo assim. Tenho como lembranças físicas os CDs Razorblade Romance (1999/2000), o meu favorito com 100% de aproveitamento das faixas, Deep Shadows and Brilliant Highlights (2001) e por fim Love Metal (2003). O primeiro álbum da banda, Greatest Love Songs Vol. 666, de 1997, não consegui comprar na época, mas tive oportunidade de ouví-lo inteiro posteriormente e também é muito bom.

Esses dias um grande amigo estava ouvindo no Spotify a coletânea, que até então eu nem sabia que existia, XX – Two Decades of Love Metal. Como não cheguei a ouvir nenhum trabalho posterior ao Love Metal me senti muito tentada a ouvir o XX e saber o que tinha acontecido com a banda desde a última vez que ouvi. Comecei, previsivelmente, pelas músicas que eu já conhecia e gostava, só pra sentir o gostinho. Me bateu uma nostalgia muito boa ao ouvir as faixas do Razorblade Romance, em especial Right Here In My Arms, que foi a primeira música que ouvi da banda. O mesmo aconteceu com as faixas dos outros álbuns que ouvi tantas e tantas vezes. Foi tão delícia quanto relembrar a delícia que é o vocalista.

 Esse não é Doriana. É Delícia.

A essência da banda, que se denomina de love metal, é basicamente relacionar amor com morte, dor, sangue e mais morte… Mais dorZZzzZZZzz. Em um loop infinito. Comecei a achar essa vibe monotemática meio chata e acabei deixando de ouvir HIM aos poucos, sem nem perceber. As músicas foram ficando mais pop, também, o que não combina com o estilo, fisicamente falando, do grupo e tampouco com a proposta. Mas de qualquer forma eu precisava saber o que Dark Light, Screamworks: Love in Theory and Practice e Venus Doom guardavam para mim. XX – Two Decades of Love Metal foi o meio mais fácil de descobrir.

As melhores faixas são as dos primeiros quatro álbuns da banda, independente da nostalgia, juro. A escolha de Your Sweet Six Six Six e Wicked Game para representar Greatest Love Songs Vol. 666 foi acertada. São as mais memoráveis do álbum, principalmente o cover da música de Chris Isaac que ficou ainda mais sexy e fuckeable na voz de Ville Valo. When Love and Dead Embrace é uma música bonita, mas trocaria facilmente por (Don’t Fear) The Reaper [Nota do editor: Cover de Blue Öyster Cult] ou algum b-side do início da carreira. Aliás, a principal crítica é que, para mim, uma coletânea exclusiva de singles não faz sentido. Deveriam misturar com versões ao vivo e bonus tracks de edições especiais. Os singles já são batidos, não acrescentam em nada a coleção do fã.

Poison Girl, Right Here In My Arms, Join Me (In Death) e Gone With The Sin são do Razorblade Romance. E fazem jus a qualidade do álbum, que é puro amor (E morte, e sangue, blábláblá). Apenas Poison Girl não se encaixa entre as minhas faixas favoritas do CD de 2000, minha favorita é I Love You (Prelude to Tragedy), mas como não é single não poderia constar no álbum, então Poison Girl dá pro gasto. Heartache Every Moment, Pretending e In Joy and Sorrow são do Deep Shadows and Brilliant Highlights, terceiro trabalho do grupo. Que eu acho, por sinal, foda, muito foda, mas é aí que a banda começa a (Des)andar pro pop de forma (Até então) irreversível. É o álbum mais easy listening, mas ainda paira algo de sombrio que eu não consigo explicar.

The Sacrament, Funeral of Hearts e Buried Alive By Love são boas músicas e, de fato, as melhores do álbum de origem. São fáceis de gostar e grudam como chiclete. Eram, aliás, as únicas das quais ainda me lembrava do Love Metal, além de The Path, que ficou de fora da coletânea, música surpreendentemente linda, inclusive na letra que não é full of shit.

As músicas dos últimos três álbuns da banda são exatamente o que eu esperava, mais do mesmo. Não tem nenhuma que seja especialmente boa, ou especialmente ruim. São todas regulares. E um fã sabe que é melhor ter um álbum lixo, que fede fungo de pombo, do que um álbum que passa batido. E nesse caso são três álbuns! Passaram tão batido que eu não tive o menor interesse de ouvir as outras faixas de Venus Doom, Screamworks: Love in Theory e Dark Light.

Como coletânea, XX – Two Decades of Love Metal, é coerente, mas sem graça. Tem os grandes sucessos da banda, que se mostram cada vez mais chatinhos, mas não traz nenhum b-side loucão, que eu sei que existe, nenhuma versão ao vivo, acústica, acapella. Não traz o Ville Valo de brinde. Sei lá, nada que valha o investimento. Ah, sim, tem a faixa Strange World, a única inédita do álbum. E poderia facilmente ser do Razorblade Romance, o que é um bom sinal, porque parece que o HIM pode estar ressurgindo das cinzas e voltando a flertar comigo. Mas isso só o tempo, e o novo álbum, Tears on Tape, dirão.

XX- Two Decades Of Love Metal – HIM


Lançamento: 2012
Gênero musical: Rock
Faixas:
1. Strange World
2. Join Me (In Death)
3. Heartkiller
4. Rip Out The Wings Of a Butterfly
5. The Kiss Of Dawn
6. Funeral Of Hearts
7. Right Here In My Arms
8. Pretending
9. Buried Alive By Love
10. Gone With The Sin
11. Your Sweet Six Six Six
12. The Sacrament
13. Wicked Game
14. Killing Loneliness
15. Bleed Well
16. In Joy and Sorrow
17. Poison Girl
18. Scared to Death
19. When love and Death Embrace
20. Heartache every Moment

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  • Loney

    QUE DELÍCIA CARA

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