Você sabe o que é bizarro?

HQs sexta-feira, 01 de julho de 2011

Dias desses eu li algumas edições de Desolation Jones, publicada pela Wildstorm, apenas para ver o quão interessante poderia ser a revista, e bem, acabei lendo as 8 edições publicadas da série, já que a mesma tem previsão de ter umas 12 edições. E bem, posso dizer que não é uma leitura de fácil entendimento, mas é muito boa e divertida.

Escrita pelo inglês Warren Ellis, a série nos mostra a história do ex-espião do MI-6 Michael Jones, cujas ações são movidas pelo alcoolismo, vício este que acaba prejudicando seu trabalho de campo. Apesar destes problemas, a inteligência inglesa não quer simplesmente mandar Jones pro olho da rua, e por isso oferece a ele uma outra saída para seu problema: O Teste de Desolação.

Acreditando que faria parte de uma pesquisa simples, Jones aceita fazer o Teste. Entre outras coisas, o teste o obrigava a ficar amarrado a uma cama de hospital por um ano inteiro sem poder dormir e submetido a cenas intermináveis de morte. Por incrível que pareça, Jones se torna o primeiro e único sobrevivente conhecido deste programa, e acaba sendo considerado pelo governo inglês uma ameaça biológica em potencial, recebendo inclusive a tatuagem de um símbolo de risco biológico no braço esquerdo e uma tatuagem “Desolation 01” no braço direito.

Além disso, o Teste de Desolação acaba lhe causando algumas mudanças físicas, como uma pele cinza, não podendo receber luz solar direta ou mesmo dormir. Além disso, após o teste ele se torna impotente e passa a sofrer de dor crônica. Já num nível psicológico, o teste torna Jones incapaz de sentir emoções. Com o fim do teste, Jones se muda para Los Angeles, onde passa a fazer parte de uma comunidade secreta de ex-agentes governamentais aposentados.

O interessante da série é que Ellis apresenta coisas bizarras por todo o lado, o que faz com que a história fique meio sem pé nem cabeça num primeiro olhar. Exemplo disso está na primeira missão de Jones após sua “aposentadoria”, que consiste em recuperar um filme pornô roubado de um dos membros da “comunidade”.

A recuperação de tal filme é importante pois trata de uma obra feita pelo próprio Adolf Hitler. Com essa missão também vemos que Desolation Jones não é uma leitura recomendada para qualquer um, já que ao longo da série a conotação sexual se mostra tanto implícita quanto explícita.

Mas não é só o sexo que é explícito, a violência também é enorme, já que Jones mata muitas pessoas com as próprias mãos, além de em uma de suas lutas arrancar com os dedos os olhos de seu inimigo. Além disso, Jones usa e abusa das drogas, o que faz com que tenhamos uma mistura de realidade e alucinação.

E a mistura de realidade e alucinação nos mostra um contexto bizarro e sem fim que é reforçado pela arte de J.H. Williams III, que reforça o clima sombrio e perverso da história. Enfim se você tem um “estômago forte”, Desolation Jones é leitura obrigatória.

A série foi indicada como melhor história em série ao prêmio Eisner em 2006, a mais importante premiação dos quadrinhos, mas acabou perdendo para Fábulas de Bill Willingham.

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