Um dia triste

Cinema terça-feira, 04 de fevereiro de 2014

Dia dois de fevereiro poderia ser um dia qualquer no mundo, passar batido e nunca ser lembrado. No Brasil seria um dia de tristeza, já que esse fevereiro não haverá carnaval. Entretanto a morte de dois ícones do cinema, cada um a sua maneira, deixa os amantes da sétima arte tristes e em luto.

Eduardo Coutinho e Philip Seymour Hoffman foram encontrados mortos em suas casas. Mortes distintas, situações distintas e alcances distintos dos dois ídolos.

Eduardo Coutinho, 80, foi supostamente assassinado a facadas por seu filho, que ainda tentou matar sua mãe e se matar no processo, o que não conseguira. O rebento possui um caso complexo de esquizofrenia e estaria fora de si no momento do crime. Coutinho não é tão conhecido do grande público brasileiro. Com uma curta carreira em ficções, o cineasta se dedicou principalmente ao documentário. Sua obra mais famosa, Um Cabra Marcado Para Morrer, de 1984, narra de maneira semidocumental (Mesclando realidade e ficção) a história do assassinato de João Pedro Teixeira, um dos líderes da Liga Camponesa da Paraíba. Além deste, outros importantes filmes do diretor foram: Edifício Master (2002), documentário sobre um prédio de Copacabana onde convivem pessoas de todos os tipos, da classe média à prostitutas e Jogo de Cena (2007), um semi-documentário, onde atrizes interpretam histórias reais de outras mulheres.

Philip Seymour Hoffman, 49 (Mas parecia ter 80), foi encontrado no domingo por um amigo roteirista. O ator estava no seu banheiro, vestindo shorts e com uma agulha no braço, o que aponta para um caso de overdose. Hoffman era declaradamente viciado em heroína desde a juventude, e apesar de ter ficado 23 anos sem usar a droga, em 2012 teria tido uma recaída, inclusive se internando em uma clínica de reabilitação em 2013. Apontado como um dos maiores atores dos últimos vinte anos e até da história do cinema, Hoffman possuía em seu currículo filmes como O Mestre (2013), Boogie Nights: Prazer Sem Limites (1997), O Talentoso Ripley (1999) e Capote (2005), longa onde interpretou o escritor Truman Capote, papel que lhe rendeu um Oscar.

Não posso deixar de mencionar o quanto o cinema perde com a morte destas duas figuras. Coutinho foi um resistente do cinema brasileiro, se mantendo na ativa durante muitos anos, mesmo que longe dos holofotes. Sua especificidade era retratar pessoas comuns, minorias, os zé ninguém diante da câmera. Apesar de ser uma temática batida no país, o cineasta o fazia como ninguém. Hoffman era um ator como nenhum outro. Totalmente fora do padrão de galã, preocupado com a atuação e rejeitando o rótulo de astro, ele ainda se mantinha envolvido com o teatro, uma de suas origens, sendo ganhador de dois Tony (O prêmio mais importante do teatro americano).

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