Tudo que é bom…

Cinema segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Você, meu nerd lindo, que manja tudo de internet, computador, Star Wars e o caralho à quatro, deve saber o quão fácil é baixar um filme pela internet. E se você for mais espertinho ainda, cê sabe que dá pra conectar numa televisão. Pronto. Agora é só pegar a pipoca, o seu refrigerante de 2 litros e ligar pra cocotinha vir curtir um filme com você. Tá vendo? Além de fácil, é cômodo. Agora pense em outra situação: você lendo as Estreias da Semana do Bacon Frito, todo faceiro, achando que finalmente lançaram coisa nova e “PUTA QUE O PAERIUUU!!1!” uma enxurrada de continuações, adaptações de best-sellers e super-heróis. Acontece que a culpa é sua, TODA SUA!!! Mas antes de eu comer seu cu discutir a relação com você, façamos um minuto de silêncio pelas video locadoras (Até porque o dono de uma deve estar muito mais puto da cara com a pirataria do que eu).

Ok, ok. Não vou me esquivar e dizer que nunca baixei filme algum. Óbeveo que já. É ilegal? No alto da minha pose de estudante mala de Direito, eu garanto que é. É violação de propriedade intelectual e muito mais. Acontece que baixar filmes é uma opção muito mais rápida, fácil e, dependendo do seu ponto de vista, compensadora do que freqüentar salas de cinema ou comprar um DVD original. Há ainda quem baixe por pura falta de opção, como já foi levantado em discussões como essa, ou você pensa que é fácil achar filmes raros na Americanas? Pior ainda: E quem mora no oco do pau interior e não conta com locadora e muito menos com um shopping/cinema? Aí complica e o negócio é apelar pro PirateBay mesmo. Acontece, que não existe almoço de graça, sempre alguém vai ter que pagar a conta. E nesse caso ela foi dividida entre todos nós, consumidores da sétima arte.

E é sim, você é um consumidor. Ou pelo menos Hollywood e 99,99% de todos os produtores te vêem como tal. Aí você pega a história do cinema lá do começo e vem seguindo. Tudo lindo, quanta coisa bacana e… Pá, aparece a Eva da modernidade: A internet. Parecia a solução do mundo, conectando milhões de pessoas com outras milhões de pessoas, mas a mardita resolveu comer a maçã. Começou a espalhar conteúdo protegido por lei gratuitamente e em pouquíssimo tempo deu uma pentada rasteira violenta na indústria do cinema. O faturamento com os filmes caiu drasticamente. Um, pela queda de espectadores que iam às salas de cinema e dois, pela queda de vendas de DVD (Estima-se que as vendas de DVDs superava quase 3x o faturamento com a venda de ingressos). Logo, o mercado se encheu de caras com pochete, conhecidos como camelôs e a coisa começou a degringolar pra valer. Em um ano vi mais de três vídeolocadoras fecharem as portas na minha cidade e as salas de cinema esvaziarem depois de uma semana do filme em cartaz. Estava claro que alguma coisa precisava ser feita.

 FIDAPUTA!

De fato algo foi feito, mas não exatamente algo bom. Com a crise, os estúdios começaram a repensar seus lançamentos e decidiram que a solução para não perder mais dinheiro era investir em fórmulas com mais garantias. Então, mandaram os filmes menores passear e passaram a lançar filmes com público alvo mais certeiro, como as continuações (Sacou agora porque ressurgiram com o Indiana Jones?), as adaptações de livros que todo mundo já leu (Comer, Rezar, Am…ZZZzzzzZZZ) e claro, os super-heróis que sempre rendem muito. Isso não quer dizer que Hollywood deixou de gastar com seus filmes, nada disso. Elas passaram é a direcionar os valores para determinadas produções. E bem, o 3D foi só mais um aliado para levar a galera pro cinema e tentar alavancar as bilheterias. Rendeu bem no começo e até filme de drama tá sendo lançado com a tecnologia, mas ao meu ver a coisa vai perder um pouco a força daqui uns tempos. De qualquer forma, ainda faltava resolver a questão da venda de DVDs e foi aí que entraram as lojas virtuais oficiais. Além de custar mais barato que o disco, havia a opção de locação com um arquivo que se autodestruía 24 horas depois que você assistisse. O negócio deu certo e até originou aquilo que vemos em vários banners pela web, as locadoras virtuais, que permitem que você assista tudo online através do pagamento de uma mensalidade. E o melhor, tudo em alta resolução e sem peso na consciência.

Mas, mesmo com toda essa xaropada pra ver se melhorava a tosse, perdemos muito mais do que ganhamos. Dá tristeza olhar as estreias e os anúncios dos lançamentos e sim, a culpa é toda nossa. Somos nós que alimentamos a indústria pirata, que compramos os 5 por R$ 10,00 na praça. Parar de baixar filmes é a solução? Negativo. O negócio é tentar baixar filmes licenciados, de lojas online oficiais, afinal, hoje em dia a oferta dos filmes é bem maior que antigamente. Dá também pra fechar bons negócios em locadoras que se comprometem com a entrega e busca dos discos, tentando fazer você ficar cada vez mais vadio à vontade. E eu bato na tecla também, de que sim, é possível ainda comprar o bom e velho DVD original. Principalmente se falarmos dos mais antiguinhos, sempre jogados numa gôndola e a preço de banana. Viu só? Dá pra driblar a pirataria, mas é necessário força de vontade e um certo dinheiro.

 Certas sensações só mesmo numa sala de cinema.

Agora, vem cá, tem algo que eu preciso desabafar. Eu tenho muito ÓDIO de gente que tem preguiça de ir ao cinema. Mas ah, Jade, e o estacionamento, e a fila e eles não tem refrigerante 2 litros blá blá blá? Vai à merda!!! Sério mesmo, espero que você morra na enorme fila do drive thru do McDonald’s que você sempre vai. E esquece essa história de só ir no cinema pra levar seu filho ver desenho. Eu acho essencial uma pessoa freqüentar salas de cinema. Existem filmes que só são completamente experimentados numa sala com acústica ideal, tela giga e com cheirinho de pipoca. É parte da história do cinema todo o ritual de assistir um filme, de exibí-lo daquela forma. Não dá pra pular etapas porque surgiu a era de Aquário da internet. Dá sim é pra adaptar, renovar o modo de ir ao cinema, as técnicas nas filmagens. Mas deixar de ir até lá, jamais. O cinema é uma arte e precisa ser visto como tal. Escutar um CD do Metallica é diferente de assistir um show. E o show do cinema é mostrado lá, naquela sala escura que você tem tanta preguiça de ir.

Mas mesmo com todo esse discurso romântico, eu sei que o negócio não é tão cor-de-rosa e ainda vamos ter que amargar muitos filmes ruins que tem bom retorno financeiro pros estúdios. Esse chute na bunda da criatividade é ruim demais para os single movies, aqueles sensacionais e únicos que povoaram as décadas passadas. Meu único medo é de não saber quando é que a crise vai passar e eu nem vou arriscar prever o que pode acontecer. Talvez nós nos adaptemos à um novo modo de “comprar cinema”, talvez a pirataria tenha causado danos irreversíveis à sétima arte. A única coisa que eu sei é que se quem faz cinema estiver em sintonia com quem assiste, o resultado será sempre melhor. Se a demanda criativa for atendida, já dá pra cantar vitória, mesmo que isso signifique lucros menores. Mas daí já é utopia demais pensar que “lucros menores” faz parte do dicionário dos produtores. De qualquer forma, querido nerd… Baixar filmes é bom, mas tenha certeza que é um chute no saco de quem os faz e no seu, por tabela.

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...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Dee

    Não faz diferença se é ilegal ou não. O mundo deixou de se pautar ela “lei, moral e bons costumes” a muito tempo. A diferença é que agora não são só uma ou duas classes privilegiadas que agem segundo o que desejam, mas muito mais gente. Somos uma sociedade multicultural e, por mais que muitos (inclusive a maior parte dos seus professores de direito, certamente) acharem que todos TEM de se submeter à lei considerada “justa”, que todos buscam “a justiça e a virtude” tem gente que não pensa assim e vive muito bem com isso.

    O que faz mesmo diferença é uma coisa completamente diferente, chamada Adaptação. O cinema está se adaptando a novas eras, assim como já aconteceu com outras tecnologias no passado, e vai voltar a acontecer.

    O teatro tomou uma cacetada quando o cinema surgiu, tornando possível que peças que tinham de ser encenadas e reencenadas a cada vez que se queria ver pudessem ser gravadas. A internet deu uma cacetada no cinema também, mas isso não é algo para se ter raiva ou ficar frustrado.

    De fato, tão logo o cinema se adapte verdadeiramente aos meios digitais, ficará muito mais barato fazer filmes, da mesma forma como é mais barato (considerando-se o público que vê os filmes,milhões de vezes maior) fazer cinema que teatro ou ópera. O que gerará mais filmes para públicos “específicos”.

    Uma aparente perda a médio prazo (até porque a queda dos sucessos de Hollywood não é nova, então podemos muito bem questionar se foi a pirataria que a causou mesmo) que será compensada a longo prazo.

    Além do mais, quem diz que, por ter o filme em casa, eu não queira comprar ? Ter visto Premonição 5 me impediu de gastar dinheiro atoa no cinema (pq o filme é uma porcaria), mas nem por isso eu deixei de ir para ver Eragon (que, por incrivel que pareça, eu gostei) ou de comprar a série inteira de Avatar : The Last Airbender.

    Eu não tenho um computador com a mesma capacidade de um cinema também. Cinemas são salas de imersão na realidade alternativa de um filme. Tão logo eles sejam tratados como isso, e não como “um lugar que eu tenho de ir para ver meus filmes” a questão se resolve.

    No meio da bagunça vai ter gente falindo, perdendo o emprego e se ferrando ? É CLARO ! Isso se chama Mercado. Se você ficar ultrapassado, as pessoas não vão comprar o que você oferece. Não existe verdadeira estabilidade em lugar nenhum, por mais que os governos de nossa Era busquem garantir alguma estabilidade para evitar crises. Enquanto a internet for, de fato, um lugar de passagem livre de dados entre pessoas, não há como impedir que esse progresso forçado ocorra, a menos que seus agentes  (os próprios consumidores, a sociedade, a humanidade digitalmente integrada como um todo) sejam controlados (como os Estados fazem hoje em dia).

  • Felipe Lima

    cara na boa, CINEMA ja era!!!

    nao vale a pena gastar mais de 30 reais para ver LIXOES nos cinemas dos shoppings!!!

    Tomara que a APPLE consiga converser os grandes estudios que a saida é o STREAM.

    Se eles conseguiram, todo mundo vai na onda, ai sim todo mundo sairá ganhando!!!

    att

  • A Blockbuster Faliu Tambem…  minha resposta em uma imagem  – http://migre.me/5Wxjw

  • Anônimo

    Tudo bem: você está no seu direito de odiar quem ou o que quiser. Só vim dar o ponto de vista de quem não tem em um filme a expectativa de uma experiência. Na minha opinião um filme é apenas um par de horas distraído. Então, quanto menos chateação para isso, melhor. Eu não vejo uma tela grande alterando a percepção da obra, blá, blá, blá… Sou insensível à sétima arte, idiota, analfabeto, nada me incomoda tanto quanto as chateações de uma sala de cinema. E eu acho meio frescura essa exigência toda só para um filme! Vejo até na tela do note e “tá bão dimais!”.

  • Jade Zamarchi

    Cara, perdão, mas não sei nem porquê você assiste filme então. Vai andar de bicicleta, ler um livro, fazer algo que te toque mais, afinal fica parecendo que cinema é tão raso e vazio que não te dá sensação nenhuma, logo pra você é melhor nem perder tempo com cinema mesmo.

  • ArthurMadruga

    Acredito que a fase do cinema seja um problema que vá muito além da pirataria, visto que o cinema passou por várias crises ao longo da história, inclusive quando a pirataria era ínfima. O grande problema ao meu ver é uma crise de criatividade e de público. Independente da pirataria o público que assiste a filmes, vamos dizer, mais densos, é um público menor, não constituindo o grosso dos lucros. Mesmo que esse pessoal fosse aos cinemas, comprassem os dvds, e tudo mais, o grande público gosta mesmo é dos Transformers da vida e estas são as produções que geram lucro.

    Eu acredito que este discurso contra a pirataria e o tráfego livre de bens culturais seja um argumento para justificar a debilidade criativa do cinema (hollywoodiano).

    E mais outra coisa, acredito também que as pessoas não devem se ater a leis e ao custo monetário para ter acesso aos bens culturais. Não é justo de maneira alguma que uma pessoa seja excluida por não ter dinheiro para ter acesso a bens imateriais. Pode parecer um discurso de esquerda, mas não tem nada haver com isso. Toda forma de arte é uma construção coletiva, fruto de um contexto e de uma sociedade. Os próprios produtores e realizadores, autores e diretores e atores se controem socialmente e reproduzem isto na sua forma de arte. Ou seja, os artistas possuem uma dívida com a sociedade tanto quanto a sociedade tem uma divida com o artista, porém a própria ideia de propriedade transfere os méritos da realização artisitas para o próprio artista, não a vendo com uma construção complexa parte de um todo, mas sim fruto da genialidade de um indivíduo ou grupo de indivíduos.

    Não estou defendendo que os caras devem fazer isso de graça, longe disso, porém o cinema transformou em uma indústria, e o único objetivo é o lucro. Se um filme lucra um milhão “apenas” ele é um fiasco. Tem de ter alguma coisa errada ai e eu não acho que é baixar filmes.

  • BACON KD

    Então você está sugerindo que:

    A. Nós vivamos num mundo sem leis em que todo mundo pode fazer o que quiser. “A diferença é que agora não são só uma ou duas classes privilegiadas que agem segundo o que desejam, mas muito mais gente.”

    B. Não devemos buscar a justiça. “(…) por mais que muitos (…) acharem que todos TEM de se submeter à lei considerada ‘justa’, que todos buscam ‘a justiça e a virtude’ tem gente que não pensa assim e vive muito bem com isso.”

    C. O cinema ser obrigado a se adaptar (para pior, convenhamos) porque uns moleques acham mais conveniente baixar ilegalmente filmes do que de fato pagar por eles é algo bom. “O cinema está se adaptando a novas eras, assim como já aconteceu com outras tecnologias no passado, e vai voltar a acontecer.”

    D. O capitalismo ser defeituoso é algo completamente aceitável. “No meio da bagunça vai ter gente falindo, perdendo o emprego e se ferrando ? É CLARO ! Isso se chama Mercado.”

    Realmente, não vejo porque alguém discordaria de você. 

  • BACON KD

    “converser”

    Preciso dizer mais?

  • Concordo em partes com o texto.. Faço a seguinte coisa..

    Eu baixo um filme, se eu gosto eu compro original.. Foi assim com meu kill bill, back to the future, e vai ser com indiana jones e outros filmes bons que merecem lugar na minha prateleira..

  • BACON KD

    “E mais outra coisa, acredito também que as pessoas não devem se ater a leis e ao custo monetário para ter acesso aos bens culturais. Não é justo de maneira alguma que uma pessoa seja excluida por não ter dinheiro para ter acesso a bens imateriais.”

    Então a pessoa tem dinheiro para um computador e internet, mas ele não tem dinheiro para pagar uma ida ao cinema ou um DVD? Certo…

    “Os próprios produtores e realizadores, autores e diretores e atores se controem socialmente e reproduzem isto na sua forma de arte. Ou seja, os artistas possuem uma dívida com a sociedade (…)”

    Todo mundo é construído socialmente porque… Bem, nós estamos em sociedade. Isso quer dizer que todo mundo tem uma dívida com a sociedade? Então eu posso sair roubando o que eu quiser, afinal, o dono disso que vem a ser roubado deve a sociedade, logo ele deve a mim (sendo eu uma parte da sociedade)?

    “(…) porém a própria ideia de propriedade transfere os méritos da realização artisitas para o próprio artista, não a vendo com uma construção complexa parte de um todo, mas sim fruto da genialidade de um indivíduo ou grupo de indivíduos.”

    Então as pessoas que pagaram para que o filme fosse realizado, logo pagaram para possuir a propriedade do filme assim que este fosse finalizado, não tem o direito a dita propriedade?

    “Não estou defendendo que os caras devem fazer isso de graça, longe disso (…)”

    Sim, você está defendendo sim que os caras devem fazer isso de graça. Caso você tenha alguma dúvida sobre esse fato, releia o primeiro parágrafo seu que eu citei. O parágrafo em que você defendeu que a pessoa tem dinheiro para um computador e internet mas não tem para uma ida ao cinema ou um DVD, lembra?

  • BACON KD

    Acho que ela se ofendeu.

  • BACON KD

    Eu acho que o que ela quis dizer é que nós devemos parar de baixar filmes ilegalmente (mesmo que só da forma que você descreveu). Claro, daí ela dizer que isso resolve alguma coisa é no mínimo idealista demais e possivelmente hipócrita. Fazer o quê. O jeito é continuar baixar filmes contra a lei ou esperar que o Pizurka marque na casa dele pra gente ver Harry Potter.

  • Loney

    Acabo de ter uma ideia genial: drive trhu NO SHOPPING!!! Imaginem só que sensacional pegar um lanche, estacionar, subir pro cinema (com ingressos já comprados) e sem ter que pegar fila cheia de pivetes comprando bala de goma!!!!

    E quanto ao post, basicamente concordo, mas um adendo que faço é em relação aos preços do cinema: estão cada vez mais caros! Porra, não é toda semana que eu disponho de 20 pro ingresso, 15 pra pipoca e refrigerante, mais 5 de estacionamento e outros 3 eventuais caso algum vagabundo tenha decidido sujar o cinema. E não é à toa que as grandes locadoras, como a Blockbuster e a 100% Vídeo praticamente faliram, graças ao preço absurdo também.

  • Almirante de banheira

    Afinal a decada de 80 e 90 foram eras de ouro do cinema…
    Sem falar que 90% dos bons filmes de toda história devem ter tido muito pouco apelo financeiro.

  • Anônimo

    Imagens em uma tela são divertidas, mas são incapazes de me emocionar. Quando você passar dos 30, como eu já fiz há tempos, talvez você me entenda. E, andar de bicicleta realmente altera muito mais meu coração do que qualquer filme, pois sou gordo e quase morro na terceira pedalada…

  • yuri

    Cara… do jeito que você fala, só pode assistir filmes muito idiotas. Mas muito idiotas mesmo!

  • yuri

    Concordo plenamente. Obra de arte não deveria ser propriedade privada. Imaginem se os quadros de Da Vince, Picasso, Rembrandt, Renoir e etc. ficassem eternamente em posse de seus mecenas? Quando a humanidade teria a possibilidade de contemplar tais obras?

  • Deks

    Não sei quanto aos outros, mas eu AMO ir ao cinema! Se desse iria toda semana mesmo que não houvesse nenhum filme ‘bom’ passando. É uma experiência maravilhosa! O foda é que o preço dos ingressos ta absurdo e ficando cada vez mais caro. Quando olhei meu ingresso e vi que, dos 10 reais que eu pagava apenas 70 centavos eram de direitos autorais pensei “CARALHO! Que cinema filho da puta!” É foda.

  • ArthurMadruga

    Vamos a tréplica.
    1) Para começar, hoje ter acesso a um computador e internet se tornou mais fácil, visto os financiamentos e planos acessíveis. Existem Netbooks custando por volta de 700 reais. Planos de internet banda larga básicos por volta de 40 reais. Um DVD custa quanto? Entre 40-70 reais, por volta de 10% de salário mínimo. Uma seção de cinema? Bom na minha cidade é 15 reais, mas daquele jeito né, salas horríveis e filmes atrasados. Ir a um shopping assistir um filme fica vai um pouco além deste custo também. Ou seja, acredito que fique claro que ela possa ter dinheiro para o computador e a internet e não ter para dvds e cinema?
    2) Você ta viajando completamente nesse ponto. O meu argumento é que a obra de arte é uma construção social, é um feito coletivo, pelo legado social incucado no produtor. Não é a mesma coisa da produção material comum, que também é construida socialmente mas segue regras de mercado diferente. Não to defendendo que só porque é contruido socialmente nos devemos sair nos apropriando de tudo não. Mas os bens culturais devem seguir uma lógica difente.
    3) Seu argumento não tem relação nenhum com a citação que você fez do meu texto, mas enfim, acredito que a propriedade intelectual não deve ser tratada da mesma maneira que a material.
    4)Sinceramente não entendi o ponto aqui.

  • BACON KD

    Em vista do seu interesse pela minha “réplica”, venho aqui a discutir os pontos da sua tréplica.

    1. Você escreveu a seguinte frase no seu comentário original, “Não é justo de maneira alguma que uma pessoa seja excluida por não ter dinheiro para ter acesso a bens imateriais.”. Dita frase considera uma pessoa que… Bem, não tem dinheiro para ter acesso a bens materiais. E até onde eu saiba, computador é um bem material.

    Na sua tréplica você considera uma segunda pessoa, uma pessoa que tem dinheiro para ter bens materiais, assim como um computador. Só quero deixar claro que você foi contraditório ao usar dois exemplos diferentes. Divago.

    Sobre o seu argumento em si… Você considera uma pessoa que tem capacidade de acumular no mínimo 700 reais. E sendo realistas admitimos que muita gente no Brasil não tem essa capacidade. E essa pessoa tem também a capacidade de pagar 40 reais por mês para internet e eventuais manutenções (porque você sabe que computador dá defeito, e por 700 reais você não vai ter uma das melhores garantias), ou seja, ela não tem maiores prioridades.

    Você tá me dizendo que essa pessoa pode fazer isso tudo, mas não pode abrir mão disso em troca de assistir filmes legalmente? Ela pode sim abrir mão disso, se a questão aqui é que ela não quer abrir mão já é outro assunto. Afinal você considera alguém que não tem outra opção senão partir para a marginalidade, certo?

    Sem falar que ninguém vai comprar um netbook pra assistir filme. Filme em netbook é uma merda.

    2. “Não é a mesma coisa da produção material comum, que também é construida socialmente mas segue regras de mercado diferente. Não to defendendo que só porque é contruido socialmente nos devemos sair nos apropriando de tudo não. Mas os bens culturais devem seguir uma lógica difente.”

    Então eu posso roubar, desde que seja cultural? Eu posso filmar uma peça de teatro inteira e jogar no meu blog pra nego baixar de graça… Já que é cultural?

    3. Primeiro, pelo que eu entendi da citação você dizia que a ideia de propriedade fazia com que o mérito da obra fosse transferido para uma ou mais pessoas, tirando esse mérito do grupo de artistas que tornou a obra possível. Talvez eu tenha entendido errado.

    Segundo, “acredito que a propriedade intelectual não deve ser tratada da mesma maneira que a material.”, volto ao argumento em [2], posso roubar, desde que seja cultural?

    4. “‘Não estou defendendo que os caras devem fazer isso de graça (…)’

    Sim, você está defendendo sim que os caras devem fazer isso de graça.”
    Não sei como ser mais claro.

    ——-

    De resto, espero nova resposta. É, eu não tenho muito o que fazer.

  • BACON KD

    Se Da “Vince”, Picasso, Rembrandt, Renoir e etc. não achassem que iam ganhar dinheiro pintando eles não teriam pintado nenhuma de suas obras, logo a humanidade não teria a possibilidade nem de imaginar quanto mais contemplar tais obras. Só quero dizer que em primeira instância qualquer obra de arte é sim propriedade privada. Se nego quer ganhar dinheiro com cinema ele tem todo direito de fazer isso.

  • BACON KD

    “e outros 3 eventuais caso algum vagabundo tenha decidido sujar o cinema”

    Você… Faz um guardanapo de notas de 1 real e limpa o cinema?

    Você… Guarda bolos de notas de 1 real (já que elas não estão mais em circulação) só pra isso?

    :0

  • Cara, mais assim..
    Mudando um pouco o lado, tem várias bandas que já sacaram que, no mundo de hoje, não se pode ganhar da internet.. Que que eles fazem? Deixam as músicas para download no site e se o cara gostar, compra o cd.. Tanto que, em leis de internet e tals, você pode baixar conteudos como musica e filme se você tiver o original.. Posso dizer que, estou na lei.. ^^

    Mas uma coisa eu concordo com a galera, pagar 30 reais pra ver pinguins do papai ou outros sacos de lixo que normalmente saem no cinema.. É dose..

  • Brasil deveria ter essa parada como nos estados unidos de você ir e assistir no carro.. Mais privacidade..

    É claro que, o que ia dar de neguinho nos amassos ia ser osso.. shahsahsa

  • yuri

    Então me responde como Van Gogh morreu pobre, Bethoveen morreu esquecido, Ensor morreu rejeitado? Quem trabalha com arte sabe que a arte é universal, justamente porque a perspectiva de trabalhar com arte não é garantia de sucesso financeiro.

  • yuri

    Não estou dizendo que não se deva ganhar dinheiro com cinema, mas a exclusiva motivação monetária é a causa da falta de qualidade desse seguimento. Isso é óbvio pra quem quiser ver.

  • ArthurMadruga

    Bom, dessa vez eu vou dar uma resposta mais geral pq eu to com preguiça mesmo e devia estar estudando para saber o várias coisas que eu uso para enxer o saco das pessoas nas internets (claro, o menos importante fazer uma prova).

    Não quero desqualificar seus argumentos não, mas acredito que você esteja simplificando os meus. Por um seguinte fato, seguir regras diferentes não quer dizer não seguir regra nenhuma. Se considerarmos a própria diferença na lógica da propriedade material e imaterial. Quero dizer com isso, de maneira bem simples e tosca, que ao ver um filme eu não privo mais ninguém de vê-lo, diferentemente de comprar uma bala, ninguém mais pode ter aquela bala. A própria ótica do mercado ai é diferente, uma vez que as trocas econômicas são primordialmente baseadas na escassez dos bens. Ou seja, o bem material é um (quase) infinito. Dando um exemplo mais palpável e pegando o gancho do yuri ali, ao se apreciar Os Girassois do Van Gogh a tinta não vai desaparecendo até acabar, nem os girassóis morrem (foi mal, não resisti). Logo nada mais justo do que seguir uma ótica diferente. Agora qual seria a melhor maneira de se fazer isso eu sei lá, mas não quer dizer que eu acho que a gente tem de sair roubando as coisas.

    Agora, sobre a parcela mais pobre da população e os pcs. Não vou falar sobre a preferência das pessoas sobre o tamanho da tela para assitir filmes e tal. Só a título de curiosidade, 31,2% dos lares brasileiros possuiam computador, e apontando um crescimento de quase 5% com relação à 2007. Se essa tendência for geral, não é nenhuma bobagem dizer que o acesso pleno ao computador no brasil é uma realidade que pode se concretizar num futuro não muito distante. Mas enfim, apenas uma divagação. Esse é um dado da PNAD do IBGE.

  • ArthurMadruga

    eu quis dizer ali que o bem imaterial é um bem quase infinito, saiu errado.

  • Loney

    Não, o cinema cobra a mais caso o troço esteja sujo… o que é bem justo aliás… mas não deixa de ser um gasto à mais.

  • BACON KD

    Van Gogh morreu pobre porque ele não conseguiu vender nenhum quadro, ? fora aquele único que foi o primo dele que comprou se não me engano ? não por falta de tentativa, mas por falta de interesse dos apreciadores de pinturas da época. Não saberia te falar sobre Beethoven e Ensor, já que eu dormia nas aulas de história.

    E sim, claro que a exclusiva motivação monetária é a causa da falta de qualidade do cinema atual. Fazer o quê.

  • BACON KD

    LOL. Pelo menos nos cinemas que eu vou eles limpam o cinema durante os créditos e não cobram nada a mais por isso. Se bem que eles já cobram bastante então de certa forma a parte da limpeza já tá incluída no preço.

  • BACON KD

    É, eu tava simplificando seus argumentos. Porque esse é o jeito mais fácil de argumentar contra um argumento, simplificando ele.

    De resto, não tenho muito a acrescentar já que você não falou nada com que eu possa discordar.

    PS.: No capitalismo, nenhum país vai alcançar “acesso pleno ao computador”. Porque, você sabe, sem pobreza o capitalismo não funciona.

    PSS.: LOL, você acessa o Bacon às 4 da manhã.

  • ArthurMadruga

    Eu num to conseguindo idendificar se vc ta falando sério ou sendo irônico, mas bom. Eu tava estudando (Sim, as quatro da matina), aproveitei dei uma pausa. 

  • Kalium

    O cara errou uma letra. Isso não é argumento pra nada, apenas pra gente que não sabe o que é discutir (que é bem diferente de brigar ou trollar).

  • Kalium

    Bom, como sempre, se parte dos comentários refletisse a qualidade do texto, não haveria diferença alguma entre o bacon e o Kibe. E por mais que eu tenha vontade de escrever só isso, não o farei por puro respeito (se bem que daria desgosto alguém comenter meu comentário me avisando que eu troquei o “e” por “a”).

    Como sou velho a ponto de ser avô de vocês – e morava ao lado de um Blockbuster em São Paulo – eu me lembro da época DOURADA da locação de filmes. E não tô nem falando de alugar DVD. Tô falando da época que alugar filme era alugar um VHS (ou até alugar um cartucho de Nintendo 64 com um cheiro característico a qualquer um que colocasse o nariz perto pra assoprar o contato). Caralho, alugar o primeiro Jurassic Park em VHS foi foda. Ok, a caixa que continha o VHS era uma merda, mas a caixa de exposição era toda detalhada no formato de ossos de dinossauros e tudo mais. Tesão.

    Desde essa época, muita gente com dois aparelhos conseguia copiar um VHS. A única proteção, afinal, era um aviso no começo da gravação – do FBI, vejam só vocês – falando que a cópia do conteúdo era crime, sobre artigo tal, parágrafo tal, inciso tal etc. Ou seja: não foi o PirateBay que ferrou com a indústria do cinema (aliás, ele é um dos muitos sites de Torrent atualmente, mas não foi o inicial. Se pegar por similaridade sistêmica, o Napster foi bem mais culpado – ou até O culpado – disso tudo). Foi a lei do menor esforço que nós fazemos questão de cumprir desde tempos em que “Guarani” não era um time de futebol, e sim a família do seu primo. Ou clã, para os entendidos de Ragnarök.

    Enfim, pra fechar meu pensamento: pirataria por pirataria, ela sempre existiu. O fato dela estar facilitada não quer dizer que ela é a principal causa de filme bosta sair, ou de aluguel de filme aumentar. Juro pelo meu pau que comprava uma garrafinha de Coca na padaria por 50 centavos há alguns anos e ela nunca foi pirateada (um beijo à Pepsi, que é mais aparecida em restaurantes do que arroz de festa em pacote de Camil). Preços sobem, também, por motivos econômicos. Tudo é mais caro atualmente; e tudo é mais facilitado. Não é por isso que as pessoas deixem de consumir o que elas sempre consumiram na vida.

    … eu poderia simplesmente ter escrito que a ganância e a inflação fodem com a nossa vida, que teria me poupado tempo.

    E concordo com o que você disse sobre deixar de ir ao cinema por existir PirateBay ou cabo HDMI pra conectar na televisão. Afinal, se você planta maconha no quintal de casa, não é por isso que vai parar de subir o morro pra pegar um pouco mais, porra. A emoção que conta. Apresentar uma carteirinha de estudante pra pagar meia entrada é dar uma surra de pau mole no atendente. Fora que doces em cinema sempre parecem mais gostosos do que fora (embora você tenha dito que quem vai ao cinema tem que ir pra assistir ao filme, e não pra encher o cu de diabetes, em outro texto, mas… Curto minhas gordices, haha).

    E eu só uso meu laptop conectado à televisão por cabo HDMI pra aumentar a qualidade de filmes antigos que realmente estão ferrados. Ou para jogar Super Mario 64 em uma tela de plasma, e não em uma tela de 15 polegadas que ficava piscando toda hora. Aliás, que saudade!

  • Jade Zamarchi

    HAHAHAHAHA Eu lembro dessa capa do Jurassic Park! Aliás, ótima ideia pra resenha! :) Sobre seus argumentos, eu concordo que envolve tooodo o contexto e o mercado, mas a ideia era focar na pirataria mesmo. Apareça mais vezes, K!

  • BACON KD

    Você tá certo. Eu provavelmente sou um idiota. Agora eu tenho duas opções, continuar sendo um idiota ou tentar provar que eu não sou idiota, o que seria infrutífero. Eu escolho a opção infrutífera.

    “cara na boa, CINEMA ja era!!!”

    Errado. Ainda se ganha milhões com cinema. Com as salas de cinema mesmo.

    “nao vale a pena gastar mais de 30 reais para ver LIXOES nos cinemas dos shoppings!!!”

    Mais ou menos. Pra muita gente vale a pena. Pra você não.

    “Tomara que a APPLE consiga converser os grandes estudios que a saida é o STREAM.”

    É no mínimo utópico achar que algum dia a indústria do cinema vá se resumir a stream. Stream não dá nem metade do dinheiro que salas de cinema dão.

    “Se eles conseguiram, todo mundo vai na onda, ai sim todo mundo sairá ganhando!!!”

    Todo mundo menos todo mundo envolvido com a criação dos filmes e todo mundo que não tem acesso a internet rápida. O que seria… Muita gente, né?

    “att”

    Isso é só um comentário, véi. Não é um e-mail nem nada. Só dizendo.

    ——-

    Depois dessa completa perda de tempo tentando provar que eu não sou um idiota eu apenas provei que eu sou de fato um idiota. E mais idiota do que você achava anteriormente. Parabéns, K, você está certo e eu sou um idiota. Tá bom, você não me chamou de idiota (explicitamente), mas dizer que eu não sei o que é discutir dá na mesma pra mim.

    Fazer o quê. Seguirei minha vida. Sendo um idiota.

    PS.: Ele errou DUAS letras. Convencer é com C.

  • BACON KD

    Taqueopariu, eu escrevi “idiota” nove vezes.

  • BACON KD

    Até o “LOL” eu tava falando sério. Você de fato não falou nada naquele comentário com que eu pudesse discordar. E isso me decepcionou um pouco.

    Claro, isso pode gerar a dúvida se eu estou falando sério agora ou sendo irônico. Vai saber.

  • ArthurMadruga

    hahahahha, verdade.

  • ArthurMadruga

    Só fazendo um adendo aqui, quem se interessa por este assunto, tem um livro que apresenta uma discussão interessante sobre direitos autorais, pirataria, cinema indo até a temática dos transgênicos, chamado Além das redes de colaboração, de organização de Nelson de Luca Pretto e Sérgio Amadeu da Silveira. Vale a pena dar uma conferida.

  • Eu

       Parabéns, Jade, pelo ótimo texto. Concordo plenamente com vc, mas o problema as vezes eh q o filme entra em cartaz do cinema aqui na minha cidade (Anápolis), depois de 2 meses lançado em outro local do Brasil, e nao resta nada a fazer alem de baixar o filme, já que demora muitos meses ate chegar às locadoras. Hj as pessoas compram tão pouco DVD que as lojas tem que abaixar o preço quase que para de graca, por exemplo: recentemente eu comprei a trilogia do Senhor dos Anéis por 20 reais nas Americanas.com.br (DVD original). Agora o filme está indisponivel (me surpreenderia se não estivesse).
       A série Stargate SG1 nao se acha para locar, entao eu compro pelas lojas online. Na época, cada temporada custava 80 reais, hj custa 42 reais :( !!!!!

  • ?????

    Cara, pq tu nao escreve mais textos??? Vc costumava ser o melhor escritor do baconfrito!!!

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