Trilogia Blood and Ice Cream

Cinema sexta-feira, 14 de junho de 2013

As coisas mais nonsense da criação parecem ter nascido no país mais cinzento, com as pessoas mais formais, mais sacais e com os piores dentes do mundo. Sim queridos, estou falando da terra da rainha, do país das colinas, onde o céu está sempre nublado: Inglaterra. A trilogia Blood and Ice Cream é uma das pérolas do humor inglês, e carregam consigo o peso de ter influenciado – bom, pelo menos o primeiro filme, Shaun of The Dead – a cultura pop.

A trilogia composta pelo já referido Shaun of the Dead (2004), Hot Fuzz (2007), já produzidos e The World’s End previsto pra estrar no próximo mês.

Shaun of the Dead, ou Todo Mundo Quase Morto por aqui, é uma comédia romântica. Shaun (Simon Pegg) e sua namorada Liz entram em crise no relacionamento de três anos pela imobilidade da vida do rapaz, que tem um emprego ridículo, nunca a leva para um local que não seja um pub e ainda por cima mora com seu amigo gordo parasita que só faz gordices, Ed (Nick Frost). Porém, para redimir o rapaz, uma oportuna infestação de zumbis acontece, diante da qual Shaun resolve que é sua hora de ser protagonista. A partir dai, são vários minutos de experimentar qual é a melhor maneira de matar o zumbi (Apesar de preciosos vinis serem quebrados no processo), de projeções do futuro e de atropelamentos com um Jaguar. Assim como nos clássicos de Romero, como Dawn of The Dead (Sacou a referência?), e outros filmes que contam com zumbis, este longa também traz sua mensagem oculta. Claramente, antes da infestação de zumbis Shaun não “vivia” sua vida, sendo apenas um espectro de ser humano, realizando suas funções básicas no automático.

 Como perder uma referência.

Hot Fuzz, que no Brasil virou Chumbo Grosso, é uma comédia que conta parte da vida de Angel (Pegg), provavelmente o melhor policial da história da polícia metropolitana de Londres. Angel é o policial perfeito: Inteligente, atlético e honesto, claro que para isto o cara não consiga ter vida fora do trabalho, em um clichê agradável. Porém, sua eficiência o coloca em uma situação delicada com seus colegas policiais, pois acabam sendo cobrados pela população em geral como se tivessem que ter o mesmo afinco e dedicação do super-tira. Por conta disto, ele ganha uma “promoção” para sargento e uma passagem só de ida para o interior do país, sendo alocado na vila Sandford, conhecida como a vila mais segura da Inglaterra. Mas a chegada do novo morador abala a convivência pacífica do pacato lugarejo, já que Angel vê no cumprimento literal do texto da lei a condição una da vivência humana, e por isso faz uma série de prisões antes do seu primeiro dia de trabalho, prendendo inclusive seu novo parceiro Butterman (Frost), um policial gordo e bêbado. No decorrer da história, os dois se aproximam e se ajudam mutualmente a resolver seus problemas, um é muito ativo, enquanto o outro é muito relaxado, basicamente uma comédia romântica com um bromance. Para além do bromance, nem tudo o que esta pacata vila aparenta ser é, e Angel começa a desconfiar de uma série de acidentes, que parecem muito oportunos e começa a traçar suas teorias da conspiração.

 Sua maior arma são os clichês.

A série foi criada pelos ingleses Simon Pegg e Edgar Wright, que dividiram o roteiro, sendo que o primeiro protagonizou e o segundo dirigiu os filmes. Todos os dois possuem muitos elementos em comum: Ambos estrelados por Simon Pegg e Nick Frost, que juntamente com Wright formam o núcleo duro do seriado britânico Spaced e cada um dos filmes tem um sabor de sorvete relacionado com eles, sendo Shaun of the Dead o Cornetto de morango e Hot Fuzz o Cornetto azul, sabor de sabe deus lá o quê. Além disto, a direção é característica, alternando em alguns momentos planos rápidos, cortando de personagens para ação ou para objetos relevantes para a trama, com sonorização forte e característica do que é mostrado em cena.

A sinopse dos filmes pode parecer singela e as histórias não são muito sofisticadas realmente, além de serem recheadas com vários tipos de clichê, apesar que ao que parece a intenção dos criadores seja realmente esta, colocar vários clichês em filmes que acabam desconstruindo a comédia, inserindo elementos, que se não são novos, são mal explorados pelo gênero. O nonsense é muito presente no filme, como em Shaun of the Dead, onde os dois protagonistas resolvem tentar matar zumbis com discos de vinil, ou em Hot Fuzz, nos momentos de ação. Para mais, ambos os filmes têm avaliações acima de 7,5 no IMDb, mesmo que isso possa não significar muita coisa.

Resolvi ignorar o terceiro filme por este não ter estrado ainda, mas caso eu tenha a oportunidade de vê-lo, virei aqui e farei uma resenha separada, contando os erros e os acertos no uso dos elementos que os dois antecessores consagraram.

Enfim, a trilogia Blood and Ice Cream é uma boa pedida para dias em que você está de saco cheio e quer apenas ver um filme engraçado, mas que não necessariamente é vazio de significado.

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