Top 3 Autores – Alan Moore – Ozymandias

Nona Arte quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ah, a polêmica. Doce polêmica, o combustível das massas, o néctar dos trolls, o mana dos nerds, a alma dos noticiários povão sangrentos, o… ok, acho que vocês já entenderam. O nosso amigo Adrian Veidt aqui é um personagem que não poderia ser deixado de lado, mesmo que eu quisesse, por um simples motivo: é difícil precisar se ele é o vilão ou o herói de Watchmen.

Antes disso, um pequeno histórico.

Ao contrário do que aqueles que somente assistiram o filme pensam, Ozzy não é um playboy qualquer que herdou um império dos pais e resolveu salvar o mundo porque não tinha nada de bom na TV. Para começo de história, ele é um gênio. Quando criança, só tirava notas máximas em todas as disciplinas; os professores achavam que ele colava, então o moleque passou a tirar notas baixas, por vontade própria, pois não queria chamar atenção. Ele cresceu, e, aos 17 anos, os pais dele morreram, deixando de herança um império industrial multibilionário, além da gigantesca fortuna pessoal. De posse disso tudo, ele vendeu a empresa, doou todos os bens de família e quase toda a grana. Guardou só um pouco, para comprar uma passagem pra Turquia. A partir daí, viajou por metade da Ásia, Europa e África, seguindo os passos de Alexandre, o Grande. Experimentou haxixe no Egito e decidiu que tinha que livrar o mundo de seus males.

Voltou para casa, e, usando nada além do intelecto, construiu outro império expresarial, com o intuito de financiar o expurgo dos males do mundo. Além da “empresa de fachada”, Ozymandias também combatia os males do mundo no mano-a-mano, agindo como investigador e combatente do crime.

E, agora, vem a melhor parte: a idéia de salvar o mundo… destruindo parte dele primeiro. Para aqueles que não são familiares com a obra, o plano de Veidt é (preciso mesmo avisar que têm spoilers à frente?): teleportar um transgênico de Cthulhu com Professor Xavier para o centro de Manhattan. O cérebro da criatura, criado artificialmente a partir de experimentos com pessoas com poderes paranormais, liberaria uma forte onda psíquica ao morrer durante o teleporte, matando e/ou enlouquecendo todos num raio de quilômetros.

Com o aparecimento súbito da criatura, os líderes do mundo achariam que a Terra estava sob ataque de aliens, e acabariam com as guerras para se unir contra um inimigo em comum. Sabe qual a pior parte? Funcionou.

E, então, vem a questão: Veidt é um herói (afinal, ele evitou uma guerra entre duas potências militares, ambas com uma cacetada de bombas atômicas) ou um vilão (milhões de pessoas morreram, outro tanto foi ferida e/ou enloqueceu graças ao plano dele)?

Ozymandias foi uma tacada de mestre de Moore. A dubiedade do personagem o torna um ótimo ponto para discussão de ética/moral, além de garantir dias de diversão em fóruns de HQs. Por isso e por ser, basicamente, foda, Adrian Veidt merece seu lugar entre os melhores de Moore.

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