Top 11 Metal sofrência / Heavy corno

Música sexta-feira, 06 de março de 2015

Gostaria de deixar bem claro, antes de qualquer coisa, que sou apaixonado pelo Heavy Metal e suas vertentes. Agora, próximo aos meus trinta anos, percebo que sou um proto-tiozão do metal, daqueles que se ficam calvos, deixam o resto de cabelo longo e começam a usar bandana de caveirinhas, logo de banda, Eddie The Head, ou outro motivo truezão bobo, mesmo que vá a um velório.

 “Ah, meu netinho, você nem imagina como foi o Rock in Rio de 2015…”

Porém, possuo uma coisa diferente à maioria de meus pares. Acabo por me irritar muito com a reclusão dos headbangers contra outros estilos. Não, tem muita coisa que não gosto, que não escuto, mas possuo esclarecimento para compreender que outras pessoas podem – e devem – gostar de coisas diferentes do que sou fã.

Portanto, muita ofensa gratuita aos outros estilos musicais me deixa encafifado, principalmente quando as mesmas são infundadas. Não consigo compreender, por exemplo, a cisma de headbanger reclamar da putaria do funk, quando nós tanto amamos bandas que trinta anos atrás, quebravam barreiras sexuais tanto na música, quanto nas atitudes fora dos palcos, em falas, atos e contestações que fariam sua tia beata ruborizar só de imaginar. Mas este é assunto para outro artigo.

Aqui no Brasil, o grande hit do verão de 2015 foi Porque Homem não Chora, do Pablo do Arrocha. Uma música que se espalhou como meme junto ao termo sofrência. A música relata um homem abandonando a companheira após o fim de um relacionamento, que segundo o próprio, foi culpa dela. Lembra-me muito um termo cunhado a uns quinze anos, a tal da Cornomusic.

 “Calma, metaleiro! É só amor!”

Sob o olhar esnobe dos headbangers, a música foi taxada de brega, de corno, sofrida, tosca. Porém, mesmo no Heavy Metal, temos nossa sofrência, acompanhada de histórias tão ou mais melosas, pastosas, cornas e choronas que a relatada pelo menino Pablo. Este é um top 11 de músicas que não apenas gosto, mas admito que são mais mela-cueca que muito cantor de arrocha, sertanejo ou pagode que já tive chance de prestar atenção.

Em ordem de sofrência:

11 – Iced Earth – I Died For You

Em 1996, a banda de Jon Schaffer lançou um álbum conceitual sobre a história de Spawn, o personagem de quadrinhos do Todd McFarlane, chamado The Dark Saga. Dentre riffs épicos e gritos graves agonizantes, logo na segunda música nos deparamos com o lamento do assassino Albert Francis “Al” Simmons, que ao voltar do inferno cinco anos após a sua morte, encontra sua esposa Wanda Blake casada com seu melhor amigo, Terry Fitzgerald.

10 – Nightwish – Ever Dream

Nightwish possui muitas composições falando sobre amor, solidão e distanciamento, porém de seu repertório, destacam-se neste ponto as músicas dos álbuns com Tarja Turunen nos vocais, provavelmente por sua interpretação.

Ever Dream fala sobre uma pessoa buscando pelo amor esteja onde ele estiver, e na esperança que o mesmo esteja sonhando com ela.

9 – Judas Priest – Prisioner Of Your Eyes

Em 1985, o trio de compositores do Judas Priest deram a luz a esta pérola dramática, sobre um amor inseguro que causa lágrimas e que suplica pelo calor dos braços do amante. A música ficou de fora do álbum Turbo, porém viu a luz do dia na remasterização, em 2001, do Screaming for Vengeance, originalmente lançado em 1982.

8 – Stratovarius – Black Diamond

Black Diamond vem do ambicioso álbum Visions, de 1996. A música possui uma linha tocada em um cravo, um instrumento que dá um ar renascentista a toda a música, e fala sobre um amor que não pode ser tornado fixo, porém que não dá para resistir à tentação.

7 – Agonizer – Say Love

Agonizer é outra banda finlandesa formada em 1998. A banda, tratada como revelação na década passada pela mídia finlandesa, detém um recorde esquisito: Em 2007, para o lançamento de seu álbum, Birth / The End, fizeram um show na mina Pyhäsalmi, a segunda mina mais profunda da Europa a 1440 metros de profundida, fazendo este ser o show mais profundo já feito. Bem underground, se me permitem.

Say Love vem de seu terceiro demo, World of Fools. A letra fala sobre alguém esperneando com o fim de um namoro, de quanto sente falta da namorada, de como ele está sofrendo, como vai morrer após o fim, de como vai chamar ela de vadia, e de como ainda a ama e de como ela está escapando feito água por entre os dedos. Eita, sofrência.

6 – Sonata Arctica – San Sebastian

Os finlandeses do Sonata Arctica são outros especialistas na sofrência, mas sua sofrência aborda temas diversos, desde amizades na internet até prostituição. San Sebastian, vindo de seu primeiro EP, Sucessor, fala figuradamente sobre o sol de San Sebastian ficar quente demais para seu amante, que se esconde nas sombras e no fim se casa amarguradamente com a lua, pois sua querida agora está aquecendo um novo alguém.

5 – Edguy – Scarlet Rose

Edguy, ao contrário de seus contemporâneos do Power Metal dos anos ’90 e 2000, que procuravam uma falsa erudição com música neoclássica, misturou o estilo ao Hard Rock e ao humor, criando algumas das músicas mais divertidas do gênero.

Em 1998, no álbum Vain Glory Opera, Scarlet Rose fala sobre um fim de relacionamento violento, figuradamente falado aqui como uma rosa escarlate que morreu, a beleza de um pôr-do-sol que jamais irá voltar. A mistura de Power Metal, Hard Rock, balada e sofrência faz essa música ser conhecida aqui no Brasil por se parecer demais com músicas de sertanejo romântico contemporâneo, tipo Leandro & Leonardo, Bruno & Marrone ou Zezé de Camargo & Luciano.

4 – Black Sabbath – Changes

Este matador quarteto não apenas ajudou a inventar o heavy metal, como também o reinventou várias vezes, dando origem a muitas vertentes do mesmo. Porém, em 1972, em seu quarto álbum, uma das mais estranhas composições dos mesmos foi lançada: Changes. Uma balada leve, tocada em piano, mellotron, baixo e voz, contando a história de um amor que parte, e as mudanças que isso faz a pessoa passar. Interessante e linda, mas completamente bizarra se comparada ao resto da carreira da banda.

3 – Iron Maiden – Wasting Love

Este é um caso especial pois a música acompanha uma lenda. De 1983 a 1987, Bruce Dickinson foi casado com Jane. Apesar da reservada vida pessoal da lenda, em 1997 Nikki Sixx, baixista do Mötley Crüe disse em sua autobiografia, The Dirt, que Jane traiu Dickinson com ele, e que ele não sabia que ela era casada.

Wasting Love, single do álbum Fear of The Dark, fala sobre solidão causada por sexo fora de um contexto amoroso. É dito também que a grande inspiração da letra, escrita pelo vocalista e pelo guitarrista Janick Gers, foi a infidelidade de Jane.

2 – Angra – Bleeding Heart

Angra teve seu momento difícil em 2000, quando a banda rachou em duas. Ricardo Confessori, André Matos e Luis Mariutti sairam da banda e formaram o Shaman. O que sobrou do Angra, os guitarrista Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt se juntaram a Felipe Andreoli, Edu Falaschi e Aquiles Priester para retomarem a banda.

O resultado foi o Rebirth, um álbum aonde os membros remanecentes da banda contam como superaram a saida de seus membros antigos e de como eles foram bobos em deixar o Angra para trás. Porém, Bleeding Heart fala sobre como estão sofrendo, de como os outros os apunhalaram, de como estão próximos a se renderem. A música é mal interpreta sobre falando de um relacionamento amoroso, mas não é por menos. Sem dúvidas, deve ser a música mais mela-tanga da história do metal.

Curiosidade: A música foi regravada pela banda de forró Calcinha Preta, sob o título Agora Estou Sofrendo.

1 – Lita Ford & Ozzy Osbourne – If I Close My Eyes Forever

Dizer que Lita Ford e Ozzy Osbourne são dois sujeitos complicados, é chover no molhado. Lita foi a guitarrista da lendária banda The Runnaways. Sua desavença com Joan Jett sobre o estilo que a banda deveria tomar acabou por a destruir, mas deu origem as carreiras solo de ambas. Voltando-se para o Glam Metal, Lita tem mais de trinta anos de estrada sozinha. Atualmente, enfrenta uma ordem de restrição contra seu ex-marido, Jim Gilette, por tê-lo agredido continuamente. Bad girl cinquentona.

Ela e o Madman gravaram um dueto em 1988, para o álbum Lita, na época que a guitarrista era agenciada pela Mama, Sharon Osbourne. A música fala sobre um casal que após mentir demais um para o outro, perguntam-se se dá para fechar os olhos para isso, e ao chegarem ao acordo que não rola, decidem fechar os olhos dela para sempre. Pacto suicida? Homicídio concentido? A música é tão sofrência, mas também tão metal que acaba por ganhar o topo do Metal Sofrência. E fica o lembrete, não matem suas namoradinhas nem se matem, heavy cornos.

Concordam? Discordam? Achou desnecessário? Deixem sua sofrência nos comentários!

Mr. Moura é um cara que se deixa levar pelas emoções. O histórico dele [Ou a falta de] aqui com a gente que o diga. Mas você também pode escrever pra cá, dar xilique e mandar tirar tudo do ar. É só mandar sua ideia pra gente.

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  • ClaytonSlayer

    Analisar o metal pelas letras e compará-lo com o que os headbangers mais odeiam é uma atitude bastante corajosa e polêmica. Com os exemplos que você deu fica difícil rebater sua opinião. O que eu acho é que o tema amor/relacionamento/sofrência está presente em qualquer estilo musical. O tema não me parece problema. O que incomoda é a música. Se o Leandro e Leonardo gravassem um rock bom de verdade eu ouviria na boa. Assim como não curto ouvir baladas quando ponho um disco de heavy. Não acho que o valor de uma música legal deva ser deixado para trás por uma letra fraca. Por outro lado, todo mundo tem suas fases de baixa criatividade e acabam fazendo coisas que não condizem com o habitual de sua carreira.

  • Isaac Souza

    Conheço a maioria delas, gosto muito das que conheço e vou ouvir as outras xD

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