Tomb Raider (PC, Xbox 360, PS3)

Games segunda-feira, 18 de março de 2013

Não sei se já disse, mas uma das minhas séries favoritas nos jogos é Tomb Raider. Zerei, várias vezes, os últimos 5 jogos da franquia. Talvez seja justamente por gostar tanto da coisa que realmente não sei se quero ou não fazer este post… Não sei o que dizer.

Dias atrás, estava eu procurando um link que funcionasse para baixar Mark of the Ninja (Que, assim que eu jogar, devo resenhar também). Pois é, ia apoiar a pirataria de novo. Por um feliz desígnio do destino, nennhum link funcionou: Toquei o foda-se e abri o Steam. Para minha surpresa e felicidade, Mark of the Ninja estava com um desconto gigante. Mais que rapidamente botei no carrinho de compras, e foi quando vi que o novo Tomb Raider também estava com um desconto… E que seria lançado dentro de 3 dias.

Infelizmente, aqui em terras brasileiras não se acha Tomb Raider, em mídia física, para computador, apenas para PS3 e 360. Puto com o mercado, com a necessidade de baixar mais de 10GB e por não ter o CD, com capa, todo bonitinho, comprei, fiz o download e após horas e horas, finalmente pude jogar Tomb Raider. Cara… Porra… É foda.

Logo quando o jogo foi anunciado, e detalhes foram divulgados, virou uma briga entre fãs, afinal, Lara não seria mais… Lara. Nada de acrobacias, as pistolas duplas, os peitos enormes: A personagem estava mais “real”, mais “humana”, e claro, muita gente não gostou nem um pouco disso. Eu mesmo declarei que ficaria putíssimo se não tivesse as duas pistolas… E todas as fotos mostravam-na de arco e flecha.

Não joguei Uncharted até porque é só um plágio safado, mas desconfio que este novo TR e a série sejam muito parecidos. É ampla a influência de jogos de tiro em primeira pessoa, bem como tiroteios generalizados. Se a série antes era muito baseada em puzzles, enígmas e coisas do tipo, agora é o tiro que toma um ponto principal. De fato, os poucos quebra-cabeças que tem no jogo são absurdamente fáceis, o que irritou muitos fãs da série e que não deixa de ser, para mim, uma perda de um elemento que caracterizou a franquia.

Algo também presente nesse jogo é a possibilidade de caçar animais… Que basicamente não tem função. Quero dizer, na primeira vez que você o faz há um motivo, mas depois é apenas um método de ganhar experiência. Pois é, você ganha experiência para melhorar habilidades e encontra “fragmentos” para comprar melhorias para suas armas. Em suma, Tomb Raider perdeu algumas de suas clássicas características para incorporar elementos já conhecidos e comuns em outros jogos: São bem feitos, e como jogo funciona, “mas não é Tomb Raider”.

Algo que atrapalhou e irritou muita gente, principalmente na versão de computador, foram os quick time events, ou seja, “aperte X na hora certa”, algo que God of War tornou popular. Há vários bugs e glitches na versão para computador, que, às vezes, impossibilitam passar de partes do jogo. Provavelmente devem ser arrumados, mas para quem jogou assim que o jogo foi lançado, foi um problema.

Algo que não é novidade na série Tomb Raider, mas, de certa forma, vem me deixando meio temeroso é o “sentido especial”, no caso chamado Survival Instinct. Este é um elemento que ficou famoso com Batman: Arkham Asylum, que foi usado em Arkham City e Hitman: Absolution e agora em Tomb Raider. Nos jogos anteriores da série, tínhamos algo parecido, quando se usava o binóculo, mas nada neste nível. Não vou mentir: É algo útil em todos estes jogos, mas que os deixa muito fáceis. Sei que, sendo este um recomeço na série, é preciso que o jogo alcance mais gente, mas torná-lo fácil é jogar boa parte da série no lixo: Tomb Raider nunca foi para todo mundo, e nenhum fã quer que seja. E não adianta vir com a bobagem “é só não usar” (Como falaram os desenvolvedores de Hitman), seria o mesmo que dizer “tá vendo esse seu terceiro braço aí? Então, cê não pode usá-lo”.

Quanto à história, não há do que reclamar: Seu naviu naufraga e você acaba, junto de seus amigos, numa ilha DO MAL… Tipo Lost. Há gente maluca, coisas sobrenaturais, animais e uma caralhada que coisas que podem te matar. Ao mesmo tempo em que você, durante o jogo, está matando dezenas de inimigos, a história te diz o tempo todo que aquela Lara que você está controlando está muito longe da Lara que viria a ser. Sim, é uma contradição: Mate esses inimigos para assistir uma cena em que você fica triste por ter atirado em alguém… Mas funciona.

Aliás este, creio, é um dos principais pontos do jogo: As “desculpas” funcionam. Faz sentido você ganhar experiência a cada headshot, ainda que na história Lara se sinta mal com isso. Faz sentido você achar partes de armas em caixas pelo cenário, faz sentido o sistema de aprendizado de habilidades… Se estes elementos, individualmente, não são grande coisa, como um todo, dentro do jogo, funcionam muito bem. E se isto, para este jogo é bom, para o próximo jogo da série será ruim: Lara, ao final do jogo (E isso não é spoiler) ainda não é o que virá a ser, mas não é mais a jovem inocente de quando começou, e ganhar experiência atirando em coisas, no próximo jogo, será simplesmente idiota.

Mecânicamente, mesmo com os bugs, o jogo funciona muito bem, é divertido jogar, e a história fornece as explicações certas para cada elemento mecânico. E sei que é redundante dizer, mais o jogo é lindo. Os cenários são incríveis, os personagens também. Caras, tirei dezenas e dezenas de screenshots desse jogo. Este jogo, definitivamente, quebra sua relação com os jogos anteriores da série. Isso é ruim, já que eu realmente gosto da série, de seus elementos e histórias, mas ao mesmo tempo é bom, já que este jogo é bom. Em outras palavras, se você nunca gostou de Tomb Raider, tente jogar este novo jogo.

Mudando ligeiramente de assunto, sim, este jogo é violento. Bem violento. Lara pode morrer (E morre) das formas mais cruéis possíveis (Várias vezes, causadas pelos problemas no jogo), pode matar das mais variadas formas possíveis, e bem, é uma ilha cheia de malucos: Arenas de duelo, rios de sangue (Literalmente), corpos mutilados, peixes podres… Enfim, este jogo faz por merecer a classificação indicativa de 18 anos… Não que alguém ligue para isso.

Graças à isso e à história é que, durante toda parte decisiva do jogo eu pensava comigo mesmo que “porra, esta, definitivamente, é uma situação que faria a Lara virar a Lara”. O jogo, muitas e muitas vezes, te coloca em situações tão extremas, tão perigosas e até mesmo absurdas que, definitivamente, transformariam qualquer um que conseguisse sobreviver no que Lara Croft sempre foi. Se qualquer pessoa de fato passasse por algumas coisas do jogo, ela sairia pronta para enfrentar dinossauros, múmias, lobos, ursos, gorilas, crocodilos e centauros… Bem como atirar em gente que merece levar tiros.

Finalmente, há o inteiramente novo modo multiplayer. Caras, Tomb Raider não precisa disso, nunca precisou. Basicamente o que este modo faz é te colocar em alguns dos locais do jogo, com outras pessoas, usando personagens do jogo. Não é criativo e nem necessário. Os modos de multiplayer são os de sempre (Em time, cada um por si, “pega-bandeira” e um “search and destroy”), há forma de comprar novas armas e itens, mas nada disso faz diferença nenhuma. Não que seja chato jogar no multiplayer, mas também não é legal. Tomb Raider é “jogo de um”, e o multiplayer só está alí porque a grande maioria dos jogos, atualmente, tem um modo assim. É muito mais ser “maria-vai-com-os outros” do que algo importante. Eu, sinceramente, ficaria feliz de não ter um modo assim no próximo jogo da série… E o que é pior: Se você quiser completar 100% dos achievements, você tem que alcançar o nível SESSENTA no multiplayer, além de outros “feitos” neste modo… Cara, não consigo nem dizer o quão absurdo, desnecessário e idiota acho isso.

Caras, estou feliz com este jogo. É mais do que eu esperava, e sinceramente creio que estão dando um bom rumo para uma das minhas séries favoritas. O jogo não é perfeito, há falhas, há defeitos, mas numa visão geral, é um começo dígno e, em relação à série, crível: Não tenho medo de dizer que foi esta “aventura” que começou a “criar” a Lara que sempre gostei. Não sei como será o próximo jogo, mas não estou com o pé atrás para ele, como fiquei em relação à este. Há muitas coisas a serem melhoradas no jogo… E quanto à história, creio que ainda demorará um ou dois jogos até termos, “de verdade”, Lara Croft, mas creio que será incrível quando chegarmos lá.

Fazendo um balanço geral, este é um bom jogo, um bom recomeço para a franquia, tem bons personagens, uma boa história, uma boa duração (Entre 16 e 20 horas… Tem gente que acha pouco, eu achei na medida certa) e, acima de tudo, abriu grandes possibilidades para o futuro. Se você for fã da série, assim como eu, pode sentir falta de algumas coisas, mas creio que não sairá, de forma alguma, decepcionado. E se não for fã, recomendo que jogue, será uma experiência legal. Este jogo não é perfeito, mas é muito, muito bom… E se eu pudesse pedir uma coisa, só uma, para o próximo jogo, seria talvez irônicamente peitos um pouco maiores… É, sexista, eu sei, e os atuais são legais também, mas Lara Croft é isso: Peitos e dual wield, não necessariamente nesta ordem.

Tomb Raider


Plataformas: PC, Xbox 360, Playstation 3
Plataforma Avaliada: PC
Lançamento: 2013
Distribuído por: Square Enix
Desenvolvido por: Crystal Dinamics
Gênero: Aventura, Ação

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