The Following

Televisão quarta-feira, 20 de março de 2013

The Following foi eleita por mim para substituir American Horror Story, série que me deixou temporariamente viúva. E por mais que seja dessas viúvas apaixonadas, preciso de entretenimento. Não to morta, né? O elenco é encabeçado pelo Homem Sem Sombra Kevin Bacon e pelo charmoso James Purefoy. E, ainda por cima, fala sobre serial killers. Então vamos combinar que o potencial é imenso. Tive que insistir muito com o bofe, ele não queria ver de jeito nenhum. Para fins de convencimento, comprei pipoca cancerígena de microondas sabor manteiga de cinema (Recomendo!), cerveja e balinhas cítricas da Fini. Com tantos argumentos, ele não teve remédio senão se acomodar no sofá ao meu lado pra ver qual é.

A série conta a história do ex-policial Ryan Hardy (Kevin Bacon), que prendeu o perigoso serial killer Joe Carrol (James Purefoy). Carrol, professor de literatura e escritor mal sucedido, matava mulheres utilizando as obras de Edgar Allan Poe como pano de fundo. ”Quanta classe”, foi o que pensei. Depois de quase 10 anos fora da ação, Hardy volta a ser chamado pelo FBI para investigar crimes influenciados e orquestrados por Joe de dentro da cadeia, mas cometidos por seus fanboys, pertencentes à uma seita muito, muito bizarra. Esse novo trabalho acarreta em embates constantes com o lunático, além do reencontro com Claire (Natalie Zea), ex-mulher do assassino que teve um caso com o agente aposentado.

 Melhor parte de assistir The Following.

No início curti bastante, mas ao longo dos episódios fui me incomodando profundamente com o seriado. Não que seja ruim, mas é tudo muito óbvio. Nunca tive dons mediúnicos, no entanto com The Following me sinto uma verdadeira Mãe Dinah. Os dois primeiros episódios ainda surpreendem pela questão da complexidade dos planos da seita e pela temática dos crimes. Mas depois que você se acostuma, a história passa de surpreendente para surreal. Isso porque todo mundo, e eu disse TODO MUNDO, faz parte do tal grupo e está a par dos planos de Joe Carrol. Então você já sabe automaticamente para onde a história vai e já espera pelo o que deveria ser inesperado. O telespectador nem se surpreende mais quando alguém apóia o assassino, muito pelo contrário. Quando alguém é exatamente quem diz ser – coisa rara, por sinal – bate aquela paranóia e você pensa alto:
Nossa, mas eu jurava que esse cara ai era da seita também.

Outra pessoa que se mostra bastante inclinada a mediunidade é, justamente, Joe Carrol. Não acho que seja possível alguém delinear um plano tão perfeito com 98% de sucesso sem uma ajudinha sobrenatural, principalmente dependendo dos outros. Tudo é perfeitamente sincronizado dentro do script. Não existe tempo ruim para suas ovelhas. Missão dada é missão cumprida. Até parece que não existe engarrafamento, desastres naturais, gripe, morte na família, pneu furado, motor superaquecido, complicações no emprego ou qualquer outro imprevisto da vida cotidiana. Todos estão sempre a postos para colocar o papel em prática e fazer as coisas exatamente como foram previstas por seu mestre. As falhas são raras.

 Joe Carrol, prazer!

Essa perfeição de Joe Carrol e Cia. se opõe à completa incompetência do FBI. Estamos no 8º episódio e nenhuma ação da polícia funcionou como deveria. Os criadores parecem querer recriar a dinâmica entre o Papa-Léguas e o Coiote. A polícia está sempre atrasada, atrapalhada e sendo ludibriada exatamente da mesma forma. Nenhum erro importante cometido pelos criminosos foi acarretado por qualquer ação policial. Eu achava que Ryan Hardy tinha sido contratado para participar da investigação por ser um pica das galáxias, mas, por mais que ele seja o melhor agente em exercício, a ineficiência dele ainda é ímpar.

Seria injusta se não comentasse as coisas boas da série: Primeiramente, James Purefoy. Ele é um ótimo ator e, apesar dos absurdos, Joe Carrol é um ótimo personagem. Fascinante a capacidade do sujeito de atrair as pessoas e fazer com que elas sejam exatamente o que ele quer. Purefoy consegue imprimir em Carrol muitas sutilezas que engrandecem o papel. Por exemplo, ao mesmo tempo em que depende de seus seguidores e é extremamente carismático, é fácil perceber que despreza aquelas pessoas. Os primeiros flashbacks, constantes ao longo dos episódios, mostram seus fãs sendo recrutados para seu plano maligno. E neles não consegui deixar de pensar em Dom Casmurro, pois Joe Carrol, assim como Capitu, tem olhos de cigana obliqua e dissimulada.

Mike Weston, personagem interpretado pelo colírio Shawn Ashmore, é o cara mais gente boa do time do FBI. Ele adora Ryan Hardy e é o campeão de advertências, porque sempre faz tudo para ajudar o amigo, independente de ser ilegal. A parceria dos dois é divertida porque Hardy é um cara chato, endurecido pela vida e pelo álcool e Weston tem o frescor da juventude, vontade de trabalhar e resolver o caso de uma vez. Dentro das limitações do Departamento Federal da Incompetência, ele até é bastante bom no que faz. Se fosse, ao lado de Ryan, o único agente trabalhando no caso, talvez tivessem sucesso contra a seita. Pena que não é.

Apesar da season finale se chamar The Final Chapter, uma segunda temporada já foi confirmada. Não consigo imaginar a história central se arrastando por mais 15 episódios. Deus me livre dessa tortura, porque a premissa simplesmente não permite esse alargamento. Meu lado masoquista está curioso para ver o que farão com a renovação e, apesar de me irritar mais e mais a cada episódio, devo seguir assistindo. Estou convencida que The Following seria um bom filme, apesar de ser um fracasso como série. Se eu ainda persevero é porque a esperança é a última que morre e eu constantemente espero algo que não acontece. Algo que, honestamente, eu nem sei o que é.

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