The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon (The Flaming Lips)

Música terça-feira, 10 de abril de 2012

Já começo pedindo perdão pelo título longo, mas não faria sentido falar sobre esse álbum sem colocar o nome completo no título do post. E quero pedir aos fãs xiitas, por favor, não passem desta linha.

The Dark Side of the Moon é um disco do anos de 1973 da banda inglesa Pink Floyd. Mas imagino que todo mundo sabe disso. A grande sacada deste disco é que ele não é apenas um grande álbum conceitual, como também é um dos discos mais vendidos da história, com 50 milhões de cópias vendidas mundo afora. Isso para uma banda de rock progressivo é no mínimo um feito digno de nota. Claro, porque só vender 50 milhões de discos não é impressionante por si só. Enfim, mas não é apenas isso. Este disco foi um grande marco na música, pelas suas inovações sonoras, efeitos eletrônicos e mais uma porrada de coisas. Mas não é deste disco que eu vou falar.

The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon é um disco de 2009 da banda americana The Flaming Lips. Eu já tinha ouvido falar deste grupo em rodas de discussão sobre músicas mas meu conhecimento sobre a banda se limitava ao nome. Mas eis que por força do destino um tango argentino me cai bem melhor que um blues eu topo com esse álbum. Minha primeira reação foi clássica: Que merda é essa, pra que mexer num álbum que é um dos baluartes do rock and roll? Mas como pessoa levemente curiosa que sou resolvi pelo menos escutar uma vez para poder falar mal. Até que eu topei com essa peça ai:

Meu companheiro e minhas companheiras, não irei negar, a música ficou muito boa. Uns novos elementos eletrônicos ali, uma guitarra pesada aqui, um arranjo um pouco diferente acolá. A adição de uma guitarra mais ritmada associada a outra que flui mais durante a música seguindo o arranjo original deixou o resultado excelente. O vocal é bastante competente também, mas nada excepcional. Resolvi dar uma chance e continuei escutando o álbum e as mesmas coisas aconteceram.

A segunda música, On The Run, no álbum original é uma peça construída com sintetizadores e psicodelia. O elemento sintetizador e psicodelia continuam, porém esta música é bem diferente da original. Novamente, um arranjo ritmado bem interessante somado com batidas de bateria. Interessante notar que apesar do arranjo ter sido bem modificado, o princípio original é mantido. Ah, os sons de relógio de Time ficam aqui também.

Time é uma música que ficou bem diferente. Originalmente, o vocal é bem agressivo em alguns momentos, combinado com guitarras e sons de sintetizador bem marcados, em outros uma suavidade lírica aparece, mas sempre acompanhado de arranjos bem marcados. Na versão do The Flaming Lips os vocais são suavizados, assim como o instrumental, composto de percussões, violão e um sintetizador tímido, e o vocal quase não muda sua tocada durante a música. A parte da reprise de Breathe permanece fiel à reprodução feita neste álbum. Esta mudança em Time foi interessantemente estranha, pois a associação desta música com um certo desespero que ficam bem representados pela intensidade instrumental e vocal do original perde totalmente o sentido, ou ganha um novo sentido o qual eu ainda não entendi na versão cover.

Em The Great Gig In The Sky, a cantora canadense Peaches arrebenta um raivoso solo vocal acompanhado de um instrumental bastante marcado. A arranjo destoa um pouco do original, é mais eletrônico e pesado, com percussão e guitarra nada suaves, como acontece no original. O vocal de Peaches é carregado de dor com a adição de um efeito eletrônico que deixa a voz mais marcante ainda.

Money é totalmente eletrônica. Desde o vocal aos efeitos de batidas e baixo. Totalmente estranha esta canção. Para falar a verdade é uma das quais eu não gostei deste álbum, sendo que a original goza de uma superioridade que beira a níveis infinitos.

Us and Them foi a música que na minha opinião permaneceu mais fiel à original, apesar de o arranjo ser sensivelmente diferente, assim como os efeitos. Porém a intensidade das duas canções é semelhante. Ela termina de maneira bastante abrupta, nos jogando em…

Any Color You Like, que é uma das músicas que anunciam o final do álbum. O arranjo principal é semelhante, somado a sons “avulsos” e efeitos eletrônicos distorcidos nas guitarras e sintetizadores. Apesar do arranjo principal ser semelhante, o condutor da canção no original é o sintetizador, enquanto no cover é uma mistura entre guitarra e sintetizador bem diferente. É uma música bacana.

Brain Damage, assim como Us and Them, mantém uma tocada semelhante, a não ser pelos efeitos eletrônicos distorcidos. O ritmo da versão cover é bem diminuído também. A parte do clímax da música original é bem mais marcante do que na cover.

Eclipse inverte o que acontece em Brain Damage. A versão do The Flaming Lips tem um ritmo mais acelerado. Os efeitos eletrônicos também são mais abundantes e é uma boa música para terminar o álbum.

Observando mais friamente, o que a banda fez foi pegor um álbum perfeito, adicionar seus elementos e conseguir não acabar com tudo. O mérito da banda é todo esse, não estragar o original. Eu não esqueço das palavras de um amigo: “Se eu nunca tivesse escutado o Dark Side, provavelmente consideraria esse som muito foda”. Então é isso, uma boa releitura para fãs que assim como eu aceitam um pouco de intervenção.

P.S.: Não vou dizer que ficou tão bom quanto o original, primeiro porque não é mesmo, segundo porque considerar uma obra original no mesmo nível que uma releitura é no mínimo insano, porém não dá pra deixar de dizer que The Flaming Lips conseguiu [re]fazer (Ou desfazer, pois o Doing do título significa quase destruir) o álbum com competência.

The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon – The Flaming Lips


Lançamento: 2009
Gênero musical: Rock Alternativo/Progressivo
Faixas:
1. Speak to Me/Breathe
2. On The Run
3. Time/Breathe(Reprise)
4. The Great Gig In The Sky
5. Money
6. Us and Them
7. Any Color You Like
8. Brain Damage
9. Eclipse

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  • muito interessante não conhecia tal album, e concordo contigo no inicio bateu um preconceito, mas ficou bom, particularmente curti muito a Breathe e Great Gig in the sky, parece que eles tem esse estilo psicodélico mesmo por isso conseguiram fazer esse trabalho bacana, já estou baixando uns albuns deles pra dar uma checada, já ouviu?

  • Arthur Arantes Souza

    Cara, para falar a verdade eu só ouvi esse mesmo, mas na primeira oportunidade eu irei escutar outros.

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