Super 8

Cinema segunda-feira, 22 de agosto de 2011

 No verão de 1979, um grupo de seis jovens estão usando uma câmera Super 8 para fazer seu próprio filme de zumbis. Numa fatídica noite, o projeto os leva para um solitário trecho de trilhos rurais, onde um caminhão colide com uma locomotiva em sentido contrário e um descarrilamento enche a noite com uma chuva de fogo. Então, alguma coisa emerge dos escombros, algo decididamente não-humano.

Lá ia eu, todo pimpão, pronto pra desperdiçar uns trocados pra desfrutar do filme do Lanterna Verde no cinema, quando descubro que só havia sessões em 3D pra essa grande obra cinematográfica. Logo, por razões exclusivamente financeiras ideológicas eu me decidi pelo Super 8, única coisa passando no recinto que parecia minimamente decente. E como o filme é legal e eu tou de bom humor, aí vai uma resenha do troço procês.

Lembram daqueles tempos distantes, onde o Steven Spielberg ainda não tinha entrado na lista dos maiores filhos da puta de Hollywood (Ao lado do James Cameron e do George Lucas) por estuprar o Indiana Jones com a heresia do Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal? Ou ainda antes, quando clássicos como Tubarão, Contatos Imediatos de Terceiro Grau e ET ajudaram a definir a cara de Hollywood nas próximas décadas? Então, o Super 8 é uma homenagem ao Spielberg dessa época. E ao contrario de alguns exemplares desse mini revival dos anos 80 dos últimos tempos *cof cof* Mercenários *cof cof*, ele se sai muito bem nessa tarefa.

O filme começa com o funeral da mãe do garoto Joe Lamb (Joel Courtney), que morreu em um acidente de trabalho numa industria local. Ali, já somos apresentados a maioria dos personagens principais. O próprio Joe (Óbvio), os amigos com quem ele está trabalhando num filme de zumbis, seu pai Jackson (Kyle Chandler), e o vizinho Louis Dainard, com quem o pai não tem uma relação muito amigável, por motivos ainda desconhecidos. Passadas as cenas de introdução, Joe, os amigos Charles, Cary, Martin, Preston e a garota Alice Dainard (Elle Fanning) presenciam um acidente de trem enquanto filmam uma cena de seu filme. De cara eles percebem que não é um apenas um simples acidente, sentimento reforçado pela presença um tanto suspeita de um professor no local. E pelas coisas e pessoas que começam a sumir da cidade, enquanto o exército adentra em massa na região.

Se tem uma coisa que me incomoda nos filmes (E na ficção em geral), são crianças e pré-adolescentes retratados como adultos em miniatura. E no início dá a impressão que é exatamente esse caminho que o Super 8 vai tomar, mas felizmente não é o que acontece. Conforme a história vai avançando, a humanidade dos protagonistas (E a qualidade dos atores mirins) vai sendo revelada. Tanto nas cenas mais dramáticas quanto nas mais engraçadas, eles se comportam de forma coerente com a idade e a situação. Com destaque pro diretor acima do peso e mandão Charles e o piromaníaco e zumbi nas horas vagas Cary. E Joe e Alice, claro, que conseguem com que seu romance não se torne algo chato pra caralho.

Mérito também pro diretor J.J. Abrams. Todos os personagens são bem desenvolvidos, na medida do possível. As relações entre eles sempre são interligadas de alguma forma e ainda tem importância na trama principal. Do relacionamento de Joe e Alice e seus respectivos pais até a irmã de Charles e o cara da loja de revelação de filmes drogado, inicialmente apenas alívios cômicos. Mas isso tudo só funciona porque o suspense é muito bem dosado. Assim como as particularidades dos protagonistas, a tal criatura do trem é revelada aos poucos, bem ao estilo Cloverfield.

Além disso, o filme consegue ser bem grandioso em alguns momentos. O acidente de trem e a ofensiva do exercito na cidade são sensacionais. Claro, não poderiam deixar de ser em algo com a produção do Spielberg. A única coisa que deixa a desejar é o final. Sim, o maior mérito do filme é a presença de uma certa inocência, que remete a época do Spielberg de várzea, do Spielberg moleque. Quando o diretor produziu seus blockbusters mais autorais, se é que isso é possível, revolucionando o gênero. Tipo o Christopher Nolan com A Origem, medidas as proporções. Enfim, remete a essa época em que ele nutria uma paixão maior pelo cinema, que nem os protagonistas demonstram enquanto fazem seu próprio filme, ou o que eu tenho certeza que muitos sentiram quando viram seus filmes pela primeira vez lá nos anos 80 (Ou mais tarde em VHS, que nem eu).

Tendo isso em mente, a resolução final do filme se encaixa perfeitamente. Mas as últimas cenas são tomadas por um sentimentalismo exagerado DEMAIS que mesmo assim vão fazer muitas menininhas chorarem. Durante todo o filme, o J.J. Abrams consegue balancear o drama, o suspense, o humor, criando uma história inocente e madura, original e nostálgica. Mas no fim ele simplesmente força a barra. Sei lá, talvez fosse a hora de alguma ousadia, romper com a homenagem, construir uma ponte entre o cinema Abramsiano e o referenciado pelo filme. Ou talvez só acabar o troço alguns minutos antes.

Mas mesmo com um escorregão aqui ou ali, ainda vale a pena. E o sensacional The Case, filme zumbi-noir em super 8 que os garotos produzem, passa durante os créditos finais. Olha só, você ainda assiste dois filmes pelo preço de um!

Super 8

Super 8 (112 minutos – Ficção científica)
Lançamento: EUA, 2011
Direção: J.J. Abrams
Roteiro: J.J. Abrams
Elenco:Joel Courtney, Riley Griffiths, Elle Fanning, Ryan Lee

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Antes de comentar, tenha em mente que...

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  • Quando fui ao cinema tinha ainda Lanterna Verde, que azar.

  • Só queria dizer que o The Case, filme que passa durante os créditos, é muito melhor que todo o resto do filme.

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