Sobre a importância de jogar corretamente

Nerd-O-Matic quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009

Vocês jogam pouco.

Quem acompanha essa coluna há algum tempo já me viu escrevendo esta frase por diversas vezes: vocês jogam pouco, vocês deviam jogar mais.

 Tipo isso.

Por trás dessa minha singela frase não existe apenas um nerd hardcore, como muitos de vocês certamente pensam; alguém que passa todos os seus momentos livres jogando e procurando terminar o maior número possível de jogos, vasculhando cada canto do cenário por segredos, decorando comandos e xingando adversários online. Aliás, é impressionante quantos de vocês se dignam a escrever para o meu e-mail me pedindo dicas de jogos ou de hardware. “Ain, comofas pra estalar o jogo X nu DS?//” Eu lá tenho cara de F.A.Q., seus FDPs? Cês acham que eu não faço mais nada da vida além de jogar? E mesmo que eu não fizesse, por que CARALHOS eu gastaria meu tempo ajudando noobs a passar de fase ou a instalar hacks no PSP? Vocês se valorizam demais. E jogam de menos.

O problema na verdade não é quanto vocês jogam e sim com que qualidade vocês fazem isso. Eu nunca quis dizer que vocês deviam jogar mais e VIVER MENOS. Eu falo isso como uma filosofia de vida mesmo; vocês lembram da coluna da semana passada, onde relacionei jogos com mulheres? A idéia é a mesma agora: o que eu quero dizer é que vocês jogam pouco e se divertem pouco, seus motherfuckers.

A importância do vídeo-game não está apenas no escapismo da vida real, ou na sensação de completar alguma coisa ao se terminar um jogo. O valor intrínseco do vídeo-game reside na capacidade de DIVERSÃO que ele pode gerar. Eu tenho isso como uma regra muito simples: se o jogo deixou de ser divertido, eu largo. Foda-se que eu não terminei, foda-se que ele pode melhorar perto do final, foda-se que ele ganhou nota 10 na IGN, foda-se que ele foi feito pela Square, pela Nintendo, pela Capcom ou o caralho. Jogos precisam ser divertidos, ponto. Se você continua jogando algo que não está te divertindo, você é doente. Sério. Acredite em mim.

Porque, vejam bem, existe muita gente que JOGA PRA CACETE, mas não está se divertindo. Quer um exemplo? World of Warcraft. WoW deve ser simplesmente o maior gerador de doenças mentais em jogadores que até então eram saudáveis. Já vi muitos amigos falando que NÃO CONSEGUEM parar de jogar WoW. Outros jogam porque estão pagando. Outros jogam porque não dá pra parar agora que o personagem já evoluiu tanto. Outros jogam para poder vender o personagem e os itens depois. Ganhar uma grana vendendo pixels, “ganhar a vida” jogando WoW.

Vocês entendem como a linha entre jogar WoW e TRABALHAR NUMA FUCKING EMPRESA é tênue? E me digam QUEM se diverte trabalhando em empresa? A partir do momento que WoW vira um trabalho, uma obrigação, COMO você pode continuar se divertindo? E o que você faz pra se divertir daí quando não está jogando? Começa a trabalhar? Enfia farpas no olho? Toca fogo nos pentelhos do cu?

Vocês são doentes.

É uma tendência antiga essa de jogar sem se divertir. Desde a época do Enduro, ainda no Atari, eu lembro de amigos que simplesmente não conseguiam largar aquela bosta enquanto não passassem de todas as fases. Eu achava aquilo absurdamente entendiante depois que eu estava na fase da neve pela segunda vez, e NUNCA terminei Enduro. Eu nunca joguei River Raid por mais de meia hora também. Aliás, nunca fui um grande jogador de Atari, porque achava absolutamente todos os jogos repetitivos e enfadonhos. Era impossível jogar alguma coisa naquele console sem que o jogo entrasse num loop após aproximadamente 10 minutos. ME DIGAM um jogo de Atari que seja variado do início ao fim. Tédio. Minha mãe jogava mais Atari do que eu. Sério.

 Foto: Diversão

As coisas só começaram a ficar interessantes no Nintendo 8 bits mesmo. Pelo menos agora tinha uma história, pelo menos Ninja Gaiden e Tartarugas Ninjas tinham fases diferentes até o final do jogo. Aquilo prendia minha atenção, eu queria ver a próxima fase e fazer a história avançar. Agora sim. Agora eu me divirto jogando.

Daí pra frente eu realmente começei a minha formação como hardcore gamer, como o cara que quer jogar pra cacete um jogo bom, que quer ver o maior número possível de jogos e de consoles, que quer entender como a indústria gamística funciona, como um jogo pode ser apenas um punhado de pixels e sons, mas ao mesmo tempo pode mudar sua vida. Eu me considero um hardcore gamer, mas não porque eu jogue 18 horas por dia. Isso pra mim é noob gamer que não possui outras fontes de prazer. Noob na vida, noob nos jogos.

Eu jogo de forma consistente, prestando atenção nos jogos, tentando entender a intenção do desenvolvedor, o que ele havia planejado pra você em uma tal fase. Eu presto atenção nas músicas e nos efeitos sonoros, porque eu acho que eles complementam sua experiência de jogo. Eu não pulo cenas, eu não pulo vídeos, porque eu quero ver pelo menos UMA VEZ o que o enredo tem a ver com o que acontece enquanto eu jogo. Eu aprendi inglês só pra poder jogar Final Fantasy IV no Super Nintendo, porra. Isso é envolvimento genuíno com vídeo-games, e não ficar grudado de forma alienada num joystick, terminando pela décima oitava vez um jogo que você já decorou. Get a life, bitch.

Concentrar seu tempo em jogos bons e se dedicar inteiramente e com todos os sentidos enquanto joga. Isso pra mim é jogar corretamente. Ter uma vida decente e bons relacionamentos com outras pessoas, gamers e não gamers, isso é jogar corretamente. Comer sua picanha, tomar sua cerveja e mandar ver na sua mulher, isso é ser um bom jogador. A Bel diz ficar impressionada com esse lance aí que eu faço, de estabelecer relações esdrúxulas entre temas que normalmente não têm a ver com jogos:

Bom, isso só acontece porque eu tiro experiências de outras coisas na vida, além de games. Se você não tem uma vida fora dos jogos, fica meio dificil estabelecer relações mulherísticas que não sejam entre os peitos da Lara Croft e os peitos da Dark Elf de WoW.

 Mas eu concordo com as personagens se beijando

Vocês jogam pouco. E ainda por cima jogam errado. Aprendam a jogar corretamente.

E não adianta me mandar mail perguntando comofas.

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  • Realmente eu to jogando pouco. O DC tá parado a meses praticamente, o tempo tá todo dividido entre trampo, estudo e esposa, não necessariamente nessa ordem.

    Sobre esse lance de jogar por obrigação eu concordo. Eu até tento jogar alguma coisa por desaforo, tipo Head Hunter que todo seguista idolatra e eu achei um porre. Eu até coloco eles as vezes, mas não dá pra jogar por muito tempo, não tem graça. Quando eu vejo eu to jogando alguma pancadaria em 2D da vida pela enésima vez, e pela enésima vez reclamando daquele cara apelão e me divertindo pra caramba derrotando ele.

    OBS.: MMORPG (é isso?) sempre são um tédio, vazios e sem objetivo. Já tentei, não dá.

  • Renan

    Jogar muito ou jogar bem?

    Não jogo muito. Apesas de que, segundo meu irmão, é uma experiência única me ver jogando MSG3.

    Pelo que ele me disse, eu fico murmurando enquanto miro, camuflo e vasculho mapas. Grito e xingo o guarda filhodaputa que me dedura para o sistema de segurança. E urro RÉDCHÓTMODAFOCA quando derrubo alguém no tiro.

    O mano também disse que chutei ele quando o guri resolveu passar na frente da televisão. E eu não lembro disso.

  • Andre

    o problema é que os jogos tao se adaptando aos gamers que nao sabem jogar e é realmente trabalhoso encontrar algum jogo que preste e que seja divertido por isso que quando eu encontro tento aproveitar ao maximo.

  • dervecna

    Senti um cheiro de indireta neste lance dos E-MAILS? XD

  • Juca

    O que é comofas?

  • bel

    “Eu tenho isso como uma regra muito simples: se o jogo deixou de ser divertido, eu largo”. Eu também faço isso, mas tem vezes que não dá. Tipo Resident Evil 4, tem uma parte que eu estou presa numa gaiolinha motherfucker do tamanho de um copo de requeijão e tenho que matar um monstro horroroso com garras enormes e uma máscara tipo Hannibal na cara. Na primeira vez que ele me matou eu MICAGUEI e não queria mais jogar de jeito nenhum. Bichinha e tal, mas eu tenho medo DE VERDADE de zumbis. Só que minha deliciosa irmã me proibiu de parar de jogar porque ELA queria ver o fim da história, e aí fui obrigada a ficar jogando toda micagando, juro que devo ter fumado um maço de cigarro inteiro só pra matar esse cara, de tanto cagaço que eu tava. Enfim, foi até bom porque venci meu medo de zumbis e… mentira, ainda temo o dia em que eles se levantarem da terra.

    Então, esqueci do que tava falando, mas curti o texto E minha participação especial nele.

  • Olaf!!

    E a maldição é o mercado se adaptar aos féladaputas que não jogam que nem piratas!
    Se foder geral… Se os games continuarem ficando assim vou parar de comprar jogos…

    Ps. Já me diverti jogando Pitfal (não lembro se é esse o nome e não me importo o suficiente com quem lê pra pesquisar no google)
    Falou!

  • atillah

    @ dervecna

    Nem foi indireta cara, é muito nego pra eu ficar fazendo indiretas específicas pra alguém.

    @ Renan

    Chutar quem passa na frente da tv é de praxe. E quando FDP tropeça no fio do controle? Dá vontade de matar. Ainda bem que isso acabou na nova geração.

    @ bel

    “mimimi zumbis medo”. Larga mão de ser bicha e joga que nem homem.

  • Vane

    Na última noite de videogame que fizemos entre amigos, o pessoal se revezava pra jogar Mario Smash Bros no Wii e Enduro ou River Raid no Atari que eu levei. E foi bem divertido ver que eles tentavam mexer o controle do Atari pros lados pra ver se o carrinho desviava dos outros, xD. Não conseguiam desligar o cérebro…ou reiniciar, sei lá.

    Eu fui viciada em WOW, mas larguei disso. Agora eu jogo Spore. Jogava, me enjoei momentaneamente, mas sei que logo volto, já q esse semestre eu vou fazer só duas cadeiras na faculdade.

  • Neko

    Lembro-me da época em que eu me forçei a aprender inglês unicamente pra entender direito o enredo de Final Fantasy VII, e os demais jogos que eu jogava na época. (Valkyrie Profile, definitivamente é um deles.)

    Inclusive temos outro costume em comum, o de não pular cut scenes pra entender o jogo.

    Mas confesso que ando jogando pouco também.

  • Leslan Livonor

    Ae manos tudo belê? Tu é memo um veterano de Gerra! Senti firmeza na palavra brow.

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