Redescobrindo Arquivo X

Televisão sexta-feira, 24 de maio de 2013

Me lembro que um punhado de séries formaram a minha infância e pré-adolescência. Eu as assistia em um extinto canal de televisão que acidentalmente exibia apenas séries antigas, de programas como Star Trek e A Feiticeira, passando por As Panteras e Magnum, indo até séries mais recentes. Dentre as mais novas, dos anos 80 e 90, estava Arquivo X. Sinceramente, na época eu mal fazia idéia de que anos essas séries eram, o que elas queriam dizer ou mais a enxurrada de informação sobre tudo delas que nós podemos ver hoje na internet. Porra, nem computador eu tinha dez anos atrás. Bem, mas agora chegou a hora de me reencontrar com esse sucesso da minha juventude. Pra ver como isso está indo até agora, vem comigo.

Acho que é um fato conhecido que Arquivo X já se tornou cult. Quem cresceu nos anos 90 tem uma boa chance de uma vez ou outra ter se deparado com os agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully, lidando com coisas improváveis, bizarras, esquisitas, alienígenas, etc. Eles foram os pais de todo o papo moderno sobre o governo esconder coisas, sobre paranóia e ao mesmo tempo influenciaram séries sobre paranormalidade e fenômenos inexplicáveis. Não é muito longe da verdade dizer que quem assiste Supernatural hoje, por exemplo, também está vendo um pouco de Arquivo X. E, bem, eu não sei direito como está a imagem da série hoje pra sociedade jovem e antenada que lê o Bacon, mas é bem provável que tendo começado em 1993 e terminado em 2002, mesmo sendo uma parte importante da cultura popular, esteja meio esquecida. Bom, não condeno ninguém por esquecer de Arquivo X, já que eu mesmo tinha esquecido por anos, até recentemente arranjar todas as nove temporadas pra assistir. Já terminei a primeira e achei que este texto, além de fazer um pouco de propaganda pra algo tão legal, também podia servir pra compartilhar alguns dos meus pensamentos. Não sei se faz sentido pra vocês, mas parece que quando a gente assiste algo quando moleque e depois quando envelhecemos, começamos a perceber certos detalhes, a fazer perguntas e respondê-las também.

Por exemplo, antes não fazia diferença, mas uma das coisas que me ocorreram agora foi: Como pode existir uma divisão do FBI dedicada a investigar coisas que o governo esconde ou esconderia, comandada por um sujeito paranóico e que está freqüentemente desafiando os limites do que pode ser conhecido? Pelo amor de Odin, por que o Mulder ainda está vivo? E a resposta pra isso veio logo na primeira temporada: Primeiro, Mulder “tem amigos no Capitólio”, ou seja, ele continua vivo por influência dos seus contatos. Pelo menos em parte. O mais plausível é que o FBI, por menos que goste disso, precisa dele. O contato secreto e misterioso do Mulder na primeira temporada diz, em certo ponto, que é melhor que o que o agente descobre caia nas mãos do próprio governo do que em algum outro lugar. Aliás, fica bem estabelecido desde o primeiro episódio da série que a agente Scully, uma médica cética e que sempre está do lado da ciência, ter sido apontada para ser a segunda pessoa nos Arquivos X é uma maneira de controlar Mulder, que quase sempre saía da linha; aliás, através dessa temporada inicial, vemos que o FBI tem poder pra acabar com o trabalho dele a qualquer momento. Mas algo os segura, justamente essa mistura de interesses e contatos. Eventualmente, logo no início da segunda temporada, o misterioso homem fumante diz claramente que matando Mulder, correm o risco de “transformar a cruzada de um homem só em religião”. É pra se pensar.

Um detalhe interessante: Apesar de Arquivo X ser basicamente sobre bizarrices, ainda é uma série mais pé-no-chão do que o padrão atual. Mulder e Scully são agentes do FBI, e a série toda trabalha naquela velha história de que “existem mais coisas entre o céu e a terra do supõe nossa vã filosofia”. É o paraíso dos teoristas de conspirações e curiosos em geral. É a interação entre o mundo real, suas instituções e pessoas, com o mistério, o desconhecido. É como se todas as histórias sobre homens de preto, UFOs e espíritos fossem realidade, apenas esperando para serem descobertas. Dessa maneira, brinca com os nossos medos e incertezas. A já citada Supernatural, por exemplo, tem uma certa distância do real. É especificamente a vida dos dois protagonistas tentando salvar o mundo enqüanto as outras pessoas parecem alheias a tudo. A onda agora é muito mais fantasiosa, menos cerebral.

Antes de terminar, mais um comentário: Fox Mulder e Dana Scully são, claro, grande parte do sucesso da série. Não só pela sempre presente tensão sexual entre os dois, mas por que eles nos representam. Ela é a cética, e ele, sempre quer acreditar. Eles refletem o espectador. Afinal, no final, tudo se resume a esses dois pólos: Acreditar ou não.

Enfim, essas são algumas impressões depois de rever a primeira temporada de Arquivo X. Vocês terão mais notícias em breve. Enquanto isso, lembrem-se:

A verdade está lá fora.

Vida longa e próspera.

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  • Franklin Pereira

    O seriado é muito bom, creio ter sido o melhor de sua época. Eu que pela minha idade só consegui acompanhar alguns epis da 5-6° temporada pela televisão, me viciei pela série enquanto começava a desenvolver paranoias, com questões como “A verdade está lá fora”, me fazendo passar horas à noite olhando o céu na expectativa de conseguir ver algum ovni.
    Essa parte tem spoiler…
    E a parte mais foda do trabalho do Chris Carter foi o seu bom aproveitamento da “realidade”, como o caso de tunguska, sobre lapso de tempo, ou a morte do Kennedy pelo canceroso (o misterioso homem fumante)

  • Júlio Raphael

    “E a parte mais foda do trabalho do Chris Carter foi o seu bom aproveitamento da “realidade”, como o caso de tunguska, sobre lapso de tempo, ou a morte do Kennedy pelo canceroso (o misterioso homem fumante)”

    Verdade cara, e esses são apenas alguns exemplos, a série faz isso várias vezes e algumas a gente mal percebe, mas são lendas e histórias do “mundo real”.

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