Random Access Memories (Daft Punk)

Música terça-feira, 14 de Maio de 2013

O novo álbum do Daft Punk é sem dúvida o melhor álbum do ano. O hype em torno de “Memórias de Acesso Aleatório” [Nota do editor: Tradução de Random Access Memories, caso você não tenha sacado], ou simplesmente RAM, é gigantesco e agora que o disco vazou na internet está disponível no iTunes, eu finalmente pude ouví-lo e preparar esse maravilhoso faixa a faixa, cortando essa onda de rumores, especulações e fofocas. Preparem-se, essa crítica faixa-a-faixa está em profundidade e somente depois de ler tudo isso vocês saberão tudo o que precisam saber sobre o mais recente disco dos robôs franceses.

Random Access Memories – Faixa a faixa

1. Give Life Back To Music

Uma grande música, a mais perfeita introdução possível. Impressionante, essa já virou um clássico. Um descontraído revival do som que se fazia nos anos 70, que o Daft Punk finalmente assumiu sua quedinha, e que resume basicamente o som deste novo disco. Essa música passa um vibração única, alegre e contagiante, que te faz se sentir no volante de um conversível acelerando uma estrada aberta sob um vasto céu azul de um belo dia de verão californiano dos anos 70. Ao ouvir pela primeira vez, não pude deixar de dar ouvidos ao otimismo da letra, que apenas diz: “Deixe a música de sua vida dar a vida de volta à música“. Apenas uma palavra: Fuderosa! Os djs robô voltaram com tudo e estão realmente dispostos a ressuscitar os riffs de guitarra de Nile Rogers.

2. The Game Of Love

Confesso que meu coração afundou um pouco quando ouvi outro pop vocal cheio de vocoder nesta música. Sério? Mais já? Eles tão meio fracos de idéias? Mas logo em seguida eu percebi que na verdade eu que sou um idiota. O que mais eu estava esperando de um disco do Daft Punk? E logo em seguida eu vi que essa música passa a ser a que tem o melhor vocal vocoder que eu já ouvi. A faixa começa como um funk desprezível, com uma sensação que lembra de Bobby Womack em Across 110th Street, só que muito mais lento. Em seguida, o vocal começa: “Você estava quebrando meu coração, quando você decidiu ir embora“. É brega, triste, emotivo, sutil e tem tantos detalhes, que realmente conseguiu me comover. The Game Of Love é uma tapa na cara com um ritmo lento das melhores músicas dos anos 80 e uma vibe distintamente sedutora. “E eu só queria te dizer“, com um refrão como esse, tudo nessa música parece ter sido colocado com esse objetivo. Bem que poderia ser o pano de fundo para um pôr do sol ao melhor estilo Miami Vice, com aquele velho clichê de alguém cheio de sussurros meigos, dizendo “Eu só queria ficar” no final de uma bela noitada das antigas, daquelas que fazem você não querer que eles parem com a música, daquelas que te fazem sentir saudades da pista na manhã seguinte, deitado em sua cama. “E era você, aquele que estará quebrando meu coração, quando você decidiu ir embora. Eu só queria que você ficasse”. Eu não estou chorando, é só o meu olho que deve estar suando. Se você está chorando, você realmente sentiu alguma coisa!

3. Giorgio By Moroder

A lenda do synth narra o início desta faixa, contando os contos de começar a querer ser músico na Alemanha, dormindo em seu carro depois de shows e como ele “decidiu sobre o uso de um sintetizador porque esse é o som do futuro“. Em seguida, ele explica como ele “sabia que precisava de um clique” e um metrônomo começa devidamente uma linha de percussão básica. Em seguida, uma perfeita linha de sintetizadores ao melhor estilo Moroder clássico entra em ação e é de dar arrepios mesmo. A estrutura dos acordes e o timbre que essa linha synth conseguiu ter realmente me lembrou muitas coisas boas, como Cerrone em Supernature. Um dos destaques do álbum até agora, especialmente para os mais puristas e os fãs de música eletrônica mais cabeças, daqueles que sabem realmente o que é bom.

4. Within

Embora esta balada arrebatadora seja muito curta, a música acalma desde o início. “Tantas coisas que eu não entendo“, é o que diz a letra proeminente e os acordes fazem uma bela canção de ninar. Os 3 minutos e 48 segundos conseguem ser os mais comoventes do disco, e eu ainda consigo ouvi-la em minha cabeça até agora. Pequena, mas uma das músicas mais bem feitas do disco. Acaba na hora certa.

5. Instant Crush

Esta é a parte em que o banco de memória dos nossos heróis robôs arrota os restos dos indies anos 80. A ressaca das guitarras de Nova Iorque protagonizada pelo Julian Casablancas dos Strokes. Ele está em boa forma, cantando como nunca, com certeza melhor que quase todo o disco novo dos Strokes. Mas para o Daft Punk, essa faixa saiu a mais fraca. Parece mais uma trilha sonora de comercial. Achei meio difícil de entender as letras, tudo isso faz parte da sensação super retrô, parece uma mistura de vocal seco, vocoder e autotune. Um clássico dos anos 80, guitarras solo como rochas marcando a melodia da música, uma harmonização de guitarra que poderia ter sido usado pelo Thin Lizzy por volta de 1976, mas é uma queda no nivel do disco. Eu adorei a trilha feito pelo Daft Punk para o filme Tron, mas não estou mais nessa vibe de obsessão com os anos 80.

6. Lose Yourself to Dance

Assim como Get Lucky [Nota do editor: Oitava música do álbum. Nego se perde em devaneios.], Pharrel canta apoiado por alguns robôs vocoder, desta vez cantando “Vamos lá, vamos lá“. Pelo menos estamos de volta ao território Daft Punk que o disco vinha nos familiarizando até aqui. A batida pesada que soa um pouco como a introdução de Dizzee Rascal em Fix Up, Look Sharp, onde ele mostra o lado mais roqueiro anos 80 de Billy Squier. Os falsetes do Pharrell parecem implorar pra que todo mundo “Se perca a dançar“. Este foi o momento mais agitado do disco, que chegou mais perto das músicas antigas até agora. Por causa disso, deve ser a favorita das pistas.

7. Touch

Esta é uma viagem surreal pelos canais de desenho animado, ao som de uma banda de swing em um navio de cruzeiro pelo Caribe, com coros gospel, muita psicodelia e um refrão ao melhor estilo Beatles que diz: “Se o amor é a resposta, aguente“. É quase como uma mistura de Bohemiam Rhapsody com Dark Side Of The Moon do Daft Punk. Praticamente uma produção da Broadway condensada em cinco atos que vão desde os confins do espaço através de uma viagem de ácido, recheada de efeitos sonoros sci-fi.

8. Get Lucky

Essa é a faixa que o Daft soltou antes do lançamento (Foi inclusive veiculada em comerciais de TV), e por isso tem tudo pra ser a mais bombada do disco. “Nós temos a noite toda para ter sorte“, esse refrão será cantado em festivais, raves e afterparties em todo o mundo. Aposto que vira o hino que vai trazer uma nova geração de fãs e pode levar a música eletrônica pra outro caminho.

CURIOSIDADE:

Mexendo no pitch (Ou altura/tom da música), surpreendentemente descobrimos a voz do Michael Jackson dentro da música!! É simplesmente incrível a semelhança que a voz do Pharrell passa a ter depois dessa mudança sutil…

Coincidência ou genialidade??

9. Beyond

Os sons de introdução, como num filme da Disney começando, mostram letras que são sobre o mundo existencial além de oceanos e montanhas, uma terra além do amor. O vocoder que é mostrado em todo o álbum aparece novamente, mas desta vez vai de encontro a uma cascata de sintetizadores que parecem gritar funk. Esqueça o que você acha que é funk, funk de verdade é isso.

10. Motherboard

Um climão anos 70 surge na pista nessa música completamente intrincada, com uma percussão e um violão construídos sobre uma bassline que combina muito bem e faz a música rolar de uma forma única. Mas este é apenas o ponto de partida. Mais Tron, só que com uma bateria ao melhor estilo Paul Simon em 50 Ways to Leave Your Lover. Em seguida, uma tempestade se abre e tudo soa como se estivesse chovendo em Blade Runner. Um super-sci-fi e vemos Vangelis voltar a ativa como se o tempo nunca tivesse passado. Curiosamente, os solos do baterista não cansam nem um pouco, é quase como se ao mesmo tempo, dentro de tudo isso, estivéssemos ouvindo um jazz puro sangue, quase um cool jazz. Mal posso esperar para ouvir essa novamente. Especialmente na chuva. “Eu vi coisas que vocês homens nunca acreditariam. Naves de guerra em chamas na constelação de Orion. Vi raios-C resplandecentes no escuro perto do Portal de Tannhaüser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer.

11. Fragments of Time

Todd Edwards é mais conhecido como o rei do “copia e cola” da edição. Se você nunca ouviu falar nele, vai saber a partir dessa música que o cara já fez inúmeros clássicos do house e é um grande colaborador do Daft Punk. Mas nessa faixa não há nenhuma magia dos seus remixes, aqui é só ele cantando sobre cowboys com algumas guitarras aqui e ali. Seus vocais são sobre o tempo que ele passou com o Daft Punk, criando essa faixa em si. Ele talvez tenha se doado muito ao cantar aqui que “o nosso único plano é improvisar“, mas o que se pode explicar sobre o porque essa faixa cai em comparação com o resto do álbum, bem eu não sei. Desculpe Todd, mas isso poderia ter funcionado melhor se não fosse um country-pop tão monótono. Aqueles que esperavam algo sensacional ficarão muito decepcionados. Já quem tem uma mente mais aberta pra música também vai se decepcionar. A pior do disco com certeza.

12. Doin’ It Right

O Urso Panda traz o toque mais moderno pra a festa que é esse disco, reunindo uma batida a meio tempo, quase um dub. O vocal robótico soa estrondoso e anuncia que “Todo mundo vai estar dançando“, prevenindo todos os ouvintes e impulsionando as prováveis pistas enquanto Panda Bear fornece alguns vocais açucarados. Sintetizadores iluminam e arejam a música, essa faixa tem uma fantástica balada, dançante e ao mesmo tempo discreta.

13. Contact

A última música do disco tinha que ser épica, então pode ter certeza que essa é. A impressão que eu tive é que isso foi possivelmente construído pra uma experiência com os melhores fones de ouvido possíveis ou um curta-metragem IMAX. A introdução, com um astronauta descrevendo algo visto do espaço é surpreendente: “Definitivamente não é uma partícula nas proximidades, sua rotação saída na distância – há algo lá fora“. Bem, isso é grande, ouso dizer. Pitadas de Justice, órgãos e um tom que lembra as obras de Kavinsky, só que muito mais envolventes e cheias de solos enormes de bateria, um pouco de Aerodynamic, com guitarras elétricas e uma construção enorme em crescendo, daquelas que faz você sentir como se seu rosto estivesse entrando na velocidade da luz. Emocionante na medida certa, um final apropriado para um álbum emocionante que vai te fazer querer ouvir tudo de novo. Genial.

Random Access Memories (Daft Punk)


Lançamento: 2013
Gênero musical: Eletro/Disco
Faixas:
1. Give Life Back to Music
2. The Game of Love
3. Giorgio by Moroder
4. Within
5. Instant Crush (Featuring Julian Casablancas)
6. Lose Yourself to Dance (Featuring Pharrell Williams)
7. Touch” (Featuring Paul Williams)
8. Get Lucky (Featuring Nile Rodgers & Pharrell Williams)
9. Beyond
10. Motherboard
11. Fragments of Time (Featuring Todd Edwards)
12. Doin’ It Right (Featuring Panda Bear)
13. Contact (Featuring DJ Falcon)

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  • Pedro

    Ficou foda a análise, o álbum realmente está top. Na espera pelo possível verdadeiro melhor álbum do ano …like clockwork heheh.

  • Rapaz, cê viu as músicas que já foram divulgadas? PQP MEU CORAÇÃO

  • Pedro

    Não tem uma preview pior que a outra. I Appear Missing e Kalopsia já escuto todo dia, imagina quando sair elas inteiras.

  • Tá perdendo Keep Your Eyes Peeled:
    http://www.likeclockwork.tv/

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