R.I.P. AMY

Música domingo, 24 de julho de 2011

Pois é. Não faz nem um mês que eu escrevi aqui sobre o fiasco da Amy na Sérvia, que era mais um entre tantos. A diferença, é que este era um dos últimos. Se não o último em público.

MORRE AMY WINEHOUSE, AOS 27 ANOS.

 Amy

Em capslock, porque dessa vez, ao contrário de tantas, não é pegadinha de Twitter. O mundo hoje tá parando com a notícia da morte da cantora, que foi encontrada em seu apartamento em Londres. Aí tu pensa: A mulher é talentosa, milionária, linda (Eu acho, ok?), com uma qualidade musical indiscutível, e tu sente pena dela. Ou do que restou dela, que são só as histórias e as lembranças turvas e conturbadas de uma mulher que viveu a base de pó.

Amy viveu num mundo só dela, que ela criava no meio de suas bad trips com suas drogas infindáveis. Sozinha, mesmo com mil pessoas a sua volta tentando levar ela pra um rehab, e ela dizendo “no, no, no”. Ela criou seu mundo, seu palco, sua história solitária, em seu mundo nebuloso, sem muita luz no fim do túnel.

Com um corpo todo marcado – por tatuagens e hematomas -, Amy expôs sua vida e foi cruelmente massacrada. É verdade: Ela foi conhecida e glamourizada por ser essa figura drogada mesmo. Mas aí que tá o problema: Desde quando tem glamour em estar drogado o tempo todo? Amy não é um exemplo a ser seguido. É um exemplo a ser evitado. Cada tombo, cada escândalo, era um grito por socorro. Mas ela tinha essa imagem suja, de bad girl, e por que iriam mudar isso, e arriscar acabar com a fama da cantora?

O fim já era certo. Sem falso puritanismo, mas tu acha mesmo que dá pra viver bem, e bastante, se drogando do segundo que acorda até a hora que vai dormir? Há quem diga que lançaram cantoras “bizarras” pra substituir a Amy, já que o fim era inevitável. Até os próprios médicos disseram: Se ela não parasse de se drogar, perderia a voz, ou a vida. Infelizmente, a alternativa correta foi a segunda. E daí vem a mãe da Amy e diz que não se surpreenderia se ela morresse cedo, e inclusive perguntou em que cemitério ela iria querer ser enterrada. Ou seja: Todos sabiam. Mas o glamour em torno de ter esse drugs life style não fala mais alto: Grita.

Ouvi dizer que a morte dela não foi tão badalada quanto a de Michael Jackson, porque ela não era uma lenda da música, mas “um talento”. Como se isso fizesse dela mais ou menos humana do que ele. Ela era sim um “talento”. Não era a rainha do pop, do blues, do jazz ou de qualquer outro estilo. Mas era alguém que, sozinha, já não conseguia mais lidar com ela mesma. E aquilo que ela tentava acabar e se livrar acabou com ela. Tratam a morte dela como algo óbvio. Ok, a gente sabe que afundar nas drogas é realmente algo difícil de reverter. Mas não acho que seja óbvio não, como se fosse uma forma de se conformar. A geração de agora se conforma fácil. Acho engraçado que, ao mesmo tempo em que se conforma, reivindica por tudo. Mas na hora de uma morte dessas, dizem “ah, eu já sabia”. E fica por isso mesmo?

Depois que morre, a maioria tende a virar santo mesmo. Não, de santa a Amy não tinha nada. Mas de um freak show, também não. O sensacionalismo usou e abusou de sua imagem e fez ela virar essa aspirante a aberração.

É uma pena, uma perda imensa mesmo. A gente viu ela ascender e decair. A platéia estava toda ali, assistindo tudo de camarote. Do jeito que a história andou, a gente já podia mesmo prever o fim. Pra poder reverter a situação, o tratamento tinha que ter sido outro, mas não foi. Virou o tipo de “acontecimento” – sim, porque, se duvidar, a morte dela vai virar um evento no Facebook, né – que a gente sabia que ia acontecer. A história que já vem programada com um fim. A gente só não sabe quando. É, agora a gente sabe. Rest in peace, Amy. Sozinha, no seu universo, com o mundo como platéia.

Os bons morrem jovens, né? Boa ou má, Amy era Amy, e só.

“I told ya I was trouble. You know that I’m no good.” – Amy Winehouse (14/09/83 – 23/07/11).

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  • De

    Não adianta nada você ter pena e querer mudar.

    A pessoa, por mais que esteja se suicidando aos poucos, não irá deixar de lutar com unhas e dentes para fazer o que deseja, para ter controle sobre o próprio corpo. E lutar contra isso (por exemplo, forçando uma rehab) não só é algo autoritário, como gera mágoas e destruição dos laços.

    A vida era dela, e ela sabia que seu suicídio e sua tragicomédia estavam sendo escritas por ela mesma. De fato, talvez até achasse cômico e divertido fazê-lo. Não cabe a nós deperdiçarmos nossos esforços com alguém que pede socorro silenciosamente (o que não deixa de ser uma forma de nós justificarmos nossa imposição sobre os outros), e grita aos quatro ventos que não o quer.

    Como dizem os especialistas da própria rehab : “Se você é viciado, isso é problema seu. Se você pedir ajuda, isso sim é problema nosso”.

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