Quem é V?

Cinema terça-feira, 14 de maio de 2013

Aí, semana passada eu resolvi assistir pela primeira vez V de Vingança. Sim, eu sou a mina que leva anos pra ser convencida a ver filmes que não despertam a atenção. Mas nada contra, hein? Enfim. Eu dei play no filme, e acabou que eu achei ele muito, muito bom. A violência sanguinária que eu esperava encontrar (E que era o motivo pra eu não querer ver, me julguem) não aconteceu. Mas uma violência moral, sim. Como? Explico.

O filme mostra um cenário que, de certo modo, vivemos diariamente. Uma repressão, uma necessidade de emburrecer a massa e cegar a todos com promessas, palavras amenas e fatos ocultados tomam conta de nossas vidas desde sempre. Antes de forma mais opressiva, hoje de forma mais maquiada. Mas acontece da mesma forma.

O desejo de vingança do protagonista mascarado soa como a revolta que vemos hoje em redes sociais, em passeatas que ainda existem, embora mais escassas do que outrora, em manifestações, sejam elas do tipo que forem. Sabe o caso do Feliciano, que geral sai xingando? Sabe o Malafaia? Tipo isso.

Em determinado momento do filme, o próprio V (Hugo Weaving) se coloca de forma que deixa a entender que ele pode, inclusive, ser homossexual. Alguém mais percebeu isso? E não estou dizendo que ele chegou no filme dizendo ALOW AMIGOS, SOU GAY, BLZ? Não. Tudo é retratado com sutileza e mil formas de interpretação (Como nossa realidade, ladies and gentlemen). Tá lembrado quando a personagem Evey, interpretada por Natalie Portman, vai até a casa de Gordon Dietrich (Stephen Fry), seu então chefe numa emissora de TV, que não teve medo de se expressar em rede nacional e acabou sendo morto? Pois bem. Lembra que ele tinha referências gritantes do V, fazia coisas como ele, falava como ele? Isso pode ser interpretado como se ele tivesse convivido com o vilão (Que de vilão não tem nada), e pego seus gestos, suas manias, seus trejeitos e até seu jeito de cozinhar e falar. E, mais do que isso, o personagem confessou ser homossexual, porém não assumido para o grande público por medo do que poderia acontecer com ele. Ou seja: Não deixou sua sexualidade vir à público (Como se alguém devesse fazer algum tipo de pronunciamento sobre o que faz ou deixa de fazer sobre suas preferências e orientações sexuais, mas enfim). E ele não expôs sua orientação sexual, pois quem era homossexual assumido pagava caras consequências, como prisão, tortura e morte. Lembram? Pois bem. Até aí, nada prova nada, tudo fica nas entrelinhas.

Mas, aí, Evey encontra um caderninho com confissões de uma antiga presa, que havia sido capturada em decorrência de sua orientação sexual: Ela era lésbica. E, junto com ela, nas celas ao lado, estavam outros presos, que também eram homossexuais. E na cela ao lado, quem estava? V. E se todos foram presos por serem gays, por gostarem de pessoas do mesmo sexo, V não seria também um homossexual?

Possivelmente sim. No entanto, ele desenvolve um tipo de afeto pela personagem de Natalie Portman, que pode ser considerado um afeto de homem/mulher. Bi? Hétero? Homossexual? É aí que, na minha opinião, entra um dos questionamentos mais fortes do filme: V não estava se vingando por ter sido deformado, queimado ou coisa do tipo (Por conta da máscara e andar completamente coberto). Ele se vingava da violência do governo. Aquela que não só fere fisicamente, mas emocionalmente. Ele era todos nós. Homem, mulher, criança, adulto, todos. Ele era a voz que era calada com programas de TV que alienavam a população, era o grito de quem era julgado e condenado por ser quem é e por querer a verdade.

Ele não tem rosto. Ele é cada um de nós, e todos nós. E ele não morre: Ele tem sua missão concluída.

Isso, é claro, é apenas a minha opinião e a minha interpretação de uma obra que, mesmo depois de anos de sua criação, ainda continua tão atual. E nós, ainda tão alienados, mesmo que maquiados.

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