Quando o começo é bom mas o final…

Cinema segunda-feira, 02 de setembro de 2019

Vamos falar sobre descarrilhamento.

 Vejam, na verdade este trem está fazendo um drift.

Quantas coisas nesta vida não começam boas porém, em algum momento, tomam uma direção diferente e, quando a gente se dá conta, aquele bofe super na pegada tem três filhos e os pais dele tão chegando pro almoço?

E isso vai pra tudo, de relacionamentos à emprego, de entretenimento à cultura. Dá pra citar aqui meio milhão de filmes nesse mesmo barco: O primeiro Transformers foi de boa. O primeiro Kingsman foi foda pra caralho. O primeiro Kick-Ass foi uma das melhores adaptações dos quadrinhos pro cinema. O primeiro Exorcista é um clássico. Cês sabiam que Donnie Darko teve continuação? Pois é, não assistam. É claro que todos nós velhos infelizmente lembramos que Karate Kid teve TRÊS continuações (E uma série spin-off). E só vou passar pelas continuações de Todo Mundo em Pânico, Duro de Matar, Loucademia de Polícia, Shrek, Busca Implacável, Kung Fu Panda, Piratas do Caribe, Jurassic Park e Esqueceram de Mim… Além de metade de todos os filmes do Batman, dos X-Men e Missão Impossível.

A questão nem é que o serumano gosta de estragar as coisas, mas sim o fato de que, eventualmente as coisas mudam: Pode ser pra melhor, pra pior ou simplesmente pra “diferente”, mas a manutenção do status quo é um treco dificílimo… “Impossível” diriam uns, e eu devo admitir que pendo pra este lado também. Tem todo um tópico à parte aqui de filmes que jamais seriam feitos fora de época em foram. Eu não quero entrar nos méritos específicos, mas ainda que boa parte desses filmes não aconteceriam por conta de racismo, misoginia, xenofobia, sexualização infatil e pura e simples violência, também é verdade que se esses filmes fossem feitos hoje em dia, eles seriam racistas, misóginos e xenofóbicos de jeitos diferentes.

 Só gosta dos anos 80 quem não lembra dos anos 80.

Quando as coisas saem dos trilhos a gente pode botar a culpa em muita gente e muita coisa diferente. Dá pra dizer que o sucesso subiu à cabeça, que o capitalismo estraga tudo, que a responsabilidade pesou e que o começo foi simplesmente golpe de sorte. Eu sinceramente não estou afim de apontar o dedo pra nenhum desses porque a opção certa muito provavelmente é uma mistura disso tudo, diluída num mar de variáveis impossível de realmente analisar e compreender, o fato é que, pra muita, muita coisa, o final é pior que o começo.

A gente tem a felicidade de ter vários “finais” pras mesmas coisas: Um filme que tem uma sequência “termina” na sequência, mas também termina no fim do primeiro filme. A gente tem a oportunidade de escolher o que quer ouvir, ler, assistir e jogar, e pode perfeitamente dar um olé na racionalidade e abraçar definitivamente nepotismo individualista. Se isso fizer com que você não saiba absolutamente nada do que as pessoas ao teu redor estão falando, melhor ainda. Vejam o meu exemplo: Eu não faço ideia de quem é Bolsonaro.




















































Voltei.

Todos nós podemos apontar diferentes obras, nas mais diferentes mídias, cujos finais deixaram à desejar. Ou talvez cujas metades finais deixaram à desejar. Ou ainda que absolutamente tudo exceto o título ou a premissa básica deixam a desejar. Ainda assim, vale notar que isso não significa que esses finais sejam ruins (Ainda que a maioria seja), mas sim que o rumo tomado pela tal obra não agradou à nós: Tem gente idiota que vai estar perfeitamente feliz com a coisa toda. Tem gente que vai dizer que aquele treco interessante com uma resolução merda é um “novo clássico” e que “mudou minha vida” e tá tudo bem. Todos nós temos a liberdade individual de gostar do que quer que seja, e isso é ótimo… Irritante talvez, mas né, foda-se.

E com a união dos seus poderes pontos propostos nos parágrafos acima, a gente chega numa questão ligeiramente mais séria que o final bosta daquela série que você gostava cinco temporadas atrás: A gente pode escolher os fatos e as realidades que a gente bem quiser, e isso não só nos leva diretamente à relativização de tudo como também à alienação da narrativa comum. O que, eu suponho, possa ser uma coisa boa em casos específicos, mas que em termos sociais mais amplos representa uma desconexão com as pessoas ao nosso lado e, daí, para uma desconexão social. Em outras palavras, se você não gosta do fim de How I Met Your Mother você apoia a precarização do SUS.

A parte divertida dessa história toda é que nenhum de nós precisa se preocupar com nada disso: À curto prazo não faz diferença, já que estamos vivendo neste tempo específico e a real é que apenas o tempo e a experiência permitem de fato compreender a história como um todo; e à longo prazo não faz diferença nenhuma também, já que todos estaremos mortos e o problema não será mais nosso. É daí também que a gente tira que a melhor coisas a se fazer é não ter filhos, porque seria antiético botar filho num mundo em que a Disney faz remake live action de seus próprios filmes.

No fim das contas, a melhor coisa que a gente pode fazer pro futuro do mundo é comprar DVD na baciada de promoção e assistir todos eles. Incluindo American Pie 7.

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