Quadrinhos Compactos – Parte I

HQs sábado, 05 de junho de 2010

Eu acredito que no mundo devem haver – principalmente nos dias de hoje – muitíssimas poucas pessoas que jamais tenham conhecido ou ouvido falar de algum personagem de quadrinhos, mesmo porque muitos deles ganharam o mundo além das páginas impressas em outras mídias, como TV e cinema. E a idéia aqui será abordar alguns dos mais conhecidos personagens em quadrinhos da cultura pop, mesmo porque vou abordar os quadrinhos compactos, cujo sucesso é marcado pela simplicidade da síntese.

Ainda não descobriu do que eu to falando? Então calma que já explico. Vou abordar nessa coluna de hoje as tataravós dos gibis e que até hoje fazem sucesso entre crianças, jovens e adultos. Sim estou falando delas: As tiras!

Bom, pra começar, sabemos que desde a pré-história o homem já tinha uma atração especial pelos quadrinhos, como mostram desenhos feitos em cavernas, cujas figuras conseguem contar histórias de caçadas e aventuras vividas pelos nossos antepassados, e esse fascínio pelas histórias pintadas prosseguem ao longo do tempo e da história passando pro egípcios, gregos e outros povos lá de antes de Cristo. E por falar no Filho de Deus, o cristianismo também mantém viva até os dias de hoje a narração por via de imagens da Via Sacra em seus vitrais, então, tipo todo mundo já viu ‘História em Quadrinhos’ alguma vez na vida. Mas enfim, deixemos isso de lado e voltemos a falar dos comics. A primeira HQ nasceu na França (Acho que é por isso que lá geralmente tem boas HQs, como eu mostrei aqui) no começo do Século XVIII na cidade de Épinal.

E não é pra menos: A cidade, desde o século anterior (XVII), mantinha duas atividades econômicas que contribuiriam muito pra isso: A tipografia e a fabricação de cartas de jogar (Baralho). Com isso, os artistas da cidade passaram no século XVIII a editar e imprimir desenhos de motivos religiosos. Inicialmente esse material era preto e branco e em seguida coloridas em recorte. Depois, alguém teve a idéia de juntar vinhetas e legendas a esses desenhos, retratando assim a história dos cavaleiros, heróis de capa e espada, em vários contos infantis. Dentre os gravadores de Epinal se destacam Jean Nicolas Vatot (Considerado o precursor da arte seqüencial imprensa), Didier, Raguim, Lenbelet e Pellerin, que também retrataram fatos marcantes do século XVIII como as “conquistas de Napoleão”. Esses ‘primeiros’ quadrinhos sempre continham uma miscelânea de provérbios populares, canções, poemas, entre outros.

Mas foi em 1798, quando o inglês Thomas Rowlandson criou o personagem Dr. Sintaxe e, alguns anos depois, em 1827, quando o suíço Rudolph Topfler criou o Monsieur Viex-Bois, que nasceram as tiras e as HQs num formato parecido com o que temos hoje.

Essa nova arte tomou força nos Estados Unidos no início da década de 1830, quando Charles Ellms criou um almanaque em Boston, misturando passatempos, anedotas e as primeiras “tirinhas”, apresentando historietas cômicas, até que em 1846 surge a revista Yankee Doodle, que reúne essas historietas.

Porém, somente em 1860 surgiram as tiras como conhecemos hoje, com seu conteúdo voltado para o humor, seja ele com ou sem crítica social. Essa ‘fórmula’ surgiu quando Gustavo Doré tentou ilustrar uma piada. E cinco anos depois nascia pela mãos de Richard F. Outcault o personagem Yellow Kid (Garoto Amarelo) que anos depois (1896) iniciaria a tradição das tiras no jornais.

 Começou tudo com ele

O Yellow Kid foi parar nos jornais devido à insistência de Benjamim Day, um técnico do jornal New York Sunday World, – que, segundo reza a lenda – queria testar uma tinta amarela com um secador especial, e assim o camisão do garoto era pintado desta cor tendo por cima frases tiradas de charges políticas.

O mesmo criador de Yellow Kid também introduziria os balões como forma de fala dos personagens e fragmentaria a ação numa sequência através das tiras. Isso influenciou Rudolph Dirks a criar Katzenjammer Kids (Sobrinhos do Capitão), que por mais de 110 anos fizeram sucesso nos jornais com as aventuras de três crianças travessas, seu tio e demais familiares.

 Com um tio desses quem não seria travesso?

Então, agora que eu fiz essa puta introdução pra mostrar como os quadrinhos foram parar nos periódicos, no próximo artigo eu começo a apresentar os personagens que já desfilaram pelos jornais através das tirinhas, e o porque da simplicidade desses quadrinhos compactos se manterem forte até hoje, dando vida inclusive às webcomics.

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