Princesas machos da Disney

Primeira Fila sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Passei as últimas semanas vendo muitos desenhos da Disney em casa. Parte pros momentos que queria desligar o cérebro, parte porque queria ganhar um cheveirinho da blockbuster percebi que não sei NADA de desenhos ao jogar Scene It – Disney na casa de uma amiga. O fato de eu ser meio lenta também não deve ter ajudado no jogo. O caso é que decidi ser fã da Disney depois de grande, já que pelo visto minha mãe concordava com o Théo. E eu era fã antes mesmo de ver os filmes.

  Economizei alguns pesadelos, pelo menos.

Tá, nem é. Minha mãe era professora e bibliotecária e se eu não fosse tão ovelha negra da família cheia de personalidade, provavelmente não escreveria pro Pipoqueiros, mas pro Naftalina. Não que livros e filmes não tenham ligação, nem muito menos que eu tenha largado o mundo das traças, é só que acabei tomando mais gosto pela 7ª arte. Defendida a honra da minha mãe, do que eu falava mesmo?

Disney… Sei até o dia que me fizeram uma lavagem cerebral eu passei a achar a Disney mó legal. Foi quando visitei a versão parisiense do parque temático. Logo na porta do negócio dei de cara com um castelo gigante e frufru, então pensei:

Que princesinha retardada frágil será que mora aí? Aliás, que saco essa tal Disney. Todo mundo TÃO feliz que só pode ter droga aí dentro. Só pode! Ainda bem que é tudo de grátis pra mim… Deus salve o pistolão.

Cortando o resto do dia que passei lá e partindo pro final, quase chorei com os fogos de artifício e me agarrei num poste quando minha amiga disse que era hora de ir embora porque o parque tinha fechado há duas horas já e a Minnie precisava ir dormir. Até que o Mickey me levou até a porta e me deu umas orelhinhas e… O tóchico da Disney faz efeito até hoje! Desconsiderem este parágrafo até esse ponto. O que quis dizer é que tem mesmo algum opiáceo naquele lugar, porque passei de odiadora da Disney a convencida que se palestinos e israelenses sentassem numa daquelas mesinhas milimetricamente perfeitas e o pateta servisse uma coca-cola gelada não haveria mais problemas na Faixa de Gaza. Aliás, até montariam mais um parque lá.

“Mas e o cinema, Uiara?”

Ah sim. Como eu dizia, tomei uma overdose de filmes da Disney e quebrei mais um preconceito. Sabe quantos dos personagens femininos dos filmes que vi eram realmente princesinhas “mimimimesalve“? Um só, a Bela Adormecida. Todas as outras moças (ou ratas, ou sereias, enfim) tinham muito mais testosterona que o moços que deveriam salvá-las. Vá lá que em um dado ponto (em especial nos mais antigos) elas se metem em alguma roubada, mas na maioria das vezes os heróis as salvam por pura sorte. Além do mais, elas só se dão mal porque tiveram coragem pra fazer alguma coisa, pra começar.

 Só pra não reclamarem da falta de mulher pelada no Pipoqueiros.

Bernardo e Bianca, por exemplo. Bernardo é um rato pra lá de monótono. Tá ali na vidinha de faxineiro da Sociedade de Resgate (ou algo assim) e achando tudo muito bom. Bianca é que chega com tudo e carrega o rato pra umas aventuras. Isso porque ela é a maior dondoca. Bernardo só treme o filme inteiro, enquanto ela se diverte.

A Pequena Sereia também é outra que não aguenta uma vidinha mais ou menos. As irmãs ficam lá, cantarolando, e Ariel quer mesmo é ação. Enquanto fuçava onde não deveria estar, encontrou o homem dos seus sonhos (ok, ainda é Disney) e acabou se vendendo pro cão trocando sua voz por um par de pernas, pra poder ir atrás do moço. Se deu mal a princípio, claro, mas pelo menos foi a luta.

 “Que mané voz, que nada… Aê, capitão!”

E por aí vai com quase todas as personagens dos desenhos. Esmeralda é uma cigana (e pra frentex por natureza), no Corcunda de Notre-Dame. Alice entra na toca do coelho por genuína curiosidade feminina e depois de chorar um pouco, segue em frente. Mulan é macho pra caramba e se veste de homem pra ir a guerra. A Pocahontas, por outro lado, tenta evitar uma disputa. A Jane é que chega no Tarzan. Fora do mundo dos desenhos, tem ainda a Gisele do recente Encantada, que apesar de umas baitolagens no início acaba dizendo pro Príncipe que esse negócio de casar direto é coisa de noob, o bom mesmo é namorar antes.

Até mesmo as ditas princesas da Disney tem sua excessões. A Bela, da Bela e a Fera, mesmo… Ela lê muito, é mó inteligente e nem se assusta direito com a Fera. A Jasmine, do Aladdin, é outra que não aguenta a vidinha mais ou menos de princesa e numa escapada do palácio conhece um plebeu, só pra contrariar. A Branca de Neve mora com 7 homens, e tal. Enfim, as outras são mesmo mais fãs de largar sapatinhos, ou dormir até que o príncipe venha salva-las e mimimi.

  Por que será que contos de fada não funcionam na vida real? Vou experimentar largar uns sapatos por aí…

Então, eu sei que você tem trocentos motivos pra não gostar da Disney e em alguns casos até aceito que diga que blasfêmia! são filmes pra criança. Mas trate de cortar da sua lista o ítem que diz que as personagens do tio Disney te irritam por serem tão princesinhas. Além disso, recomendo extremamente que todas as pessoas dêem aquela passadinha em algum parque deles. GARANTO que vc vai gostar. Enquanto você pobre lascado não tem oportunidade, vamos lá… dá uma chance aí pros desenhos.

E que o tiroteio ao meu gosto comece.

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