Primeiras impressões – Call of Duty: Ghosts

Games quinta-feira, 07 de novembro de 2013

Eu adoro aquela expressão “mulher de malandro”. Principalmente porque ela é tão verdadeira quanto dizer que igreja evangélica fica vazia em época de carnaval. Pra quem não conhece, “mulher de malandro” é aquela que sofre, apanha, apanha de novo do marido e sempre volta dizendo que ama.

Eu tenho essa relação “mulher de malandro” com a franquia Call of Duty. Desde 2010, com o primeiro Black Ops, eu sempre comprei e joguei religiosamente todos os lançamentos da franquia. Passei pelo Black Ops, Modern Warfare 3, Black Ops 2 e, agora, Ghosts. Mesmo reclamando pra caramba, eu sempre volto e compro o próximo jogo. Mas isso me trouxe uma lição interessante.

Bom, queria deixar claro que eu só tô falando do multiplayer, ok? Ninguém pega um COD na prateleira da loja e fala “nossa imagina o single player disso que demais!” e leva pra casa.

Acontece que uma franquia que tem lançamentos anuais sofre muito pra inovar. Eles sempre preferem o esforço mínimo. Pra quê mudar se o atual já vende?

O mercado compra o que a gente fizer. Pra quê gastar dinheiro com coisa realmente nova?

A Activision já cansou de perder franquias de sucesso por causa disso: Tony Hawk’s Pro Skater e Guitar Hero fizeram tanto sucesso em suas épocas que eles foram sugando cada gota de leite que faltava sugar. O que aconteceu? Duas das franquias mais amadas do mundo simplesmente saturaram o mercado e morreram.

Com Ghosts, não foi diferente. É praticamente o mesmo jogo de sempre. A má vontade é tão escancarada que o GRANDE ATRATIVO, aquilo que eles bateram mais em cima na E3 desse ano como se fosse a melhor coisa depois da invenção da roda, foi a possibilidade de você usar um… Cachorro. UM CACHORRO.

Yes, nós temos cachorros!

BF4 tem prédios caindo que modificam todo o gameplay do mapa. Estruturas destrutíveis que te forçam a procurar cobertura o tempo todo. Carros, barcos, tanques de guerra, aviões, helicópteros.

COD TEM UM CACHORRO!!!!

Os caras tão em guerra, enchendo os traseiros uns dos outros com chumbo quente. Você podia usar aviões, mísseis teleguiados, bombas nucleares, mas EI, PFFF, ESQUECE ESSE TANQUE DE GUERRA AÍ, SOLTA OS CACHORRO NELES NÉ!

Bom, os peludos já apareceram nos últimos Black Ops como Killstreaks, mas eles eram apenas temporários. O cachorro de Ghosts fica contigo por um tempo, te protegendo e tal. Só que esse pulguento é um negócio meio bizarro. Embora topar com ele signifique morte instantânea pro adversário, ele é simplesmente burro demais. Fica preso em cantos estreitos ou buracos e fica parado em áreas abertas com visão clara pro inimigo (Ele pode ser morto normalmente). Completamente inútil.

Eles pensaram que o cachorro ia ser isso:

Ele acabou sendo isso:

Mapas imeeeeeeeensos

Call of Duty sempre foi, pra mim, diversão burra. Diversão burra porque, na maioria das vezes, era só empunhar arma e sair atirando na criançada. Principalmente porque, desde MW3, os mapas são relativamente pequenos – ou pelo menos proporcionais ao número de jogadores permitido, doze. Mesmo assim, era possível tu jogar de forma tática, inteligente, se posicionando e tudo mais.

Em BO2, os mapas foram ridiculamente diminuídos. A ação ficou desenfreada, tiro e gente pra tudo que é lado. Era difícil ficar mais de 10 segundos sem trocar bala com alguém. Isso deixou o jogo ainda mais burro e, pelo menos pra mim, MUITO mais divertido.

Só que sempre tem aquele cara que reclama. “Aaahhh mas esses mapa aí tão mto pequeno tio, tem que ter mapa maior!!!”

Aí os caras fizeram mapas maiores. Muito maiores. Enormes, gigantescos. Os mapas são tão grandes que tu precisa comprar um pacote da CVC com guia de turismo pra te levar do outro lado. Tô falando sério.

Porém o limite de jogadores foi mantido em 12 por sala – ou seja, 6 nego em cada time. É muito pouca gente pra muito, muito espaço. Se antes você não ficava 10 segundos sem encontrar alguém, agora você fica andando pelo mapa sem rumo, procurando alguém pra enfiar chumbo quente goela abaixo.

Isso abre espaço pra campers, aqueles caras safados que jogam com uma mão só. Campers são os equivalentes modernos dos vietcongs, ficam escondidos marotamente pra te pegar desapercebido. Mas com eles a galera tá acostumado a lidar. O problema é outra raça, a pior praga que já infestou a comunidade COD nos últimos anos…

Ah, o quick scope.

Quickscope é uma forma barata de jogar que foi disseminada como “arte de profissionais”. Como macaco vê, macaco faz, isso foi tomando proporções gigantescas.

Bom, um pequeno background. Embora mirar a arma no PC com o mouse seja praticamente natural, mirar com os sticks analógicos dos controles nunca foi a tarefa mais precisa. Pra balancear isso, os caras incluem nos jogos pra console o chamado “aim assist”, uma ajudinha onde, assim que você mira o adversário, sua mira “cola” no alvo.

As snipers do jogo geralmente são one hit KO. Daí ficou fácil: Ao encontrar o adversário, é só mirar e atirar rapidamente e sair pro abraço. Assim que você aciona a mira, o aim assist cola sua mira automaticamente no alvo. Você atira e mata numa bala só. Esse é o chamado “quickscope”.

No MW3, isso já era chato. No BO2, ficou impossível de lidar. Tanto que, nos últimos meses, os caras liberaram o um patch balanceando o quick scope, que gerou uma onda de protestos raivosos da criançada. Tão raivosos que chegaram a ameaçar de morte David Vonderhaar, diretor de design da Treyarch, responsável pelo patch.

Agora, junta mapas imensos com quickscope e você tem o quê? Você tem COD: Ghosts. Além de ataques súbitos de raiva e vontade de esmagar o controle na parede.

Mesmo com o quickscope nerfado (Piorado), ainda é difícil lutar contra. Isso porque…

Armas desbalanceadas e sem personalidade

É praticamente tradição no COD trazer uma arma overpowered. No Black Ops, era a FAMAS. Em MW3, a ACR. Ambas eram precisas, com boa velocidade de disparo, estáveis e tinham dano bom mesmo à distância. Os rifles sempre roubaram a cena.

BO2 quebrou isso colocando as SMGs como artistas principais, jogando os assault rifles pra escanteio. Como a jogabilidade ficou mais rápida, as armas rápidas tomaram a cena.

Em Ghosts, eu ainda não sei o que dizer. A galera reclamou tanto das SMGs que elas agora não valem nada. Os rifles foram divididos em duas categorias, rifles de precisão (Com cadência menor de tiro, mas dano alto) e de assalto (Automáticos, com dano menor). Ambos são muito fortes, principalmente os rifles de precisão quando se usa controles com função turbo. Sim, eles ainda existem.

Além das snipers, onde o quickscope come solto. Até agora, com cerca de 3 horas de jogo, não vi ninguém usando outro tipo de arma senão essas três, com larga vantagem pras assault rifles. Mesmo assim, toda arma parece igual.

Pra mim, de longe, as armas mais divertidas sempre foram as shotguns. Elas obrigam você a jogar de forma sacana, desviando, se aproximando como um ninja sorrateiro pra disparar uma nuvem de chumbo à queima roupa. Caralho, já pensou se ninjas usassem shotguns?

Som legal ou quase isso

O jogo é dublado em português. Essa parte eu gostei de verdade. Você escuta os caras do seu time gritando a posição dos inimigos e já se prepara, o que é bem legal. Por exemplo, se alguém do seu time avista um adversário, o personagem já grita “inimigo sem cobertura entrando na lanchonete!”, ou “inimigo na janela de cima!”. Isso agrega valor ao camarote.

Mas nem tudo é perfeito. O som das armas continua mais genérico que manicure chamada Bete. O som delas com silenciador continua aquele barulho de “pew-pew-pew” que sempre foi piada, quase um peido abafado.

Isso quando você consegue escutar o jogo. Poucas pessoas sabem, mas o Kinect (A pior invenção da história da raça humana) possui um microfone. A criançada que não sabe disso, vem jogar com o microfone do Kinect ligado e deixa todo mundo ouvir as conversas da família inteira. Legal né.

Ah, e os cachorros latem. Auau.

Gráficos de 2011 pra um jogo de 2011

Calofiduticamente falando, Ghosts é mais bonito que os anteriores, mas não chega nem perto de um dia concorrer com Battlefield por esse posto.

Pela primeira vez o jogador pode modificar seu personagem – rosto, cor de pele e tudo mais. Pode até escolher o sexo! Uau! É tanta revolução pra nada, afinal você nunca vai se ver de frente num jogo em primeira pessoa. Gênio.

O resto do jogo continua a mesma coisa, que novidade. A engine do jogo é a mesma do MW3, jogo de 2011. A movimentação é de dar risada. Quando você encontra um personagem agachado numa colina, ele fica numa posição absurda. Literalmente na diagonal. Quando você mata um adversário, o modelo às vezes congela no ar e, quando cai, fica exatamente na mesma posição.

Verossimilhança? Pff, pra quê? Temos cachorros!!!!

 Você coloca sua vida nas patas desse cara.

Conclusões finais

Vou te dar a definição exata do que COD: Ghosts me parece. Sabe aqueles shooters genéricos online que pipocam em todo lugar? Aquelas cópias baratas de Counter Strike, tipo Combat Arms, Crossfire, etc? Então, Ghosts parece ser uma versão desses jogos pra console. O jogo parece… Barato. Só que duzentos reais em um jogo tá longe de ser barato. Ou seja, você acaba pagando caro por um jogo que não te faz sentir satisfeito por isso.

Existe aquela rivalidade entre Call of Duty e Battlefield. Mas olha, se um dia Call of Duty competiu com Battlefield pelo posto de melhor FPS, a batalha tá perdida a muito tempo. Ghosts não consegue nem alcançar os calcanhares de BF3, que pra mim é o melhor FPS de todos os tempos. Isso sem falar de BF4, que tá chegando agora.

Call of Duty tem problemas crônicos. Só que parece que eles querem resolver todos os outros problemas menores, deixando esses problemas crônicos de lado. É como se sua casa estivesse pegando fogo e você resolvesse jogar água nos vizinhos.

Como eu havia dito, eu acompanho a franquia desde 2010. Ghosts é o quarto jogo seguido que compro praticamente no lançamento. Eu me sinto decepcionado. Traído, de certa forma. Afinal, você acompanha uma franquia esperando que ela sempre melhore. Ainda mais quando é o jogo de despedida de uma geração de consoles. Não esperava ter em mãos um jogo tão… Médio, comum. Mais do mesmo.

Você espera que uma franquia melhore. Tudo o que Black Ops 2 melhorou em relação a MW3, Ghosts chegou jogando cocô em cima de tudo. Cocô de cachorro.

Raphs é o dono do finado Odeio e Justifico, e eu tou tentando convencê-lo a odiar as coisas [Nem precisa justificar, hein?] aqui no Bacon. Se você acha que guenta o tranco, vem pra Caixa você também, VEM!

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  • Luiz Carlos Santos

    BF sempre foi melhor do que CoD na minha opinião. Era mais simples, divertido e o fato de poder entrar e controlar os veículos, como tanques, carros, caminhões, aviões e helicópteros abria inúmeras situações. O foda é que nos tempos atuais, qualquer merda com o marketing certo vira febre, como Justin Bieber e Lady Gaga. Faz já um tempo que deixei de jogar esses jogos mais novos justamente por uma coisa que você disse: estão grande demais (os mapas e cenários), extensos demais (a duração da história) e complexos demais. Isso tira justamente o que era melhor nos jogos de antigamente, como Max Payne II, GTA Vice City ou BF 1942, que era jogos bonitos e divertidos, mas que qualquer um poderia aprender com relativa facilidade a jogar e não tinha esse gigantismo todo que torna os jogos mais modernos complicados e cansativos.

  • Frey

    SDDS Tony Hawk :(

  • Nagual

    O Kinect tem um monte de aplicações interessantes, só não é bom para jogos mesmo HAHAHAHA

    Ah, e prefiro BF. Apesar de gostar demais de matar zumbis no BO2.

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