Press Start – Por trás das câmeras

Clássico é Clássico segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sim. Eu sei que estou sumido. Mas enquanto vocês estavam indo ao show do Restart durante as férias, a pessoa que aqui vos fala estava em Nova York, em um workshop de cinema. O resultado final vocês assistem abaixo:

Divulguem, elogiem, critiquem, enfim. Apesar de não respeitar a opinião de vocês, talvez eu absorva alguma coisa por osmose. E vocês vão podem bater no peito e dizer que a maior realização de suas vidas foi influenciar (Muito pouco) na carreira do maior diretor do século XXI. Mas enfim… Ninguém vai acreditar em vocês mesmo. Mudando um pouco de assunto, o ponto é que estar atrás das câmeras te dá uma visualização totalmente diferente do produto final. A idéia da coluna de hoje, além de fazer um jabá, é trazer uma espécie de “making-of” de tal produção.

Press Start – Bastidores

O filme foi dirigido por 3 alunos da Academia de Cinema de Nova York – Derek Van Djik, francês, Maria Clara Parada, brasileira (Paulista) e o futuro ganhador do Oscar, eu. Mas como a direção é só uma pequena função no microcosmo da produção de um filme, todos os três exerceram pelo menos duas funções. Dessa forma, preenchemos as funções de (Pré) produção, direção de fotografia, edição e edição de som. O objetivo do trabalho era um curta simples e sem som (Apenas música).

Os equipamentos foram “cedidos” (Na verdade, alugados) pela NYFA – uma câmera 16mm Arriflex da época de Chaplin, se utilizando de rolos Kodak 16mm 200T (Para as tomadas na casa e na Best Buy), 500T (No bar) e 200D (Para externas). Sobre isso cabe um pequeno parêntese: ()

Filmar em película é uma experiência que todo diretor/diretor de fotografia deveria ter uma vez na vida. E isso é uma realidade cada vez mais distante – hoje, com câmeras digitais que conseguem imitar o Super 16mm e a 35mm, não existe mais motivos para usar o filme. São infinitamente mais baratos (Cabe dizer que, considerando compra dos rolos + revelação, foram gastos aproximadamente 400 dólares por 12 minutos brutos de filmes), permitem que você erre quantas vezes quiser, são menos suscetíveis a problemas externos (Como perder o filme por um erro no transporte/laboratório) e possibilitam que você veja no monitor algo consideravelmente próximo do resultado final.

Mas por todos esses reveses que gravar um curta em filme foi tão importante para fins de disciplina. Estar focado se torna ainda mais obrigatório, o diretor não pode dar informações falhas para equipe, o ator precisa estar concentrado para acertar no tom logo, evitando muitas tomadas, o diretor de fotografia não pode errar na luz ou na escolha de lente – cada erro são 20 dólares sendo jogados no lixo. Por isso também, os ânimos estouram, a discussões são mais acirradas e o planejamento passa a necessitar de um esmero ainda maior. Não aguenta, bebe leite.

 Os 3 diretores dessa bagaça e um húngaro intrometido

Bem, agora falando sobre o filme em si.

– Erros acontecem em todos os filmes, alguns claros, e outros evidentes apenas para quem estava envolvido no projeto. Exemplos claros de cada situação dessas aqui expostas são, respectivamente, um erro de continuidade quanto a bolsa de nossa atriz na cena do bar e a iluminação vazando na lateral direita do espelho na cena do banheiro (Sim, a iluminação estava posta no chuveiro).

– Você precisar dar um jeito nas suas limitações. Um dos grandes problemas que surgiram durante a madrugada na sala de edição foi que a terceira música – End Result, Jeffrey Lewis – não tinha a duração necessária. Solução? Uma edição monstruosa (Porém relativamente efetiva da música). Compare o começo dela do filme com o original.

– Conseguir locações e atores é um arte. Posso dizer tranquilamente que 1/3 do suor do filme foi gerado tentando conseguir as locações do bar (Lembrem-se que em NY é tudo proibido para menores de 21) e da Best Buy (Foi uma vitória enorme). Tudo na faixa.

– Algumas idéias que parecem sempre ter existido, só surgiram na última noite de pós-produção. O nome do filme só surgiu enquanto eu procurava um Starbucks aberto, enquanto minha parceira, Clarinha, bolava a divisão da tela em 4 (Fazendo menção ao split screen de um jogo multiplayer viva Goldeneye).

– A Uiara é responsável direta pela escolha da 2ª música. E vocês podem considerá-la um easter egg para um produção que fará história no cinema moderno nos próximos anos.

– Algo que frustrou toda a equipe foi a edição da cena do bar. Caímos no erro de filmar poucos planos da mesma cena. Principalmente naquela em que o “amigo/fã” do protagonista entra no estabelecimento. Imagina a diferença que um plano americano ou close fariam? Mas enfim – erro feito é acerto aprendido.

– Às vezes você precisar ser rude com a equipe. Um “Não quero desculpas, quero que você bote para foder” é necessário. Muitos diretores tem uma filosofia oposta – eu não. Você não precisa ser um rabugento em greve de sexo – ao contrário, você deve ser responsável por lidar com a tensão na melhor maneira possível – mas uma coisa precisar estar clara: Ninguém está ali brincando. Todos, sem exceção, devem estar no set focados em fazer um trabalho que se orgulhem depois. E é papel do diretor administrar isso.

Por fim, novamente eu lembro que divulgação, críticas, opiniões, perguntas, elogios e xingamentos, serão extremamente proveitosos. O filme é sempre (Ou deveria ser sempre) para o público – e saber o que funciona, o que não funciona e o que funcionaria é algo que vai refletir no meu trabalho. Então, deixem a preguiça de lado e mãos ao teclado.

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