Porto dos Mortos (Beyond the Grave)

Cinema quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

 Num mundo devastado onde as regras da realidade são ditadas por magia e loucura, um policial vingativo persegue um assassino serial possuído por um demônio numa batalha contra o mal absoluto.

Você sabe que um filme não tem como dar certo quando a sinopse oficial não tem nada a ver com o filme que você viu, e ainda assim é difícil de achar. Mas é claro que eu não sabia disso quando vi o pôster na Netflix [Na casa alheia, diga-se de passagem]. E foi então que eu e minha companhia perdemos 89 minutos das nossas vidas, minutos esses que nunca recuperaremos. Tipo vocês ao lerem o Bacon, mas não é essa a questão. O filme é ruim mesmo. Pra começar, não tem nada de assassino serial killer possuído pelo demônio, até onde eu vi. Não tem nem mesmo um porto, a menos que você considere que o filme é gaúcho e lá tem Porto Alegre. Pra você ver o nível da coisa. E a despeito do pôster, o filme não é de dois mil e oito, é de dois mil e dez. Distribuidora atrasar filme estrangeiro é uma coisa, produção nacional ser adiada por motivos de produção não anda, é outra. A coisa tá braba, fio.

Vocês devem saber que eu sou contra esse negócio de nacionalismo e ufanismo, meu negócio é meritocracia. Porque valorizar ou desmerecer algo só pelo fato daquilo ter nascido [Ou sido feito] numa mesma área geográfica que você é estúpido, na minha opinião. Cê tem que valorizar o que é bom e desmerecer o que é ruim. O ponto é que tudo aqui é ruim. A fotografia é ruim, as atuações são ruins. A maquiagem é ruim, as atuações são muito ruins. Os efeitos especiais são ruins, as atuações são péssimas. O áudio é ruim, as atuações são deprimentes. E eu já citei o quão mal os atores trabalham?

 “Vou matar cês tudo… De ódio.”

Deve ter mais a ver com o fato de ser um projeto totalmente de fundo de quintal do que com a nacionalidade deles, porque eu sei o quão caro é contratar gente de qualidade. Cê acha que o Bacon é assim porque? Considerando que eu não pago ninguém, a qualidade é consideravelmente alta. E isso é um elogio, seus FPD, não venham com mimimi falando que eu desvalorizo vocês. Enfim, deixando a minha equipe de lado e voltando à carga: Porto dos Mortos fede. E não é por conta dos zumbis, que são poucos, raros e mal trabalhados. Parece mais que, a despeito das críticas, que até onde eu vi quando fui procurar informações [Depois de já ter cometido o erro de assistir] eram bem favoráveis, que a galera deu um tapinha nas costas de um projeto totalmente amador só por ser “um filme brasileiro de zumbis”.

Pelamordedeus, com o tanto de entusiastas de zumbi que existem no Brasil [E olha que eu nem tou considerando o boom pós-The Walking Dead], dava pra fazer coisa muito melhor. Só de figurante cê arranja uns trocentos numa Zombie Walk da vida. Se bobear, na maquiagem cê só paga o material e dava pra fazer uns zumbis que parecem mais zumbi e menos com múmias inca.

 Isso não tá podre, isso tá… Seco.

Já o roteiro… Ah, o roteiro. Mas que bosta de roteiro. Não existe explicação de nada, as coisas não tem nexo causal, é tudo jogado na tela do nada e cessa de existir com a mesma motivação. Não há geração de empatia com nenhum personagem, sem contar a profundidade de um pires de todos eles. O personagem principal, o Policial, além de ser o único que não tem expressões faciais morre, também é o maior clichê de todos: Durão, mas lá no fundo tem coração mole. O problema é que a gente não sabe [E acho que nem ele] se ele é um anti-herói ou só um incompetente que não tem empatia nem capacidade pra manter as pessoas vivas ao seu redor. “Ain, mas tem magia e purpurina e gliter“, vai dizer você, viadinho do caralho. Tomar no teu cu que essa desculpa não funcionou comigo nem quando o Quesada tentou desaloprar a Marvel, e olha que eu sou marvete assumido.

Por fim, os vilões: Inicialmente são zumbis, ai os zumbis não são do mal, são só figurantes de luxo [De luxo porque tem uns três no filme todo]. Depois é descoberto que os vilões na verdade são pessoas assassinas do mal, que na verdade viram do mal por conta de um espíritos de magia negra que matou o Policial sem matar. WHAT THE FUCK? Sim, é esse o nível de compreensão do filme pela minha pessoa. E eu não fui o único. Pra você ter uma ideia, quando eu vi que o filme é classificado como ação, eu quase tive um aneurisma. Porque o que menos tem nessa porra é ação. Acho que a única coisa que faz algum sentido é o tio andar por ae num Maverick, porque se é pra não pagar por gasolina e pegar rodovia vazia, que seja num tanque, não num amontoado de plástico.

Pra encerrar, o que eu posso dizer é que, se você assistiu o filme e entendeu, me explique. Agora, se gostou, não fale comigo. Você é louco.

Porto dos Mortos

Beyond the Grave (89 minutos – Ação)
Lançamento: Brasil, 2010
Direção: Davi de Oliveira Pinheiro
Roteiro: Davi de Oliveira Pinheiro
Elenco: Rafael Tombini, Alvaro RosaCosta, Ricardo Seffner, Amanda Grimaldi, Luciana Verch, Leandro Lefa, Tatiana Paganella, Adriano Basegio, Marcos Guarani, Felipe Longhi, Isidoro B. Guggiana, Claudio Benevenga, Cassiano Griesang, Daniel Bacchieri e Lindon Satoru Shimizu

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  • FooFighter

    Putz… vai me dizer que essa super produção é da minha terra??? Bah, gauchada…

  • FooFighter

    [Não tem nem mesmo um porto, a menos que você considere que o filme é gaúcho e lá tem Porto Alegre]

    Mas não tenha dúvidas de que se trata disso Euclides. Inclusive não existe espaço sequer para ser levantada outra hipótese.
    Tudo que acontece ou é imaginado em Porto Alegre vira Porto Alguma Coisa…
    Esse tipo de “trocadilho” (não deve ser o termo correto para isso, corrija-me) é de uma RECORRÊNCIA RECURSIVA por aqui.

  • Porra, eu acertei? Daora, cara.

    Mas eu achava que Porto Alegre era tipo uma cidade, não uma várzea.

  • Danilo

    melhor zumbi ever

  • Isso não é um zumbi, é um craquento assaltando alguém.

  • Danilo

    mas ele tem o “colarzinho de orelha” da turma dos zumbi

  • FooFighter

    Puta provocação barata hehehe.

    O mal de qualquer coisa feita por essas bandas é que nego já acha que a coisa nasce CULT.. tudo é muito bom, tudo muito intelectual, até esses lixos aí… que se tu perguntar pro pai dessa obra ele vai dizer “mas era para ser assim”.

    No geral é até legal essa vontade de se fazer cultura do jeito que for, mas pensa num monte de “entendido” sobre tudo que é coisa, juntos… dá vontade de sair correndo às vezes.

  • Geralmente, quem tem colar de orelha não é zumbi, é caçador de zumbi.

  • Provocação? Que provocação?

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