Os reis da comédia

Cinema segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Há mais de 40 anos, no dia 05 de outubro de 1969, um irreverente grupo inglês formado pelos atores John Cleese, Eric Idle, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones começava a fazer história com a estreia da série Monty Python’s Flying Circus. Suas únicas armas contra a estranheza alheia em relação ao que é novo: Cara de pau e um humor ácido, direto, baseado nas mudanças inevitáveis da cultura inglesa (E mundial). O cotidiano nunca mais seria visto sem tamanha estranheza…

 Bring Me a Shrubbery!

O Monty Python sacudiu o pudor da refinada sociedade local durante as quatro temporadas em que a série ficou no ar na BBC. Rapidamente fez escola pelo mundo, com o fortalecimento de sua marca, graças aos filmes Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1974), A Vida de Brian (1979) e Monty Python – O Sentido da Vida (1983), tidos até hoje como alguns dos maiores clássicos de todos os tempos na historia da comédia.

Ficaram na memória sketches clássicos, como o do restaurante que só servia presunto spam, o jogo de futebol dos filósofos, a piada mais engraçado de todos os tempos, a canção do lenhador, como identificar um maçom, ninguém esperava a inquisição espanhola, mister hitler, ministério do andar esquisito e muitos outros, melhores que esses, sempre provocando em nós, pobres mortais, aquela sensação de: Meu deus, isso não tem graça, é apenas loucura, por que diabos eu estou rindo disso?

Os deuses da comedia, os Irmãos Marx, Charles Chaplin, Buster Keaton e mais recentemente Cheech Marin e Tommy Chong, Andy Kaufman e David, Jerry Zuckerberg e Jim Abrahams (Que junto Leslie Nilsen criaram um outro tipo de humor muito bom em filmes como Apertem os sintos o piloto sumiu 1 e 2, Top Secret, Top Gang e a serie Corra que a Policia Vem Aí). Mas os melhores de todos foram os Pythons, que faziam rir apenas usando a cara de pau e o nonsense, sem fazer uso de palavrões e outros tipos de apelação, como vemos hoje em dia, pseudo filmes usando mulheres peladas (American Pie), piadas ruins sobre o hype de filmes de sucesso (Espartalhões) ou pior ainda que isso (Aqui no Brasil, se você gosta de Zorra Total ou a Praça é Nossa, você não gosta de comédia porra nenhuma, porque a piada aqui é você…).

Não é facil fazer rir sem falar nada demais. Mas todo mundo rachava o bico com a cara de atrapalhado do Leslie Nilsen, ou a aventura que era ser doidão durante os anos 70. Quem já viu os filmes do Cheech e Chong sabe do que eu estou falando… Precursores das duplas do humor (Como Bill e Ted ou Debi e Loide), eles fizeram muito sucesso no final dos anos 70 e inicio dos 80, fazendo um humor escrachado por escancarar um tema que todo mundo sabia mas que quase ninguém gostava de brincar: Drogas. Filmes ótimos como Up in Smoke e Nice Dreams estão aí pra provar isso. Escritos e dirigidos pelos próprios Cheech e Chong e com trilhas sonoras incríveis, além das piadas muito bem escritas executadas, contendo cenas que qualquer doidão (Ou não) racharia o bico de tanto rir.

 Olha Cheech, um mata-larica ali!

O que já vimos na TV Pirata, Casseta & Planeta, assim como nos videos que dominam a internet dos dias atuais, devemos tudo aos caras do Monty Python. Atualmente, a crítica corrosiva ao momento político, cultural e social desapareceu das comédias, se concentra somente no puro besteirol. Mas isso era previsível, afinal a inteligência que um dia existiu nesse tipo de humor se perdeu no meio da artificialidade da era da banalização da informação. Depois dos Pythons, pouca coisa se criou. E um dos únicos a surgir com algo de novo foi Andy Kaufman.

 Não, não é o Borat…!

Andy surgiu no inicio dos anos 80 no incipiente programa Saturday Night Live (Que revelou a maioria dos comediantes de hoje em dia, como Jim Carrey, Steve Carrel, Ben Stiller, Adam Sandler…) e logo foi catapultado rapidamente pra uma serie televisiva, Táxi, onde ele atuou por uma temporada. Em seus sketches, Andy criva suas piadas como pegadinhas, apenas para o seu próprio divertimento. Ele mentia, enganava e ria do público. Criava personagens detestáveis (E engraçados justamente por isso). Fazia stand up lendo livros como O Grande Gatsby. INTEIRO. Humor negro de péssimo gosto. Pegadinhas (Que somente ele e seus amigos entendiam e achavam engraçadas). Quando Andy veio a falecer, muita gente não acreditou, achando ser mais uma de suas pegadinhas. Sua trajetória pode ser vista no filme de Milos Forman, O mundo de Andy, que rendeu a Jim Carrey um Globo de Ouro de melhor ator!

Hoje, embora principalmente John Cleese e Eric Idle continuem em atividade, o Python que continua exercendo certa influência em Hollywood é Terry Gilliam, que seguiu firme e forte como cineasta. Além dos filmes do grupo inglês, Gilliam é o responsável por sucessos como Brazil, As Aventuras do Barão Munchausen, O Pescador de Ilusões, Os 12 Macacos e em filmes de menor sucesso, como Medo e Delirio e o novo The Imaginarium of Doctor Parnassus (Mais conhecido como “o último filme estrelado por Heath Ledger“).

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In Memorian

Blake Edwards (1922 – 2010)

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  • Esse da entrevista eu quase mijei de rir pqp…

  • Ricardo Scholles

    Ótimo texto. Se estiver a fim de ver uma comédia atual inteligente, recomendo a série Community. O início é mediano, mas quando amadurece após alguns episódios se torna brilhante, principalmente pelos personagens bons.

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