Os famosos remakes!

Cinema quarta-feira, 24 de março de 2010

Queridos leitores,

Como já adiantado pelo chefinho Pizurk, foi contratado um grupo de estagiários aqui pro Bacon [Nota do editor: Que inclusive iniciam textos como quem escreve uma carta]. E agora estamos desempenhando a função, sofrendo horrores, com testes psicológicos, físicos, servindo café com cuspe, bolachinhas, adulando os macacos velhos da equipe e claro, tentando conquistar vocês leitores que fazem a audiência deste site.

Meu nome é Jade Melina Zamarchi, tenho 19 anos e sou de Foz do Iguaçu, no Paraná. Vou falar aqui de cinema e tudo que eu ache bacana relacionado a isso. Gosto de opiniões complementares e diferentes, por isso não se acanhe se porventura você achar uma merda o que eu escrevi não concordar comigo, a caixa de comentários ta aí pra isso.

Hoje o tema são os polêmicos remakes, que nada mais são que a refilmagem de um filme – ou novela, séries de TV, jogos – utilizando-se do original como inspiração.

 Este não é o original.

Lembro muito bem quando entrei numa vídeo-locadora em 1998 e vi um enorme pôster do filme “Psicose”. A mão da atriz Anne Heche contra a cortina do box me deixou muito interessada e logo pedi pra minha mãe levar a fita de vídeo. Mamãe (Uma graça de pessoa) limitou-se a dizer que aquela não se tratava da versão original, era um remake e por isso não prestava. Na época eu não me importei, voltei para a sessão de desenhos e somente anos mais tarde fui assistir “Psicose” de Alfred Hitchcock e filmes adaptados. Foi aí que entendi o quão desastroso ou não pode ser um remake.

Toda refilmagem sofre alterações estruturais básicas, como diretor e atores, e mudanças mais subjetivas (Em alguns casos, quase uma licença poética) em seu roteiro. Antes e depois de 1998 diversos remakes foram lançados, alguns com sucesso e outros nem tanto. A questão é o objetivo de tal empreitada. É arte ou uma chance de faturar? Eu poderia responder que em 90% das vezes é pura chance de faturar. Mas até o interesse financeiro pode nos trazer grandes filmes.

 O assustador Nosferatu (1922), Drácula com o ator Bela Lugosi (1931), o cabeludo vampiro do ator Frank Langella (1979) e a devassa adaptação de Coppola (1992).

Um bom exemplo são alguns remakes de “Drácula”. Tudo começou com a adaptação alemã não autorizada do livro de Bram Stoker: “Nosferatu” de 1922. Não podendo se utilizar dos nomes originais, o diretor W.F. Murnau deu vida no cinema à Conde Orlok (Sua versão do Conde Drácula) e acabou produzindo um dos filmes mais fiéis e assustadores de todos os tempos. Apenas em 1931 foi produzido “Drácula” de Tod Browning, com o ator Bela Lugosi, o qual tornou-se um verdadeiro clássico. Anos depois, muito lembrada, surgia a adaptação com o ator Frank Langella (Do ótimo “Frost/Nixon”). Em 1992, recheado de grandes nomes e grandes atuações de Gary Oldman, Anthony Hopkins e Winona Ryder, “Drácula” foi novamente refilmado sob direção de Francis Ford Coppola. E para a tristeza dos cinéfilos, em 2000, foi lançado o vergonhoso “Drácula 2000”, uma clara tentativa lucrativa do estúdio. Entre todas essas adaptações a que se permanece até hoje como grande sucesso é “Nosferatu” de 1922, e a moderna adaptação de Coppola em 1992. Separados por 70 anos, os remakes conseguiram alcançar o sucesso por boas direções, cenas de arrepiar e grandes intérpretes. O que comprova que minha mãe nem sempre tinha razão, remake pode sim prestar.

Recordando mais remakes de sucesso podemos destacar “Titanic”, de James Cameron em 1997 (Roteiro bastante independente e que por um bom tempo deteve a maior bilheteria de todos os tempos), “O Chamado” em 2002 (Inspirado no japonês “Ringu” de 1998) e “True Lies” de 1995 (Adaptado do francês “La Totale!”) que contou com atuações ótimas de Jamie Lee Curtis e do governador-do-futuro Arnold Schwarzenegger.

 Titanic (1997), O Chamado (2002) e True Lies (1995): exemplos de remakes de sucesso.

Lembro, porém de um remake que eu realmente detestei, e posso até levar umas pedras por causa disso: “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, do tão polêmico Tim Burton. Só pela direção já se sabe que o negócio terá toda aquela licença poética costumeira de Burton, daí você junta uma atuação toda afetada de Johnny Depp e um bombardeio da imprensa em cima. Pra mim a soma disso tudo foi fracasso. O original de 1971 pode não ter sido feito com os melhores efeitos especiais, mas com certeza nos levava a níveis muito mais altos de imaginação. Eu admito que sonhava com as barras Wonka e chorava achava linda a cena onde o avô de Charlie economizava os centavos para comprar uma barra de chocolate para o neto. No remake eu não conseguia desfocar das caretas de um Willy Wonka muito maquiado e com uma peruca bizarra. O roteiro foi assassinado.

 HÁ!

Mais símbolos de desaprovação, mas por outros motivos, foram os remakes de “Romeu e Julieta” de 1996 (Adaptação heterogênea entre vocabulário original e ambientalização nos anos 90) e “Planeta dos Macacos” de 2001 (Mark Wahlberg consegue ser menos expressivo que uma palmeira – mentira, ele consegue franzir a testa! NOT). O mais atual “Paranóia” de 2007, com o jovem astro Shia LaBeouf de “Transformers” e inspirado no clássico “Janela Indiscreta” não chega a ser ruim, mas decepciona no final.

E mais lançamentos ousados vêm chegando: “Karatê Kid” de Harald Zwart (Com Jaden Smith, filho do ator Will Smith como protagonista) tem estréia prevista para o segundo semestre do ano. Há ainda mais duas adaptações que estou doida para ver: “Alice no País das Maravilhas” de Burton – mesmo eu tendo detestado as adaptações do diretor – e “A Hora do Pesadelo” de Samuel Bayer, trazendo de volta o assassino Freddy Krueger. Este último já com trailer disponível na web e prometendo grandes sustos.

Com certeza eu irei bem leve para a cadeira do cinema, pois nem sempre interesse financeiro resulta em um filme ruim. Por mais que remakes sejam fórmulas prontas para lucrar, ao longo da história do cinema fomos presenteados com boas produções. Vale lembrar que a tecnologia 3D tem tudo para surpreender e nos fazer viajar junto com a história, afinal a intenção é entreter, envolver. E que os estúdios juntem o útil ($) ao agradável.

E sobre o remake de “Psicose”, por mais que seja uma cópia bastante fiel, ainda está pra nascer um segundo Hitchcock.

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Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

  • Vc é gracinha d+…. até d+.

    Parabéns pelo texto.

  • Porra, Yuri. Xaveco nos comentários não, véi! Ainda mais com abreviação de miguxo.

  • O Pizurk, não é xaveco não brother!!!
    Tô acostumado com a Uiara e a Bruna, dái vem a Jade e se apresenta tipo: Eu sou a Jade, tenho 19 anos e (…) é um choque muito grande. Acho que nem teve foda-se no texto dela.

    E d+ não é abreviação de MiguXXXXooo

  • Jade Zamarchi

    Pois é Yuri.. já me falaram que sou muito meiga pro Bacon, nem por isso eu vou falar um monte de palavrão aqui. Minha preocupação é escrever um texto que tenha algum conteúdo bacana e não ‘foda-se!’.
    Aliás, obrigada pelo elogio!

  • Anjo_Z

    Ola Jade,

    Vou discordar de você sobre o “Romeu + Julieta”. Aquela adaptação foi o máximo! A cena alucinada dos jovens se enfrentando e um helicoptero da polícia baixando na cena? Montequios e Capuletos como familias mafiosas? Eu realmente achei genial!

    E a fotografia em alguns momentos é realmente primorosa, a cena final na capela/mausoleu é fenomenal…

    Claro, caça-niqueis obvio por causa dos protagonistas, mas tenho que dar os devidos créditos.

    Abraços,
    Anjo_Z

  • D+ é abreviação miguxa sim! E não venha discordar de mim…
    E ao contrário do que vc pensa, a Uiara é uma fofa, o que não quer dizer que será com vc.

  • Mel Zamarchi

    @Anjo_Z
    Boas observações. Porém, gostaria de lembrar que minha crítica ficou restrita à linguagem antigassa que ficou na contramão de todo o clima inovador do filme. Pra mim, essa foi a sentença de morte da produção, linguagem é fundamental. Isso não quer dizer que eu não curta a linguagem original da história, nem tampouco que não dá pra juntar coisas opostas assim, só acho que nesse caso simplesmente não rolou.
    Mas pensando aqui e agora, se algumas falhas como essa fossem corrigidas “Romeu + Julieta” seria realmente um filmaço.

  • Jade… huuummmm baacon…

  • Sávio

    Oi Jade
    Devo confessar que quando via vc assistindo filme no domingo de manhã pensava: “nossa, ela deve gostar de cinema mesmo!”. E quando eu voltava no domingo à tarde e via vc ainda assistindo filme, pensava: “nossa, ela deve gostar de cinema mesmo”!. Agora, depois de ler seu excelente texto, pensei: “nossa, ela deve gostar de cinema mesmo!”
    Parabéns…

  • Não gosto de remakes (Minha opinião pessoal)…Por mais bem feitos que sejam, mais elaborados,SEMPRE seram uma cópia, o que no quesito cinema,quase sempre não dá certo.Vc citou alguns exemplos,mas são muito poucos.

  • @Jade
    Eu já te falei que vc é uma gracinha?
    (agora sim isso é um xaveco!)

  • Jade Zamarchi

    @yuri
    uauauahuhuahuahahuahuha Olha, agora vou ser obrigada a usar as palavras do chefe “Porra, Yuri. Xaveco nos comentários não, véi!”… e nem fora deles, fica a dica. :*

  • Hanna

    olá Jade, uma coisa eu tenho que concordar contigo, o remake de “A fantastica Fabrica de Chocolate” foi um assasinato total ao filme original que era maravilhoso, infelizmente nao sou tao otimista para a nova adaptacao do Tim Burton em Alice no pais das maravilhas, pois um fracasso já foi o suficiente, adoro ele como diretor, foi perfeito em ‘o estranho mundo de Jack” e a “noiva-cadaver” mais uma bomba nos remakes… tenho até medo de ir no cinema para nao ter mais uma decepcao! no mais parabens! adorei a coluna =*

  • Aruk

    Concordo totalmente quanto ao remake do filme “a fantástica fábrica de chocolate” as músicas eram mais marcantes(a world of pure imagination por exemplo), o wonka era mais misterioso e menos maluco…os oompa loompas eram mais cativantes (ou aterrorizantes pra algumas pessoas), por mais que essa mania do tim burton em fazer tudo sombrio seja interessante muitas vezes, transformar um filme que já é ótimo nem sempre agrada todos os gostos.

    Parabéns pelo post jade, eu já esperava que fosse muito bom pelo sua paixão por filmes, mas não esperava que logo no primeiro post fosse superar minhas expectativas, muito bom.

  • eu nunca vi a Fastástica Fábrica de Chocolate do Burton como uma adaptação do filme, e sim como uma adaptação do livro. Inclusive, uma adaptação mais fiel ao livro do que o primeiro filme.
    quanto às músicas, claro, as do primeiro filme foram mais envolventes, não tem como assistir o filme e não sair cantarolando ‘Oompa Loompa do-ba-dee-d’.

    o que quero dizer é que apesar de ambos os filmes serem adaptações de um livro (pois não considero, com já disse, O filme do Burton como um remake) acho que a interpretação de ambos os diretores foi muito boa, elas apenas foram muito distoantes uma da outra, mas nunca distoantes do livro.

    deu pra entender? haha

  • Eu vejo que muita gente as vezes fica na do: “Em filme antigo não se pode mecher e pronto!.” mas poha, a adaptação muitas vezes é uma nova maneira de se olhar um objeto. como a @savoy disse, pode-se pensar em “a fantástica fábrica”como uma nova visão sobre o livro.

    Podem jogar pedras a vontade, mas o primeiro filme é extremamente comum, não tem nada demais e, mesmo sendo de 71, deixa muito a desejar em questão de roteiro e atuações.

    Mas sempre vem os moderninhos senhores do, “ahh, o antigo é melhor e bla bla bla “. pura balela.

    Pra ser sincero gosto muito mais da versão nova. Nao por causa de tecnologia ou efeito, mas porque o Tim Burton conseguiu colocar a cara do Tim Burton no filme e pronto.

    Amem-o ou esqueçam-o.

    E que venha ALICE!

  • A questão é a seguinte: independente da qualidade, o que marca mesmo é a nostalgia da primeira versão

  • Galera a hora do pesadelo teve varios filmes e fizeram remake apenas do remake vcs sabem se irao fazer de todos?

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