Oldboy – Dias de Vingança (Oldboy)

Cinema quinta-feira, 05 de junho de 2014

 Joe Ducett (Josh Brolin) é um homem arrogante e irresponsável, que enfrenta problemas no trabalho e com a família. Um dia, ele acorda em um quarto, e descobre que foi trancado lá dentro. Pelos próximos 20 anos, Joe permanece em cativeiro, sem saber quem o sequestrou, ou as razões deste ato. Enquanto isso, ele descobre pela televisão que sua ex-esposa foi assassinada, e que ele é o principal suspeito. Um dia, Joe é liberado. Com a ajuda de uma assistente social (Elizabeth Olsen), ele terá apenas três dias para descobrir quem o prendeu, porque foi preso e, acima de tudo, porque foi solto.

Oldboy é com certeza um marco no cinema oriental. Possivelmente foi o mais aclamado filme feito lá e fez o mundo todo olhar para o cinema oriental como ele é de verdade, uma obra de arte. Agora, seria necessário fazer um remake dessa obra prima? Afinal de contas o filme só tem 10 anos, será que realmente vale a pena?

Pra falar a verdade, valeu sim.

A versão americana de Oldboy fez algo importantíssimo numa adaptação/remake: Manteve-se fiel. Claro, sempre é necessário um pouco de mudança; para um publico ocidental, muito dos valores expostos na versão coreana não se encaixam; mas mesmo assim, dessa vez, a obra foi respeitada, Spike Lee até fez alguns ângulos de câmera e enquadramentos exatamente como o original. Isso demonstra muito respeito pela obra.

Roteiro

Joe Ducett é um grande babaca, ele é ignorante, arrogante e repugnante. Certo dia ele cai de bêbado, é espancado e acorda em um quarto com somente uma televisão e um banheiro. E lá ele vive por 20 anos. Lá dentro, ele descobre que esta sendo acusado de estuprar e matar a ex-mulher. Sem acesso a mais nada, ele passa a encenar as lutas que ele vê, fazer exercícios de ginástica e fica amigo de um rato. Após o tempo passar, quando ele acredita que descobriu um caminho pra fugir, ele é desmaiado e acorda em uma mala, próximo a um campo de futebol.

Desnorteado e perdido, Joe acaba por encontrar Marie, uma espécie de enfermeira, assistente social, algo do tipo, e vai atrás de seu amigo de universidade Chucky, que é dono de um bar para ajudá-lo a descobrir quem o aprisionou e porque fizeram isso.

O filme segue frenético, com cenas que remetem à sua versão original, com traços fortes de violência, gore, caminhando bem próximo de um filme trash, até atingir seu ápice no final, quando todas as respostas são jogadas na sua cara, como ferida aberta, de forma sanguinolenta, violenta e grotesca. Eu prefiro o final coreano, mas esse final é muito bom também.

Personagens

O personagem principal, Joe Ducett, começa como um grande escroto de pessoa. Antes de seu cárcere, ele é um animal ignorante, que abusa do álcool e da boa vontade das pessoas. Assim que ele é sequestrado, as coisas mudam: Sua postura começa a mudar e o desejo por vingança o torna um homem amargurado e frustrado. Quando seu relacionamento com Marie cresce, essa amargura dá lugar a um olhar de esperança, de que as coisas podem ser melhores depois. E quando chegamos ao fim do filme, tudo se transforma novamente.

A irmãzinha das gêmeas Olsen, dá as caras nessa produção como Marie, a enfermeira que cuida de Joe e dá à ele um pouco de humanidade, em meio ao caos da vida que se apresenta. A personagem em si não vive a trama, estando de fora de muitas cenas envolventes e é, infelizmente, uma fraqueza, pois a releitura de Spike Lee poderia ganhar muito mais com essa personagem sendo mais envolvente.

O terceiro personagem dessa super produção é Adrian Pryce, um homem que desde sua primeira cena demonstra muito rancor e sofrimento, carrega com ele uma tristeza gigantesca que fica estampada em sua cara durante o filme inteiro, mesmo quando ele atinge seu objetivo. Quem interpreta é Sharlto Copley, que nos sabemos é um ator inconstante, e infelizmente dessa vez ele está em baixa. Ele não carrega tanto a psique distorcida do personagem e fica devendo.

EUA X Coréia

É impossível analisar um remake sem fazer ligação com o seu antecessor, principalmente quando a versão original tem somente 10 anos. Então eu resolvi colocar alguns pontos aqui pra ajudar vocês a entenderem.

Joe Ducett X Dae-su: Ambos são maravilhosamente interpretados por Josh Brolin e por Choi Min-sik, respectivamente. Brolin da uma pegada mais crua a ele, deixando ele mais sem esperança e mais brutal enquanto Choi carrega a confusão de um homem que passou muitos anos fora do convívio social. Melhor ou pior? Vai completamente de gosto pessoal, eu achei as duas interpretações fantásticas.

Roteiro: Aqui a briga esquenta. A versão coreana é claramente mais explicita, mais violenta e mais brutal, enquanto a versão americana é quase que uma copia light da coisa. Isso incomoda quem assistiu a versão coreana e assiste a versão americana. Por isso, tente assistir elas com olhos diferentes, como se fossem dois filmes diferentes e não um remake do outro, sem dúvida você vai se divertir mais.

Spike Lee X Park Chan-wook: A direção de Spike Lee é uma ode a direção de Park, ele claramente deixa tudo como se o coreano tivesse dirigido. Isso é tão bom quanto ruim. Para quem não viu o primeiro filme, vai achar a direção hiper inovadora, enquanto os fãs da primeira vão achar ela completamente sem personalidade. Novamente, veja os dois como duas coisas em separado.

Considerações Finais

Eu assisti os dois filmes, tanto o coreano quanto essa versão americana e o que me passou pela cabeça foi que falta algo. A versão americana não é nada ruim, Josh pra mim esta fantástico, mas falta algo nessa versão. Mas como um todo, como um filme novo, sem ligar ele a versão antiga ele é um filme fantástico, que vale muito a pena assistir.

Oldboy – Dias de Vingança

Oldboy (104 minutos – Ação)
Lançamento: EUA, 2014
Direção: Spike Lee
Roteiro: Mark Protosevich
Elenco: Josh Brolin, Elizabeth Olsen, Sharlto Copley, Samuel L. Jackson, Michael Imperioli, Max Casella

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