Oi, Oi, Oi, TCHAU.

Televisão quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tá todo mundo vivendo essa dor de cotovelo de fim de namoro. Tá todo mundo sentindo saudade, sentindo falta, lembrando de como era e de como não é mais. Tá todo mundo comentando, falando sobre, discutindo e esperando que o que vem depois seja tão bom ou melhor do que o que acabou. É o fim de um relacionamento. Só que o fim de um relacionamento com uma novela. Oi, né? Oi Oi Oi.

Pois bem, acabou Avenida Brasil. E eu não sei se antes o que faltava pra galera se engajar tanto em uma novela da Rede Globo era a falta – ou a disseminação menor – de redes sociais, ou se era um bom roteiro com bons personagens, ou a identificação por parte do público. O fato é que a novela fez sucesso, e muito.

Não sei se vocês tão ligados, mas no último mês de exibição da novela da Carminha e do mistério de ~quem matou o Max, eu não estava no Brasil. Mas assistia a novela – com um dia de atraso – TODO.O.SANTO.DIA, e fazia galera assistir em peso comigo. E, newsflash: Assistiam, e faziam disso o assunto do dia. A cada capítulo, uma nova “bomba”. A cada “bomba”, um novo motivo pra passar o dia comentando, indo atrás de informação, vendo na internet o que ia acontecer, especulando em algum canto o que o personagem tal ia aprontar, sair falando desenfreadamente no Twitter as frases que o autor escrevia e compartilhar no Facebook imagens com frasezinhas de impacto.

A novela do OI OI OI deu mesmo o que falar, aparentemente. E o mais incrível é a falta de capacidade das pessoas de superar a falta, ou a ausência da novela agora. Como uma crise de abstinência. Enquanto eu ainda estava em solo americano, na sala de espera pra embarcar para o Brasil, os outros passageiros que também esperavam, brasileiros, tinham um assunto em voga: A novela. Uns comentavam entre si, outra estava no telefone ligando pra mãe pra contar do passeio que fez e perguntar se a Carminha tinha mesmo matado o Max, outro resmungava que a próxima novela não teria tanta graça quanto a que tinha acabado na noite anterior, e outros soltavam bordões como “Assim você mata o papai”. De um jeito um tanto exagerado, é como se a galera tivesse ou ficado órfã, ou tomado um pé na bunda e tivesse que lidar com o sofrimento de ser abandonada.

Exagero? Nem tanto, né gente. A gente ta cansado de saber da necessidade que o ser humano tem de ser aceito em uma sociedade ou algo do tipo. A novela mexeu com todo mundo, desde seu roteiro envolvente até a escolha da trilha, que agradava o público de massa. Não que eu curtisse, porque né? Me desculpem, eu não curtia. Mas não dá pra negar que a galera entrou na onda e saiu cantando por aí. Com personagens carismáticos, caricatos e marcantes, foi fácil envolver a maioria dos brasileiros e fazer todo mundo ficar quietinho na hora da novela, como se fosse final de Libertadores ou Copa do Mundo. Exagero? Haters, desculpa, mas não é. Foi mesmo um negócio meio avassalador, mas fácil de entender, uma vez que todo mundo estava por dentro do que acontecia depois do Jornal Nacional e, de repente, o assunto do dia ficou mais limitado. O grupo se desfez, e agora ninguém mais comenta as chatices da Nina ou as maldades não tão más assim da Carminha. Agora, todo mundo precisa de um esforço maior pra se encaixar num grupo novo, porque o grupo Avenida Brasil foi obrigado a se extinguir da sociedade. Não é que a novela foi maravilhosa: Ela teve o que precisava pra gerar envolvimento e fazer a galera em peso se interessar. E se sentir acolhida quando, no dia seguinte, pertencia a um grupo que tinha o mesmo interesse: Saber quem matou o Max e com quem o Cadinho ia ficar.

Mas, como todo fim de relacionamento, é hora de seguir em frente. Um novo amor sempre aparece e, no caso, uma nova novela começou pra deixar a galera com raiva no começo, comparando com a ex em seguida, e amando loucamente no final. Até a próxima dor de cotovelo, ou o próximo capítulo.

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  • A Adriana Esteves tava foda. O cara que fazia o maluco que ria com “HIHIHI” deu BANHO de interpretação. Foda é pseudo-intelectual no facebook que não sabe reconhecer trabalho bem feito.

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