O Trono do Sol (S.L. Farrell)

Livros terça-feira, 19 de junho de 2012

Depois de algum tempo aguentando histórias de zumbis – ou qualquer outro tipo de apocalipse, até aliens – a moda agora é esse tipo de ficção, onde grupos de famílias disputam o poder numa região. Ou seja, um tipo de história mais adulta, que apesar de conter magia e sobrenatural, foca mesmo nos embates políticos, guerras e sexo, especialmente a variação lésbica. Sério, hoje em dia livros de luzinhas mágicas fazendo ZUIN ZUIN perderam o pudor totalmente e qualquer protagonista vai copular miseravelmente em alguma página. Na maioria das vezes, mais de 25 duas. Mas enfim, divago.

Quis me referir a Guerra dos Tronos e até mesmo às Crônicas do Matador de Rei, que cê pode ler sobre aqui ó.

É fato: Quando algum tema tá na moda é difícil encontrar ao menos uma obra de qualidade aceitável. Duas nem se fala. Mas já provei diversas vezes que sou masoquista e comprei o maldito livro, embora soubesse que provavelmente seria uma bosta. E cara, devia jogar na loteria, por que tô sempre certa. Pesquisando um pouco, descobri que o título original, traduzido, é A Magia da Alvorada. Por que mudaram? Por que, além do nome alvorada ser mal visto no Brasil, precisavam também aludir a um certo trono feito de algum metal aleatório. Acho que era de níquel. Ou seria de lítio?

A primeira coisa a ser notada é: Na capa do livro, há uma declaração do George Martin. Só isso já fez com que uma sirene e auto-falantes gritando PERIGO PERIGO surgissem em minha cabeça. E o que encontrei foi só mais um livro sem sal, que tenta buscar carona nessa cauda de cometa no assunto em alta do momento e falha miseravelmente.

A história começa em Nessântico, uma cidade cheia de gente babaca e rica até o bumbum fazer bico. Tipo São Paulo, sabe? Lá, as pessoas identificam o status umas das outras pelo prefixo antes do sobrenome, que varia do mais baixo, Ci, até o comedor de bundas, Ca. Todo ano sai uma listinha de quem foi rebaixado ou elevado. Como a lista de mais famosos da Capricho. Todo mundo importante é Co’Fulano ou no máximo Ca’Beltrano. Quem não for, literalmente, Ce’Fudeu. A religião oficial é a Concenzia e os sacerdotes treinam pra abrir e controlar o Ilmodo, uma espécie de magia muito difícil e desgastante. Mais difícil que PVP contra asiático ou gordo americano.

E tá aí um dos pontos interessantes. Os sacerdotes costumam ter a mente fechada e regulam umas regras bestas. Curar pessoas por meio do Ilmodo é proibido e punido com a morte. Há, embaixo disso, certa crítiva à religiosidade exagerada. Parabéns pro autor. Alguma coisa tinha que prestar, senão essa porra aqui ia ser pior que Queprúsculo.

Voltando. A governante da cidade é chamada de Kraljica e já tá passando da idade. O início da história são os preparativos pra festa do quinquagésimo ano de governo da velhota e seu filho, Justi, um cara que é bonito até abrir a boca, e queria muito que a mamãe morresse. Típico herdeiro lambão e mimado, mas o que seria do mundo sem clichês, não?

Tirando o príncipe, seja lá que nome estranho se dá pro herdeiro do trono – pode muito bem ser Quentão, Cocada ou qualquer comida de São João -, a outra protagonista é uma menina chamada Ana, abusada sexualmente pelo pai enquanto tenta desesperadamente manter a mãe viva. Ana treina pra ser sacerdotisa e é cheia de potencial. Depois de um certo acontecimento num evento público, ela é chamada pra fazer parte de um time de seguranças oficiais.

É nessa base que o resto se desenrola. Mais pro fim, estoura-se uma guerra extremamente chata e inverossímil. Acredito que até um cachorro poodle entenda mais de estratégia de batalha que 99% dos generais em campo. O final é absurdo e deixa milhares de pontas soltas que seriam explicadas nos outros dois livros da série se o prólogo não desse a impressão de retomar a história décadas depois.

Enfim, leiam, mas não esperem nada muito sério. A leitura é rápida e não desgasta, e, apesar da falta de tempero da história, dá pra divertir. Só sugiro doses cavalares de Stephen King ou Tolkien depois, só pra recuperar a masculinidade.

O Trono de Sol


A Magic Of Twilight
Ano de Edição: 2012
Autor: S.L. Farrell
Número de Páginas: 580
Editora: Leya

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  • Loney

    Nada que a LeYa publica presta. E porra, Stephen King tá longe de ser másculo.

  • Paulo

    “mimimi quero que alguém venha me enfrentar falando que Game of thrones é a melhor coisa da terra e eu vou esculachar por que sou hipster hahahaha” – Loney
    Ps. Adoro seus textos :D

  • Loney

    hueheuhuehueh viva o poder sepia o/

  • O Loney é m´ó tia velha u_u

  • Loney

    tru stori

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