O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre)

Bogart é TANGA! terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eis que venho aqui, me apropriar temporariamente desta coluna, pra falar do que talvez seja o melhor filme de um dos maiores diretores de todos os tempos. E que muitos de vocês não devem nem ter ouvido falar, né. Essa juventude de hoje está muito mudada, como diria certa vez o sábio Bruce Wayne.

O Tesouro de Sierra Madre conta a história de três homens que partem em busca, bem, de um tesouro em Sierra Madre. Esse argumento dá até a impressão de que temos pela frente um simples filme de aventura, Sessão da Tarde feelings. Mas não nas mãos do diretor John Huston. Essa aparente simplicidade se torna a base pra um retrato perfeito da natureza humana. Na verdade, o filme atinge a perfeição em quase todos os aspectos, mas vamos por partes.

O filme começa com Fred C. Dobbs (Humphrey Bogart), desempregado, pedindo esmolas em alguma cidade do México. Logo ele encontra Bob Curtin (Tim Holt), que se encontra na mesma situação, e os dois se juntam, já que a união faz a força. Ou não, já que quando ambos encontram trabalho, o empregador foge sem pagar ninguém. Mas depois eles tiram o dinheiro do cara na porrada, então faz a força sim. Enfim, no meio desse processo eles acabam encontrando Howard (Walter Huston), um velho garimpeiro que procura parceiros pra iniciar uma nova expedição em busca de ouro. Como não tá fácil pra ninguém, eles logo abraçam a ideia e partem pras montanhas de Sierra Madre.

Já nas montanhas, os protagonistas enfrentam bandidos mexicanos, índios, autoridades e a própria natureza, mas por trás de tudo isso a história vai se desenvolvendo através da revelação da verdadeira personalidade de Dobbs, Curtin e Howard e a deterioração na relação entre eles. E é aí que aparecem as atuações GENIAIS de todo o elenco. Do Bogart, que é tanga saindo muito bem do seu papel padrão, até o líder dos bandidos mexicanos, interpretado pelo ator mexicano Alfonso Bedoya, desconhecido até então. Mas quem rouba mesmo a cena é Walter Huston, que convence perfeitamente em todos os momentos do filme, seja procurando ouro, seja servindo de curandeiro pra uma tribo indígena. Porra, dá até pra pensar que na verdade ele era um garimpeiro de verdade e ator nas horas vagas. Tanto que os produtores chegaram a pedir pra que ele baixasse o nível da atuação, com medo de que Bogart fosse ofuscado.

Mas se os atores são um espetáculo a parte, nada disso seria possível sem a direção do John Huston. O filme prende do inicio ao fim, com Curtin e o experiente Howard assistindo passivamente o ouro lentamente transformar Dobbs em uma sombra de sua ganância, até o inevitável conflito entre eles, numa abordagem bem interessante daquela antiga máxima de somos nossos piores inimigos.

Gradativamente, somos transportados para a mesma montanha da história, onde a maior preocupação de cada um é ser assassinado pelo outro durante a noite. E isso ocorre em boa parte por outro acerto do diretor, que bateu o pé pra que as filmagens ocorressem realmente no México, e não em Hollywood, como os estúdios queriam (E era comum até então). Assim, a gente quase consegue sentir a aridez do deserto e o isolamento em que os protagonistas se encontram, de um jeito que eu só tinha visto nos filmes do Sergio Leone. Tá, isso fez com que as filmagens atrasassem e o orçamento estourasse, mas também deixou a coisa toda com a cara do John Huston, grandioso, ousado, e genial.

Como se não fosse o suficiente, o filme ainda tem um final sensacional que consegue fechar a trajetória de todos os personagens da forma mais apropriada possível. E sim, a palavra perfeição e suas variações foram usadas por vezes demais nesse texto, eu sei. Mas era inevitável, o filme é excelente em todos os sentidos. Sem ser pretensioso, é divertido, marcante, tecnicamente perfeito (Olha aí de novo), quase uma definição de clássico. Tanto que foi o responsável pela primeira premiação de pai e filho no Oscar, com os prêmios de Melhor Diretor e Roteiro pro John Huston e Melhor Ator Coadjuvante para seu pai, Walter Huston. Mas como isso foi possível?, pergunta uma voz fina vinda do desconhecido. Ora caro leitor, simplesmente porque eles venderam suas almas para… O Tesouro de Sierra Madre.

O Tesouro de Sierra Madre

The Treasure of the Sierra Madre (126 minutos – Aventura)
Lançamento: EUA, 1948
Direção: John Huston
Roteiro: John Huston, baseado no livro de B. Traven
Elenco: Humphrey Bogart, Walter Huston, Tim Holt, Bruce Bennett

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  • yuri

    Ia colocar o Dobbs no artigo dos caras nos quais não se espelhar, mas pensei bem e concluí que o Darth Vader é muito mais zé cuzão!!!!

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