O problema dos bons livros

Livros segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Você já deve ter lido, assistido ou até mesmo passado por algo que achou incrivelmente foda. Bem, pessoalmente, já li boas coisas, vi uns ou outros filmes e séries legais e já me fodi algumas vezes, o que garantirá algumas histórias para os meus netos, e isso tudo é uma maravilha, mas nada é perfeito, principalmente as boas coisas.

 Não achei uma imagem legal pra por aqui.

Como vocês devem saber, eu gosto de livros, e graças à isso já li vários deles, e posso dizer, com uma boa dose de certeza, que já li alguns que são realmente bons, pelos mais variados motivos: Perícia técnica do autor, as ideias que expõe, o desenvolvimento de história e personagens, finais inesperados, criatividade, enfim, há muitas coisas que podem fazer a diferença entre um livro legal e um livro incrível. E estes livros são os que realmente valem à pena de ler, passar a noite acordado para descobrir o final do capítulo, mas todos eles tem algo em comum, um problema em comum: Você sempre se lembrará dele.

Há vários anos atrás, li o livro Eu, Detetive: o Enigma do Quadro Roubado da Stella Carr. Basicamente é um livro interativo: São apresentados os suspeitos, o caso (O roubo do quadro, obviamente) e no decorrer do livro várias pistas aparecem, para que no final você descubra quem roubou o troço. É uma ideia simples, mas que na época eu achei incrível (E ainda acho), com tramas secundárias, culpados que não parecem culpados, inocentes que parecem culpados e tudo mais. A resposta real vinha no fim do livro, lacrada, para que você simplesmente não pulasse até o final e visse o que realmente rolou, e acreditem, eu sequer cheguei perto de resolver o caso, e me lembrarei pelo resto da minha vida do roubo.

Não tenho nenhuma doença degenerativa ou problemas de memória (Ao menos por enquanto), então, lembrarei os finais dos livros que mais gostei de ler, e isso é uma merda: Nunca mais poderei lê-los e ter a mesma supresa e/ou diversão que tive da primeira vez. Sempre vou lembrar que o Frodo sai do Condado, que o monstro de Frankstein morre e que Arthur Dent explode. Eu poderia pular de cabeça do terceiro andar de algum prédio, mas as chances entre “perder a memória” e “ficar ainda mais feio” pendem para a segunda opção.

Acreditem, fazer o parágrafo anterior foi difícil porque eu não queria dar nenhum spoiler (Porra, se você tá reclamando daqueles alí, vá para a casa do caralho), porque eu quero que vocês tenham a mesma satisfação que eu tive ao descobrir algumas coisas. Sim, o Harry morre, revive e casa com a Gina, mas não vou dizer o que rola no final de Moby Dick (Se bem que cês já devem saber).

 Olho-tonto, Lupin, Sirius, Dumbledore, Fred (Ou George), Tonks e mais metade da galera morre.

Bons livros são tidos assim porque se saem muito bem em alguma coisa (Ou em várias delas), e acabam por mudar a vida das pessoas, seja isso bom ou ruim, e como consequência (Ou preço) por você poder lê-lo, você nunca mais irá esquecer como as coisas terminam e até mesmo o que fez com que elas terminassem do jeito que terminaram. Esta obra, para você, estará eternamente inutilizada, e tudo que você pode fazer é passá-la adianta, para que outras pessoas repitam seus passos (Ou pular do terceiro andar).

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  • Willian

    Não concordo muito com esse negocio de o livro estar inutilizado depois de ler uma vez. É claro que é sempre bom ler algo que não se conhece mas na maioria das vezes o interessante nem chega a ser o final propriamente dito mas como tudo chegou naquele ponto.
    O que me faz reler um livro não é tentar resgatar a sensação que tive na primeira vez que o li, mas sim o entretenimento proporcionado ao longo da historia.
    Acho que alguns livros não podem ser lidos apenas uma vez, seja por causa da complexidade como no caso do Silmarilion ou Contos Inacabados ou seja porque cada vez que voce os le a historia parece diferente do que voce se recorda como O Pequeno Principe.

  • Gabriel

    É por isso que eu gosto de obras onde o ponto está no decorrer dela e o final é só o ponto final, não é um fechamento da História. É por isso que vou poder ler Misto Quente, Apanhador no Campo de Centeio e mais uma porrada de livro sem se preocupar com o final, só relembrando dos belos parágrafos que enchem os olhos.

  • Gabriel

    Caralho, escrevi como um disléxico. história* e encheram*

  • Julio Kirk

    Dizia Nelson Rodrigues: “O importante não é ler muito, mas reler muito”. E como disse o rapaz ali, tem certos livros que não têm uma “surpresa” no final e que eu leria muito bem sim. Cê deixa de assistir um filme por que já conhece o final? Nem eu.

  • Loney

     Sim, eu sei que o translado é a melhor parte da viagem, mas há casos em que as revelações alí são o grande ponto.

    Você pode reler a coisa sem problema, e vai gostar, mas nunca vai ser igual: cê começa a ler já sabendo como termina.

  • Loney

     Hehe… esse é um ponto interessante cara: não deixar o final para o final, coisa que, dependendo da história, acaba sendo inevitável.

  • Rafa

    Que merda, eu to na pag 138 do Frankenstein. Spoiler cirúrgico. Isso sim é azar.

  • Loney

     Eu conto o final do filme pra quem não sabe =X

  • Loney

     auhsuahsahusauasauhu porra, não foi de propósito =/

  • guilherme

    Eu me amarro em reler livros. Amo rever filmes. A única diferença de quando releio um livro, é que eu não vou com tanta sede ao pote. Mas é interessante você reler e observar outros pontos que passaram despercebidos. Por exemplo, talvez se você reler 
    Eu, Detetive: o Enigma do Quadro Roubado, perceberá que o assassino estava claro desde o início.

  • Loney

    Pior que não cara, é justamente feito pra dar a dúvida, no melhor estilo “todos tem motivo mas só um fez”.

  • Jo Jopes

    O maior problema dos bons livros ultimamente é que eles tem se tornado péssimos filmes. 

  • Vá vc

    Arthur Dent explode…? Fela, precisava mesmo desse spoiler? São livros totalmente descontraidos que não pedem nenhuma pressa… Não sabia que tinha que correr e ler o caramba dos 6 livros só pq um fdp pode acabar me contando algo importante assim.

  • yuri

    Há livros e livros. Tipo, SdA eu nunca mais vou ter saco pra ler. Já sei o final. Não tem nada perdido entre as entrelinhas.

    Agora, o caso d´O Alquimista, O Pequeno Príncipe e tals é diferente. Cada passagem do livro você percebe que algo mudou (ou você mudou). Acontece o mesmo no cinema. Por mais vezes que você assista O Clube da Luta, você sempre vai notar algo de diferente na bagaça.

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