O Oscar Mórbido

Clássico é Clássico segunda-feira, 05 de outubro de 2009

Continuando minhas postagens sobre os bastidores do maior prêmio do cinema, hoje falarei sobre um assunto que ficou em evidência na última cerimônia: o Oscar póstumo. Mas não só isso, também falarei sobre alguns famosos casos de atores que tiveram pouco tempo para degustar seu prêmio. Vamos então honrar a memória de grandes nomes do cinema que se foram, mas não sem antes serem eternizados como vencedores do “careca dourado”.

Oscar Póstumos

Peter Finch (28 de setembro de 1916 — 14 de janeiro de 1977) por

Rede de Intrigas

(Sidney Lumet, 1976)
Peter Finch foi responsável por um dos melhores monólogos da história do cinema (e que vocês podem devem conferir abaixo) interpretando um jornalista que ameaça se matar em rede nacional. Ironicamente apenas um mês antes de ser premiado por essa fantástica atuação, Finch morreu devido a uma parada cardíaca. Mas seu discurso ficou eternizado nessa coluna na mente de todos que assistiram a essa obra prima de Sidney Lummet.

E o monólogo escrito para quem quiser acompanhar.

I don’t have to tell you things are bad. Everybody knows things are bad. It’s a depression. Everybody’s out of work or scared of losing their job. The dollar buys a nickel’s work, banks are going bust, shopkeepers keep a gun under the counter. Punks are running wild in the street and there’s nobody anywhere who seems to know what to do, and there’s no end to it. We know the air is unfit to breathe and our food is unfit to eat, and we sit watching our TV’s while some local newscaster tells us that today we had fifteen homicides and sixty-three violent crimes, as if that’s the way it’s supposed to be. We know things are bad – worse than bad. They’re crazy. It’s like everything everywhere is going crazy, so we don’t go out anymore. We sit in the house, and slowly the world we are living in is getting smaller, and all we say is, ‘Please, at least leave us alone in our living rooms. Let me have my toaster and my TV and my steel-belted radials and I won’t say anything. Just leave us alone.’ Well, I’m not gonna leave you alone. I want you to get mad! I don’t want you to protest. I don’t want you to riot – I don’t want you to write to your congressman because I wouldn’t know what to tell you to write. I don’t know what to do about the depression and the inflation and the Russians and the crime in the street. All I know is that first you’ve got to get mad.
You’ve got to say, ‘I’m a HUMAN BEING, Goddamnit! My life has VALUE!’ So I want you to get up now. I want all of you to get up out of your chairs. I want you to get up right now and go to the window. Open it, and stick your head out, and yell,
‘I’M AS MAD AS HELL, AND I’M NOT GOING TO TAKE THIS ANYMORE!’ I want you to get up right now, sit up, go to your windows, open them and stick your head out and yell – ‘I’m as mad as hell and I’m not going to take this anymore!’ Things have got to change. But first, you’ve gotta get mad!… You’ve got to say, ‘I’m as mad as hell, and I’m not going to take this anymore!’ Then we’ll figure out what to do about the depression and the inflation and the oil crisis. But first get up out of your chairs, open the window, stick your head out, and yell, and say it:
“I’M AS MAD AS HELL, AND I’M NOT GOING TO TAKE THIS ANYMORE!”

Heath Ledger (4 de abril de 1979 — 22 de janeiro de 2008) por

Batman – O Cavaleiro das Trevas

(Christopher Nolan, 2008)
Curiosamente, o segundo caso de Oscar póstumo para um ator também aconteceu cerca de um mês antes da premiação… DO ANO ANTERIOR a cerimônia que o filme concorreu. E como todos sabemos, isso gerou um ano inteiro de expectativas, discussões e especulações, aliada pela maior campanha viral já feita por um filme. Mas independente do que alguns críticos falaram, a premiação foi merecida. Só é uma pena que o jovem ator (que já tinha alcançado o estrelado com O Segredo de Brokeback Mountain) não teve tempo de se consolidar como um dos mais expressivos nomes da nova geração.

Em cima da hora

Henry Fonda (16 de maio de 1905 — 12 de agosto de 1982) por

Num Lago Dourado

(Mark Rydell, 1981)
Henry Fonda foi sem sombra de dúvidas um dos maiores atores da história do cinema. Eternizado em filmes como As Vinhas da Ira, 12 Homens e uma Sentença e Era uma Vez no Oeste, Fonda curiosamente (só sendo indicado uma vez como ator, até então) tinha ganho um prêmio honorário no ano anterior, por sua contribuição ao cinema. Ainda sim levou o prêmio em 1982 com uma atuação à sua altura, no magnífico Num Lago Dourado – que também marcou o quarto Oscar de Katherine Hepburn, se tornando a maior vencedora dos 81 anos de premiação.

Geraldine Page (22 de novembro de 1924 – Nova Iorque, 13 de junho de 1987) por

O Regresso Para Bountiful

(Peter Masterson, 1985)
Um dos poucos casos em que o Oscar consegue corrigir suas injustiças. Geraldine Page, considerada uma das maiores atrizes de sua época, só foi premiada em sua oitava e última indicação ao prêmio, na sua tocante atuação como uma senhora que tenta voltar para a casa em que passou a infância. Não foi a toa que Page protagonizou um dos momentos mais emocionantes da história do Oscar ao ser aplaudida de pé por todos os presentes na cerimônia.

Menção Especial

Massimo Troisi (19 de fevereiro de 1953 — 4 de junho de 1994) por

O Carteiro e o Poeta

(Michael Radford, 1994)
O caso de Troisi é um dos mais trágicos e curiosos da história da academia. Até então desconhecido fora da Itália, Massimo conseguiu sua chance de ouro ao interpretar o carteiro do poeta Pablo Neruda – no filme sensação da cerimônia de 1996, uma das únicas obras não-americanas a chegar a marca cinco indicações, incluindo Melhor Filme. E o ator finalmente tinha conseguido o reconhecimento de Hollywood, sendo indicado a melhor ator e por melhor roteiro original (apesar do filme só ter levado por melhor trilha sonora). Tudo estaria maravilhoso se não fosse pelo simples fato de ter morrido de ataque cardíaco no dia seguinte aos fim das gravações.

Espero que essas histórias sirvam de lição para todos: alguns não viverão para colher os resultados de seus trabalhos. Então não levem tudo muito a sério e aproveitem enquanto ainda há tempo.

Leia mais em: , ,

Antes de comentar, tenha em mente que...

...os comentários são de responsabilidade de seus autores, e o Bacon Frito não se responsabiliza por nenhum deles. Se fode ae.

confira

quem?

baconfrito