O nome de um personagem

Analfabetismo Funcional segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dias atrás estava vendo umas noticias por aí e me deparei com uma que me chamou a atenção. Chuck Palahniuk iria escrever um novo livro e ali ele estava fazendo um concurso pra escolher um leitor para que o nome dele fosse o de algum personagem do livro. Não chega a ser uma coisa grande ter seu nome em um personagem, mas isso me fez pensar sobre quantas vezes eu já conheci pessoas com nomes de personagens de livros e fiquei tentado a ver o que eles tinham de igual. Se tentei fazer isso ou não, é segredo.
Uma coisa que sempre ficou na minha cabeça é a de que um nome às vezes pode definir a personalidade de uma pessoa. Tipo, um cara chamado Epaminondas pode parecer um chato, pentelho, assim como um cara chamado Bob dá a impressão de ser um mendigo ou um daqueles personagens aleatórios, como o barman, ou o cara da gerência do hotel. Tá, isso é algo que eu não tenho como provar, mas acho que algumas pessoas que compartilham de um mesmo nome às vezes tem traços de personalidade em comum, algo sem explicação e que, por falta de argumento, vou deixar assim como está.
Personagens de um livro são seres que vivem em seu próprio universo, que tem tudo o que querem, desde que esteja de acordo com a vontade de seu Deus, o escritor da história. Ali, ele é o fodão, o cara principal, tudo gira em torno dele, tudo o que ele sabe já o salvou diversas vezes e o tornou o que é. Por isso que um personagem que passa de livro pra livro se torna tão carismático, aquilo de o leitor começar a se identificar com ele é o que o torna tão especial. Mas quando o Deus escritor filho da puta resolve acabar com tudo, é como se aquele cara ali, que só existe no papel, estivesse morrendo, até que, por fim, tudo acaba. Esse parágrafo foi estranho, mas tudo bem, acho uma justificativa pra ele mais pra frente.
Bom, agora, imagina se esse personagem fodão tem um nome que é conhecido por você, digamos o nome de seu tio desconhecido, que você só ouve falar as vezes? Em uma mente fraca, os dois podem acabar se misturando, acabando por se tornar um só na cabeça daquela pessoa. Isso me lembra um episódio de Simpsons, que Homer tem seu nome usado em um personagem de uma série. Tudo vai bem, com ele agindo como se fosse o personagem, dando autógrafos e tudo o mais, até que uma mudança no roteiro fode com tudo o que ele tinha “conseguido” até ali. É um episódio legal e ele ilustra bem o que eu quero dizer, quem souber o nome dele, favor se pronunciar. No caso, Homer, cara meio doido, começa a agir como o personagem somente por compartilhar o mesmo nome que ele.
E agora, voltando ao assunto, como seria se um personagem fosse inspirado realmente em uma pessoa real? Nada daqueles livros baseados em fatos reais, vamos dar uma melhorada nisso. Pense no seguinte: Dia após dia, você anda pelas ruas, vive sua vida da mesma maneira. Um dia, ao prestar atenção em outras coisas, começa a perceber que uma pessoa sempre está em todos os mesmos lugares que você. Aquele fato começa a incomodar, até que, por fim, depois de algum tempo, alguém te fala que tal livro tem um personagem que lembra muito você. Ao conferir, acaba por descobrir que aquele é você, a maneira de agir, falar, olhar o nada, rir, tudo aquilo ali é VOCÊ, até mesmo o nome. O que aconteceria? Você ficaria meio louco, paranóico com tudo o que fez antes, pensando que partes era observado, ou ignoraria e viveria normalmente? Duvido que a segunda resposta seja escolhida, isso seria como invadir a privacidade de alguém demais. Mas acho que poucos se sentiriam homenageados com isso, principalmente porque foi algo escrito contra a vontade de uma das partes.
O oposto pode acontecer. Assim como existem cosplayers para se travestirem de seus personagens favoritos, tem aqueles que também se vestem e agem como personagens de livros. Teatro é isso no fim das contas, só que sem um evento que eles são o centro da atenção. O que importa ali é a história, o que eles estão falando, a interpretação de tudo aquilo é só um gostinho a mais.
Jogadores de RPG também têm seu modo de encarnar os personagens, que é o Live-action, algo como se fosse uma partida real, com a maneira de agir de acordo com seu personagem e tudo o mais.
E acho que dessa vez me empolguei demais falando sobre isso. Acredito que isso eu poderia falar mais em outra oportunidade, acho que por hoje está bom. Semana que vem eu volto aqui pra falar sobre o nada, de novo.

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  • Francesco

    O nome do personagem é Máximo Poder, ou Max Power. ^^

  • Nath

    hummm….

    Bom, eu ia processar o Escritor…

    [Até que enfim um jeito de arrancar dinheiro de alguém sem precisar me prostituir…]

  • Entravix

    @Nath:
    E como você iria provar que o livro era sobre você?

  • sandrine

    Encontrei um único livro (O Código DaVinci) que tinha uma Sandrine como personagem. Provavelmente não vá acontecer de novo.

  • Nath

    Para tudo há um jeito, meu caro Entravix…

  • Diego

    Lendo esse post, a forma de identificacao de uma pessoa com um personagem que eh citada em um dos paragrafos me fez lembrar muito o filme “numero 23” com Jim Carrey.

  • eu sempre fico emocionada quando encontro personagens com o meu nome.

    enfim, como proto-escritora, eu lhe digo que o nome é muito importante. e eu não sei dar nomes a nada.

  • Nico

    Não é só no live-action que o personagem de RPG ganha vida, numa boa mesa ele está ali, sentado bem na sua frente, e sua história cresce a cada sessão, através da imaginação do jogador.

    Acredito que este seja um dos pontos mais interessantes do jogo, poder ajudar o escritor a montar sua história, ser desafiado por ele sem se tornar um mero espectador…

    Além do que, de fato, a parte “Nome” costuma ser a mais difícil de se preencher da planilha…

  • @Francesco
    Não, cara, esse é o nome que o Homer escolhe quando muda de nome, o Santhyago tá falando de um episódio em que aparece um personagem fodão chamado Homer Simpson, que depois vira um bundão, episódio o qual eu também esqueci o nome

  • bel

    Existe UMA peça de teatro com meu nome, chamada “Amor de Dom Perlimplim com Belisa (oooi!) em seu jardim”. O assustador é que a Belisa da peça -que, por acaso, meu pai nunca leu- é realmente muito parecida comigo. Maliciosa igual e sangue ruim igual :/

  • Na minha época de RPG, quando eu narrava alguma história tinha mania de dar nomes comuns ao nosso dia-a-dia (joão, josé, maria, etc) de forma a tirar a mania que os jogadores tinham de pensar que se um cara tem nome complicado ele tinha um grau de importância elevado.

  • Nomes são muito importantes. Eu acabo repetindo alguns às vezes, o que é meio ruim… E não gosto de usar nome de gente que eu conheço porque, sei lá, é estranho. Não que influencie no personagem, não sei explicar o motivo exato na verdade Huahuahuah

    x

  • Francesco

    @Pizurk

    Putz! É mesmo!

  • b

    Isso me lembrou Torre Negra do SK, puta merda, como fiquei decepcionada nessa parte do livro

  • nenhum exemplo supera o “mais estranho que a ficção”. acho que esse é o desejo de todo escritor: elaborar tão bem um personagem que, na verdade, ele seja alguém real.
    (e, como o filme prova, é de certo modo – também – o medo de cada escritor).

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