O Mensageiro do Diabo (The Night of The Hunter)

Bogart é TANGA! terça-feira, 31 de maio de 2011

Lembro que quando lia a revista Bravo! 100 Filmes Essênciais da História do Cinema, um dos filmes que eu ainda não havia visto que mais me chamaram a atenção foi um tal de O Mensageiro do Diabo (Qualquer coisa que tenha o nome do belzebú se torna mais intrigante, rs). Pela pequena sinopse, o filme parecia ser algo grandioso, com um dos maiores vilões da história do cinema. Logo, eu pensei que seria um daqueles caras que saiam matando pessoas por aí, apenas por crueldade. Mas o vilão se mostraria muito maior que tudo isso.

Sinopse: O reverendo Harry Powell (Robert Mitchum) não é bem o que aparenta ser: Utilizando-se de palavras da Bíblia e belas canções religiosas, e com a ajuda de seu carisma que consegue conquistar rapidamente as pessoas, ele é na verdade um golpista que se aproveita da situação de recém-viúvas para tirar dinheiro delas. Sua nova vítima é Willa Harper (Shelley Winters), que perdeu seu marido, enforcado por assassinato.

Pastor na cadeia não pode de nenhuma forma ser alguma coisa boa. E é desse jeito que o diretor Charles Laughton introduz o protagonista dessa trama. Ainda na cadeia, Harry escuta seu companheiro de cela, Ben Harper cantando (É, o cantor barbudo já tava vivo naquela época) dizendo que o motivo de sua prisão era um roubo de uma quantia de 10 mil dólares (Em 1955 era dinheiro pracaráleo) que estava escondida em sua casa.

Após a execução de Ben, o pastor parte para a casa do falecido, e conta a lorota para a esposa do cara, que eles eram amigos, e que Ben pediu que ele tomasse conta de sua família. Assim, Harry era um cara bonitão, que tinha um carisma incrível, e logo conquistou todos na cidade, inclusive a viúva de Ben. Aliás, QUASE todos, porque desde o princípio, o filho de Willa e Ben, John, não vai com a cara do pastor.

 Duvido que quando vc era moleque sabia pilotar um barco.

Acontece o casamento entre e o pastor e a viúva, com o conscentimento de toda a cidade. Ele então se muda para a casa dos Harper. Mas nada disso é o suficiente para John aprovar o novo padastro, e o pastor começa a se enfurecer com o moleque por conta disso. Rolam algumas tretas, e as crianças tem que fugir de casa. Nessa hora começa uma das melhores perseguições que eu já vi.

As crianças encontram abrigo e proteção com a voluntariosa Rachel Cooper, que já cuidava de algumas outras crianças. Mas Harry Powell continua implacável no encalço das crianças, pois ele sabe que só elas têm o segredo para a fortuna do falecido Ben Harper.

 Essa velhinha é radical.

Grande parte do sucesso que O Mensageiro do Diabo obteve através do tempo se deve muito a impressionante criação do personagem Harry Powell pelo diretor Charles Laughton (Que atuou em clássicos como Spartacus, do Stanley Kubrick, e O Corcunda de Notre Dame, de 1939). O personagem é uma personificação da antítese, um padre que exala medo e maldade, um lobo em pele de cordeiro. Ao mesmo tempo em que ele é carismático, ele tem um olhar terrível. Soma-se a isso, a tatuagem mais emblemática da cinematografia: Ódio e Amor (Hate e Love) tatuados nos dedos do pastor, que sempre os unia para contar uma parábola da bíblia.

 Queda de braço consigo mesmo

Por outro lado, como caracterização da inocência, estão as crianças Harper. É a imagem da infância, inocência e esperança, pois eles sempre sonham em voltar para casa. Rachel Cooper, interpretada pela ótima Lillian Gish, é a personificação da bondade e solidariedade. Aí podemos ver o maniqueísmo criado por Charles Laughton em seu único filme como diretor. Ou seja, uma obra clássica, predecessora dos filmes de terror psicológico de hoje em dia.

O Mensageiro do Diabo

The Night of The Hunter (93 minutos – Suspense)
Lançamento: Estados Unidos, 1955
Direção: Charles Laughton
Roteiro: Davis Grubb, James Agee, Charles Laughton
Elenco: Robert Mitchum, Billy Chapin, Sally Jane Bruce, Shelley Winters, Lillian Gish, James Gleason

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  • Vi o filme esses dias, muito bom. A fotografia e sensacional, principalmente nas cenas no rio. Sem falar no vilão ao fundo sempre cantando “Leaning… leaning…”

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