O meme mais discutido da cidade

Música quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Era semana passada, tipo quinta-feira ou algo assim. Tava eu bem feliz com o fim da semana se aproximando, e a minha timeline, de repente, enlouquece. Não tinha UMA viva alma que não falasse da mesma coisa: A Banda Mais Bonita da Cidade. E eu fiquei com cara de UÉ, sem saber o que tava acontecendo. Fui pro Facebook, e de novo: Mesmo furdunço louco acerca dessa banda mais bonita aí. Bora dar o play então (Se é que é possível que tu não tenha dado o play em algum momento da tua vida nessa semana):

Tá, o vídeo tá em tudo que é canto, tá todo mundo alucinado falando disso, então não dá pra ficar alheio a isso tudo. Ouvi. E confesso que, ao escutar pela primeira vez, gostei. Gostei da estética, gostei da música, gostei da voz do cara, da simplicidade aparente do vídeo. Mas, convenhamos: De simples, não tem nada. Vai gravar um vídeo de seis minutos em plano sequência pra tu ver se é simples ou não. Mas, ok, a proposta é ser simples e até rola a impressão mesmo.

Mas vamos combinar: A proposta musical não é inovadora. Essa história de poesia já vem de longe, com o Teatro Mágico, e até resgatando os Tribalistas (Tu lembra disso? Seu velho). E o clipe da música que estourou, a Oração, é claramente inspirado no grupo Beirut. Olha aí embaixo e diz se tô mentindo:

Mas isso não é em si um problema, já que não tem nada de errado em apostar em poesia pura, romantismo e um toque teatral na interpretação da música. Só não vem bancar de revolução musical que aê não cola.

Enfim. A real é que A Banda Mais Bonita da Cidade aposta nessa batida hype, do simples descompromissado, do puro, do amor singelo e da alegria nos detalhes. Mimimi, né? Please. A música tem uns 8 versos, e SEIS MINUTOS de duração. Gente, se tu escutar uma vez, tu te encanta. Mas se tu desembestar e resolver dar o play de novo, pede pra morrer: A música vai grudar na tua cabeça, e não tem coisa que faça ela sair. Vai por mim. Hoje é terça. Eu ouvi a música quinta. Faz as contas e vê há quanto tempo tô com isso martelando na minha cabeça. Aliás, essa é outra artimanha pra lançar música, né? O tal “efeito chiclé”. A batida é feita pra ficar no teu cérebro e não sair nunca mais. Tipo Dança da Manivela, que tu escuta dois segundos e fica com aquela maravilha na cabeça até sabe-se lá quando. A repetição exagerada (Pô, SEIS minutos?) é mais que suficiente pra fazer você não esquecer da melodia e ficar cantarolando pelos cantos, e decorar a letra minúscula não é um trabalho árduo, né? Então.

Agora, a letra… Gente. Sério: A letra é ambígua, porque tu pode tanto achar uma poesia leve, delicada, ou seja lá o que for, ou tu pode rachar dando risada, né? Poxa vida, no coração de quem cabe uma penteadeira? E por que raios tu guarda uma penteadeira no teu coração? No mesmo coração, tu guarda esse móvel aí, guarda o que não cabe na despensa (Ou seja, os restos), e guarda o teu amor. Ai, não, né! Tá.

Adivinha, então, o que aconteceu? Chacota, né people? Chacota. Tá o Twitter em peso fazendo brincadeiras com o nome da banda, que já ganhou denominações como A banda mais repetitiva da cidade, A banda mais chata da cidade, ou a palavra que tu quisesse somado ao mais bonita da cidade. E daí vieram os vídeos, as paródias, os tweets brincando com a letra da música. Mas tu queria o quê? O cara que compõe um negócio que fala esse tipo de coisa, no mínimo espera algum tipo de zoação? Não? Ok, então.

E pensa: Os fodões das redes sociais, blogueiros, twitteiros, vlogueiros, ou o que for, se juntaram e fizeram A Banda Mais Bonita da Internet. Dá o play aí embaixo e curte a zoeira:

É, virou meme.

O negócio é: Virar meme é bom pra banda, enquanto músicos? Tu quer ser reconhecido pelo teu talento musical, ou porque tu virou piada nas redes sociais? Tá na boca do povo? Tá na boca do povo. Mas, e aí? Vai fazer o que a respeito? Vendo os outros trabalhos da banda, dá pra ver que tem qualidade. Mas esse boom, esse sucesso repentino e instantâneo pode ser um negócio perigoso, não? Ainda mais quando até mesmo os integrantes da banda aceitam fazer parte da gozação e participam das paródias sobre eles. Se tu quer ser levado a sério, se leve a sério também. Claro, tu não precisa fingir que não tá vendo que tá todo mundo tirando uma com a tua cara, e tu também não precisa comprar uma briga por conta disso, mas vamos usar o bom senso aí, né amigos? Esse comecinho é beeeem delicado, e é bom não dar chance pro azar (Ainda mais que, sejamos sinceros, a banda tem muito potencial pra ir pra frente se cuidar com as gracinhas – no sentido pejorativo da graça).

Afinal, A Banda Mais Bonita da Cidade, por bem ou por mal, é um sucesso. E é a primeira a estourar com tudo pelo Facebook antes mesmo de ser lançada no Twitter (O queridinho das tendências). Sim, a banda inovou no quesito “Onde fui visto pela primeira vez”. Mas agora que tá todo mundo te vendo, tu vai fazer o quê? Seguir nessa batida despretensiosa, fingindo que nem tava esperando um sucessinho louco desse, ou encarar o projeto, largar essa onda hypezinha de banda de rede social e cair de vez nas graças do público – aquele que não necessariamente é ligadinho em redes sociais, mas pode muito bem dar um “Curtir” offline e cair nas graças dessa batida poética/simples/repetitiva/weird/encantadora que essa banda consegue proporcionar nesses minutos de vídeo? Façam suas apostas. Ou deixem pros nerds de plantão narrarem pela rede.

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  • André

    Sinceramente, esse negócio de “VIRAR MEME” (??, sério, que diabos?) tem nada a ver, wtf. Muito provavelmente as pessoas que fazem essas piadinhas sem graça não representam nem 1% das pessoas que tão gostando do som, que diferença faz?

    E maioria das paródias é com a intenção de mostrar o quanto gostou pô.

  • é. rimar “pensa” com “dispensa” é muito talento. nunca saberei se a letra é assim pequena e repetitiva por acaso ou não. mas pelas rimas bem construidas, agradeço a eles por não terem ido além e terem deixado somente esses 8 maravilhosos e profundos versos. vieram na hora certa, pelo numero de visualizações e de pessoas que gostaram de coração disso, se percebe o quanto as pessoas andavam carentes de sentimento. e vendo por esse lado, constato: cabe mesmo uma penteadeira. cabe qualquer coisa que rimasse com “eira”, qualquer besteira…

  • @Fubazin_Style

    Não comentei porque acha essa musica chata pra caralho e na voz do @rafinhabastos ficou pior e sem graça =)

  • Deks

    Eu achei bacana. Mas como foi dito no post, é coisa pra se ver uma vez e SÓ! Mais do que isso é suicídio. O vídeo da paródia ficou até legal, mas não vou nem um pouco com a cara do @rafinhabastos.

  • André Degaut

    Pra falar a verdade, quando chegou na metade do vídeo eu já estava sem paciência de ver o resto. bonitinho no 1º minuto? Sim. Repetitivo, cansativo e chato no resto? Muito…

  • K

    Eu curti a música. O negócio é não viajar se é sincero ou não. Sinceridade é uma coisa que não existe na indústria musical. Agora, isso de virar piada, meme etc: a banda parece estar bem de boa quanto a isso. Tanto que eles aparecem no final do vídeo com os blolgueiros. E propaganda é sempre bom, falando bem ou mal, mas falando.

    Um adendo: a música gruda mesmo, mas eu prefiro que uma música bonita (porém repetitiva) grude no meu cérebro ao invés de funk, por exemplo.

  • gabriel

    se pá, é muito chata essa banda, mas o que eu curti foi mesmo a produção do vídeo. os caras fizeram um bom trabalho.

    letra? pff
    melodia? mahomeno

    e como disse o chinaski, não dá pra levar a sério alguem que rima pensa com dispensa.

  • “(…) tá todo mundo alucinado falando disso, então não dá pra ficar alheio a isso tudo.”

    Dá sim. Só descobri isso aí pelas piadas que já estavam fazendo e…porra, Beirut, Tribalistas? Quanta coisa “artística”, ah, vá.

  • Nilton Hansen Jr

    Coisa chata é a conceituação de algo ser pop é “virar meme”. Leiam algo sobre isso antes de ficar com a história de meme, meme, meme. Tudo é meme agora.

  • Carol

    Caro senhor Nilton Hansen Jr:
    “Um meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.” E ainda: “A evolução de um meme é quase sempre viral e exponencial.”
    Não, nem tudo é meme. O caso em questão, sim.
    Lembrando que ‘opinião’ nada tem a ver com verdade absoluta.
    ;)

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