O melhor concerto de MPB da história

Música sábado, 16 de julho de 2011

Sim, mais um texto sobre MPB. Que não é coisa de velho, aliás; é coisa de gente com bom gosto. Afinal, já perdi as esperanças de salvar fãs de Restart do purgatório. Pra que lembrar que essas coisas existem enquanto há tanta coisa melhor por aí, não é verdade? É verdade. Verdade absoluta (com Ph.D. em pleonasmo), ainda mais se tratando do melhor concerto da história da MPB (que, ironicamente, não aconteceu em terras tupiniquins) que juntou Vinicius de Moraes, Toquinho, Tom Jobim e Miúcha em um mesmo palco: En Concert in Italia.

 Uma dose de cachorro engarrafado, alguém?

Antes de mais nada, vale dizer que MPB é igual a uísque. Ok, não é igual a uísque; é uísque. Afinal, o cachorro engarrafado é o combustível, não só de Vinicius, mas de Tom nesse concerto. Fora que MPB e essa bebida não têm diferença alguma. Afinal, é difícil apreciar MPB. Você precisa ouvir várias vezes, diversos artistas, pra, enfim, educar seus ouvidos e reconhecer o que é bom e o que é ruim. Fora que fica melhor com o tempo. Não suportaria esse concerto a uns anos atrás, mas cá estou eu, escrevendo não só uma recomendação, mas sim uma exaltação. É nessa hora que bate uma inveja de quem nasceu antes pra ouvir, ao vivo, esse tipo de música. Claro, existem cada vez mais sobrinhos espalhados por aí, mandando ver nas músicas, mas… É diferente. É como se a música cravada no concerto fosse a música de raiz mesmo.

Por falar em uísque, não poderia deixar de citar a embriaguez. Não só o Poetinha, mas todos os artistas da época bebiam pra caramba, e isso reflete na apresentação – e não reflete negativamente, vejam só vocês. É como se ficasse ainda melhor. Em alguns momentos, ainda por cima, dá pra rolar umas risadas, já que Vinicius começa uma frase falando em Inglês, troca pro Italiano e finaliza em Português. A incapacidade de Tom Jobim de não conseguir se comunicar apropriadamente em Italiano é igualmente hilária; ele fala como se fosse um aluno de primeira série, aprendendo as palavras mais básicas do idioma, ou apenas repete algumas palavras que o Poetinha solta por aí, em tom de pergunta.

Deixando de lado o histórico do suco de etanol, vamos falar das músicas: e, rapaz, que músicas! Se você não conhece MPB a fundo; se você ouve o estilo desde criança; se você é… Emo. Enfim, independente da sua educação musical, você com certeza já ouviu ao menos metade do conteúdo do álbum – que, acreditem, é espetacular. Não só pelas besteiras que se passam nos bastidores (que é bem explícito pra plateia, inclusive), é pelo talento que ele traz. Sim, afinal, na época o talento musical ainda existia.

Não importa que é ao vivo; não importa que a galera tem mais álcool correndo nas veias do que sangue: a qualidade continua em alta. Logo na segunda música, Toquinho – que eu vejo como o cara que mais manja de violão na MPB – começa com um instrumental composto por Dorival Caymmi que, mesmo pros leigos (a.k.a. quem não sabe tocar violão, como eu) parece difícil pra cacete pra tocar. E olha que eu jogo Guitar Hero.

O grande lance do concerto não é só o álcool ou as músicas muito bem interpretadas. Isso é o de menos. O show, de fato, é o ambiente. Não são grandes nomes reunidos pra uma noite regada à música; são grandes amigos reunidos. A atmosfera que eles criam é sensacional. Quando Vinicius de Moraes apresenta Tom Jobim à plateia, não parece que ele se refere a apenas um nome, mas sim a um grande companheiro, assim como todos os presentes. E isso é verdade, afinal, a coisa mais comum era a galera colar na casa do Poetinha pra beber e cantar – não necessariamente nessa ordem.

Em resumo: é o melhor álbum de MPB que eu já ouvi. É profissional e descontraído ao mesmo tempo, fora a coletânea sensacional. Não enjoa fácil; vicia. Fora que quem tá recomendando sou eu. Vai dizer: quantas vezes vocês leram um texto onde eu falava bem de alguma coisa? heh

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  • Não tenho dúvida alguma de que esse foi, sim, o melhor de todos. Também gosto demais do Papete tocando com o Toquinho. Aquilo sim que é percussão de verdade.

    Saravá

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