O final de uma era

Analfabetismo Funcional quarta-feira, 03 de agosto de 2011

1997.

Fazem atualmente QUATORZE anos desde essa distante data. Se você conhecia uma menina de 7 anos nessa época, hoje em dia você deve ser um tiozão e ela um gatinha que cê fica babando. Ou uma apressadinha com 3 filhos agarrados na cinta, vai saber.

Porque esse ano está em questão? Simples. Nesse ano, foi lançado no Brasil o primeiro livro do Harry Potter. Livro esse que encerrou sua saga em 2007, 10 anos após o primeiro livro. E agora, com o lançamento do último filme, considero que isso acabou finalmente.

Em quatorze anos, o mundo mudou bastante. Duas torres cairam, uma guerra aconteceu por motivos desconhecidos, Saddam foi enforcado, Laden foi jogado no fundo do mar, um novo Playstation foi lançado, um novo Xbox também, e a carta de Blastoise não está mais tão rara.

Enfim, uma porrada de coisa mudou.

E agora que a saga épica acabou, o que restou dela? Quais serão seus marcos eternos na história mundial?

 “Aquela página caída ali no canto, que esqueci de mastigar.”

Tá, exagerei. Acredito, que principalmente essas duas coisas:

3762 páginas: Sim, isso é o total de páginas que todos os livros possuem. Claro, estimando que um fã leu só a versão em português, isso é pagina pra caralho. Tem aqueles loucos que leram as versões piratas, os livros extras, e as versões em inglês. Isso tudo ficará para trás, mofando em prateleiras, considerando que o leitor resolveu subir de nivel e partir para literaturas mais avançadas ou ficarão mais gastos, pois para ele aquilo é uma obra prima (OBRA? HIHAVHGAFK) e ele relerá até o final dos tempos.

Uma escritora podre de rica: Serviu pra isso. Se ela não está bilionária, está bem perto disso. Pelo menos, teve a decência de usar o dinheiro dela para o bem, criando sua própria entidade filantrópica e escrevendo um livro que reverte o valor dele para esse fim.

Eu teria seguido com meu plano de dominação mundial e quebra de aluguéis, no lugar dela, mas isso são detalhes…

Fãs orfãos: Essa é lasqueira. Aquela ambientação láááá no começo desse texto foi só pra chegar nesse ponto. Um garoto que tinha 8 anos naquela época e começou a ler os livros, hoje tem VINTE E DOIS ANOS. O cara trabalha, paga as contas, tem carro, dividas, mulé, amante, filho e… É lançado o novo filme e essa mesma pessoa quase chora na estréia! Tem sorte se algo assim não cai no Youtube:

…Q?

Mas isso não vem ao caso.

Muitos desses que se encaixam nessa situação são aqueles que, nos primórdios de 1994 propriamente dito, estavam com os seus cus colados num sofá, jogando Playstation ou vendo Dragon Ball na TV. Essa é a única mágica que eu vi acontecendo em Harry Potter, fazer surgir toda uma nova raça de nerds. Aliás, nerds não, alunos de Hogwarts, como alguns se auto-intitulam até hoje.

 Chegou, LOL.

Esses fãs são pessoas comuns, pode ser aquele cara do seu lado, com um sorvete na mão, ou o seu vizinho de sala no escritório, com cavanhaque torto. Comuns em parte, pois qualquer citação ao nome Potter os leva ao ponto de nostalgia já citado antes.

Mas essa era chegar ao final teve suas vantagens: A melhor de todas é que ela serviu para que uma grande parcela da juventude tivesse seu gosto por leitura ativado.

Não tenho do que reclamar, isso é grande coisa, se esse gosto evoluiu. Se depois resolveu ler algo mais de nivel, beleza, agora, se migrou pra Eclipse… Nem falo nada.

Aliás, falo sim: BANDIBICHA QUE QUE SE MANTER NO MUNDINHO E DEIXAR DE LADO AS COISAS BOA! VAI LER GUERRA DOS TRONOS OU POE, FDP.

Prontofalei.

Pra finalizar: O mundo mudou, as pessoas mudam. O que se espera é que mudem para melhor, não que regridam. Taí Luan Santana pra provar o que digo.

Fico por aqui e participem do clube de leitura. Provem que além de serem leitores, podem discutir mantendo o nivel. E paguem uma cerveja pro Looney por mim.

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  • yuri

    Parabéns, Santhyago. Resumiu bem o que Harry Potter significou pra nós!!!

    É meio estranho eu, no alto de meus quase 23 anos, falar que sou fã, curti e amadureci com a série!

  • Muito bom Santhyago. Estava conversando sobre isso na semana da estreia do filme. Gente que começou a ver o filme com 11 anos, hoje está com 21. Isso ficando num exemplo básico. Muita coisa mudou e, sei lá, o cara que, sem bichice, acompanhou tudo desde o começo, deve ter ficado com aquele nó na garganta quando os créditos subiram.

    Um dia eu assisto essas porras. Quanto aos livros, bem, acho que vou passar longe e pegar as dicas do fim do post.

    Abs.

  • Loney

    Sério que todo mundo acha que este apelido é por causa dos Looney Tunes?

  • Janine

    Harry Potter não foi a causa de hoje, eu amar tanto a leitura. Isso já carrego desde os meus 11 anos, quando na escola era obrigada a ler livros como A Droga da Obediência, O Escaravelho do Diabo, entre outros. HP, sim, me influenciou a buscar livros de fantasia como SdA e abriu novos horizontes para outros genêros. Foi com HP que eu aprendi a ter gosto por comprar livros, por olhar minha ”pequena” estante de livros e babar. Portanto, só tenho que agradecer à minha professora de português e a JK, pelos melhores anos da minha vida, e os que virão também.

  • Anônimo

    me considero um nerd “filho” da serie Harry Potter por que foi ela que despertou o meu interesse para a leitura e consequentemente para os quadrinhos, filmes e séries de tv…

  • Isistencia

    eu amo Harry Potter, e tenho 27 anos, li todos os livros, comprei todos os livros e realmente fiquei triste quando acabou. Assim como fiquei triste quando acabou “Lost” e vou ficar triste quando acabar “True Blood”.
    E fiz pessoas que nunca gostaram de ler ( sim essas pessoas existem) a começarem a práticar com Harry Potter.

  • É, Harry Potter acabou, finalmente.
    Eu de fato me iniciei no mundo da leitura com Harry Potter, depois parti pra coisas mais “sérias” (Tolkien)
    Mas não dá pra durar pra sempre mesmo, a não ser que seja algo como Marvel ou Star Wars.

  • Fã órfão é o caralho. O último livro saiu faz anos e só agora tem esses paus no cu chorando porque “Harry Potter acabou”. Qualquer fã decente ficou aliviado com o fim da série e guardou as memórias da história junto com as da sua infância. E de quebra vai ver o último filme por causa dos efeitos 3D.
    Fã “órfão” de Harry Potter é aqueles estilo Crepúsculo que não sabem ir em uma livraria e procurar alguma coisa decentes e ainda se gabam porque leram 7 livros em sua vida toda.

  • Hadouken, ken ?

    Antes de ler Harry Potter, eu já havia lido o “Mil e Uma Noites” completo, assim como “O Egípicio”, “O Xamã”, “Dom Quixote” e meia-dúzia de livros infantis, mais uma porralhada de outros dos quais não me lembro mais. Pouco depois eu lí “O Grande Chefão”, “Auto da Barca do Inferno”, todos os romances do Machadito de Assis, e outra porralhada de livros considerados “adultos”.

    E eu tinha 10 anos quando terminei de ler o Prisioneiro de Azkhaban. De fato, peguei os três primeiros livros e lí de uma só vez, como costumo fazer ainda hoje quando vou a bibliotecas.

    Gosto literário não tem a ver com idade, capacidade mental ou o que seja. A capacidade de compreensão, claro, tem. Hoje em dia, fazendo releitura de “Dom Quixote” e de “Mil e Uma Noites” é ÓBVIO que eles ficam muito mais interessantes, pois sou capaz de absorver muito mais da trama, do contexto, dos detalhes que o autor coloca.

    E ainda assim comprei, recentemente, as “Crônicas de Wardstone”, que são cinco livros infanto-juvenis, e gostei do que lí.

    Se ler é prazer, não há porque se ler apenas obras-primas. Para mim ainda há prazer em ler livros menos pesados e detalhados, mesmo que sejam menos excitantes que outros.

    De fato, é horrível ver alguém que goste de Crepúsculo ou Harry Potter dizer que eles são o supra-sumo eterno do universo, e que todo o resto perde para eles. Mas se você tem um livro favorito, você não é muito diferente. Gostar mais de um livro que de outro significa dar subjetividade ao que está escrito. Muito bom, mas sempre RELATIVO.

    Então sim, é possível Crepúsculo ser melhor que Guerra dos Tronos. Basta que o leitor de Crepúsculo se sinta nauseado e descontente em ler esse livro. Por meio da realidade subjetiva daquela pessoa, ele é pior, mesmo que você seja diferente dela.

    Afinal, o mundo é feito de pessoas diferentes, e cada uma valoriza mais ou menos diferentes aspectos do livro dadas diferentes abordagens (por exemplo, existir um livro em que a garota é o centro do universo, e todos cumprem todos os seus desejos não é diferente das orgias gamísticas onde você é um deus da guerra todo-poderoso que sai chutando bundas e provando sua masculinidade – um é a Onipotência no contexto da feminilidade estereotipada do século XXI, outro é a mesma Onipotência no contexto da masculinidade estereotipada do século XXI. E todos gostam de ser *Le Fodão/Fodona*).

    *Le eu esperando pedradas por comparar Crepúsculo a God of War”

  • Drika W.

    OK, me sinto uma Alien por nunca ter lido nada HP. Sou tão doente assim ou velha demais? hahah Nada, tenho 24. Mas eu me orgulhava de ter Jostein Gaarder na prateleira. Mas enfim, tenho outros motivos por não gostar de HP: gente problemática que não sabe separar fantasia de realidade. Sim, existem. Mas gostei do texto mesmo. E deixa o povo ler Eclipse em paz. É um favor que essas autoras fazem ao povo brasileiro: eles usarem o livro para algo além de levantar monitor.

  • Orra, Jostein Gaarder é foda. Boa parte de eu ser chato assim é culpa dele, que me fez pensar na vida, no universo e tudo mais, graças ao Mundo de Sofia que meu pai ganhou de presente e eu li com 12 [13?] anos.

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