Não o filme que precisamos, mas o que merecemos

Cinema segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ano após ano, categoria após categoria, reclamamos e xingamos, inutilmente, a Academia, o Globo de Ouro, o festival de Cannes, o People’s Choice Awards e a cópia com gosma verde feita pela Nickelodeon… Reclamávamos da MTV também, mas como ela praticamente acabou não chutemos cachorro morto. É chegada a hora: Uma nova era, com novos protagonistas, novos vilões e novas aventuras. Juntem-se a mim e embarquemos nesse lindo balão azul nesta aventura!

 …Não perguntem.

Tá você aí, todo pimpão porque entendeu a citação ao Bátima, lambendo os dedos que acabou de lambuzar no seu Danoninho, achando legal pra caralho sujar o scroll do mouse com seus dedos gordinhos já que teu irmão mais velho vai usar o computador depois de você… Bem, limpe a boca na manga da camiseta que tua mãe vai lavar, dê aquele arroto gordo de garoto saudável e preste bastante atenção nas próximas linhas: Se você clicar no play aí em baixo, sua vida nunca mais será a mesma.

 Tudo vai mudar. Tudinho.

Apenas os melhores e mais corajosos podem compreender, e, às vezes, mesmo eles falham. Esta é a sua chance, e você só a tem uma única vez, pois se você desistir e tentar de novo, VOCÊ SABERÁ QUE FALHOU. E as pessoas sentirão pelo cheiro o seu medo e sua vergonha. Escolha agora: O play ou o xis vermelho no canto do navegador.

Ficção científica, drama, aventura, ação, espionagem, política… Nós, todos nós, reclamamos de Hollywood por ser muito raso e clichê, do cinema europeu por não fazer sentido e ser pseudo-intelectual, do cinema iraniano por ser parado e sem finalidade, e, claro do cinema nacional, por ser ruim ou ter o Selton Mello.

 Mas não mais.

Entendam: É assim que começa… Primeiro você alicia os teus amigos, daí a piranha que te friendzoneou, aí a tua prima… É claro que não vai dar certo, mas daqui, sei lá, 25 ou 30 anos pode ser que compense. E sim, estou falando de forma genérica propositadamente: Todo mundo tem que começar de algum jeito, e se esse jeito é Homem de Fogo e Mulher Elétrica, por mim tudo bem. As chances são pequenas por definição, e se o material for ruim, independente de dedicação, esforço, tempo gasto e vontade, as chances são menores ainda. Mas estão lá.

Porra, não dá nem pra fazer um parágrafo só de sacanagem: Tudo aí é tão ruim que chega a ser triste. E é um tanto óbvio, mas vou dizer mesmo assim que o cinema nacional não vai (E não deve) se comparar com o cinema de qualquer outro lugar. Claro que haverá o embate, a comparação e a referência, mas não vai seguir os mesmos moldes. Já não segue, mas vai se distanciar cada vez mais. Vai chegar um dia em que finalmente desistiremos dos zumbis e das explosões, passaremos para a luta contra o tráfico em cima da cabeça do Cristo Redentor e chegaremos, com um pouco de sorte, a algo mais inteligente e original que a seca no nordeste.

 Somos os filhos da revolução.

Um dia iremos rir de coisas como Homem de Fogo e Mulher Elétrica (Sem ironia aqui). Porque, além de ricos, teremos um cinema do que nos orgulhar ou quase, e esse tipo de coisa terá sido a base de tudo. Caso ainda não tenha ficado claro: Não é o filme, a história, os atores, os efeitos especiais e a narração, mas o “fazer cinema”. Uma frase brega prum texto brega, vivam com isso. Todos nós já cansamos dos arquétipos americanos, alemães, iraquianos, hindus e espanhóis. E claro, estamos ainda mais cansados de estudantes de design barbudos com camiseta do Guevara dizendo que a Globo não apoia seu projeto inovador de conscientizar os favelados através da distribuição de figurinhas do Papa com bigode. Tudo filmado em sépia.

O que eu vou dizer agora serve pra tudo que se trata de produção midiática: Não é copiando outras fórmulas estrangeiras que vamos chegar num resultado relevante para o próprio Brasil, mas se experimentar com esses estereótipos é uma das chaves pra sair da comiseração atual, por mim, tudo bem. Aliás, se não for longe de casa, vou até assistir só pra mostrar apoio e ter a satisfação de, em algum anos, olhar pra cara de merda de alguns críticos (Isto não é uma indireta, eu juro) e dizer que nem só de 35mm, Starbucks e Copacabana vive o cinema nacional. Como já dizia aquele cara que eu esqueci o nome: Se meus joelhos não doessem mais Valeu à pena.

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