Mortes nos quadrinhos V

HQs sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Fechando essa série de artigos vou citar não a morte de um personagem mas sim de dois, em dois momentos diferentes e que desencadearam uma série de eventos que culminaram num grande evento na DC Comics: A Crise Infinita.

Vou abordar ambas as mortes na ordem cronológica em que ocorreram, muitos podem não considerarem suas mortes importantes, e tenho também esta opinião em certa parte, porém considero estas mortes relevantes, pela forma que elas ocorreram e principalmente, por serem o eixo de histórias que considero excelentes.

O primeiro personagem que quero abordar neste artigo é Sue Dibny, a esposa de Ralph Dibny, o Homem-Elástico e que foi assassinada durante a mini-série em 7 edições Crise de Identidade, escrita por Brad Meltzer com desenhos de Rags Morales em 2004.

Já falei dessa mini em outro artigo, pois considero esta uma das melhores histórias dos quadrinhos, uma vez que é bem dosada em emoções. Além, é claro, de mostrar que não se existem personagens ruins, mas sim histórias mal escritas.

Focada inicialmente em personagens considerados de segundo ou mesmo de terceiro escalão, já que Ralph não é considerado um dos heróis “Tops” da editora, a história nos mostrou o quanto é possível trabalhar bons enredos com qualquer personagens.

De qualquer modo, a descoberta da morte de Sue é chocante, já que além de assassinada ela tem seu corpo parcialmente queimado. E é praticamente por causa desse “requinte de crueldade” que esta morte entra na minha lista de uma das mais importantes dos quadrinhos, pois, até onde me lembre essa foi a única morte que me fez sentir pesar pela personagem, que me chocou de verdade, pois no momento de sua morte, Sue encontrava-se grávida.

Se não bastasse essa morte violenta e bárbara contra uma vida que ainda estava sendo gerada, não bastasse essa morte misteriosa que mobiliza toda a comunidade super-heróica na busca do assassino, Meltzer nos apresenta um retcon que serve como estopim para um evento que posteriormente seria usado como prólogo de Crise Infinita.

Durante a caçada, Ralph, juntamente com Arqueiro Verde, Canário Negro, Zatanna e Gavião Negro procuram de forma obsessiva pelo vilão Dr. Luz, já que durante o período em que todos eles pertenciam a Liga da Justiça, o vilão conseguiu entrar no satélite que servia de Quartel General para o grupo de heróis, onde buscava recuperar sua arma, mas ao encontrar Sue Dibny sozinha, ele acabou por estuprá-la.

Ao retornarem ao satélite, os heróis encontraram o vilão em pleno ato, e num surto de raiva, o espancaram e fizeram com que Zatanna o lobotomizasse magicamente. Isso abre um debate sobre a ética heróica e sobre os limites até onde é possível chegar para se proteger aqueles que amam e, principalmente, o peso de se usar uma máscara para fazer o bem.

E não foi apenas o vilão que sofreu uma lobotomização, já que Batman voltara ao satélite no exato momento em que Dr. Luz estava sendo lobotomizado. Revoltado, ele é detido pelos heróis que também decidem por apagar aquele momento das lembranças do morcegão.

Se essas revelações já não fossem suficientemente chocantes, Meltzer nos surpreende mais uma vez ao revelar que a morte de Sue Dibny não havia sido provocada por nenhum super vilão, mas por Jean Loring, a ex-esposa de Ray Palmer, o herói Eléktron e amiga próxima dos Dibnys.

Para tentar encobrir seu crime, Loring causou outras duas mortes: A de Jack Drake (Pai do Robin Tim Drake) e do vilão Capitão Bumerangue, que também havia recém-descoberto seu filho Owen Mercer.

Ao final, Jean conta a Ray que havia encontrado um de seus uniformes encolhedores e o usou para tentar provocar um susto em Sue, para atrair a atenção de Ray. Porém ela acabou causando um AVC em sua amiga, matando-a, e ao perceber o que havia feito resolveu queimar o corpo para disfarçar seu crime.

Também é possível perceber que apesar de tudo, Jean não sente remorsos, alegando que com a morte de Sue, os heróis buscaram suas famílias. Ela termina a história sendo internada no Asilo Arkan e Ray Palmer desaparece.

A carga emocional da história é que torna ela marcante. Isso por que com poucos elementos, Meltzer faz com que as revelações sejam chocantes e tornem a morte de Sue Dibny importante.

E nesta mesma linha temos outra morte importante, a de Ted Kord, o Besouro Azul, que aconteceu em Contagem Regressiva para Crise Infinita, publicada em 2005, poucos meses após o término de Crise de Identidade, e que também já foi comentada neste artigo escrito pelo Black.

Na história escrita por Geoff Johns, Greg Rucka e Judd Winick com artes de Rags Morales, Michael Bair, Jesus Saiz, Jimmy Palmiotti, Ivan Reis, Marc Campos, Phil Jimenez, Andy Lanning e Ed Benes, temos novamente um personagem que nunca foi levado muito a sério, já que a maioria dos leitores o conhecia por sua fase na Liga da Justiça Internacional, que tinha forte carga cômica.

Assim, ninguém colocava muita fé no herói, o que é inclusive citado claramente na história. Nela, Ted Kord investigava crimes contra sua empresa, descobrindo pistas que apontavam uma forte conspiração.

Ele até procura ajuda de outros heróis, mas ninguém parece se importar com as descobertas de Ted, que continua sua busca sozinho, já que, logo no começo, o Gladiador Dourado (Seu grande amigo e o único que se dispõem a ajudá-lo) acaba hospitalizado depois de sofrer um ataque.

Enquanto a história se desenrola, somos apresentados a quatro eventos que culminariam em quatro mini-séries (Projeto Omac, Dia de Vingança, Vilões Unidos e Guerra Rann/Thannagar) que serviriam de prólogo para Crise Infinita. Aos poucos, vemos que o Besouro Azul segue com toda a coragem na busca do criminosos que arrasou com sua empresa.

Após investigações, ele acabou em uma fortaleza na Suiça que servia de Quartel General para o Xeque-Mate, que vigiava todas as agencias de inteligência e combate do mundo, bem como os inúmeros heróis e meta-humanos que povoavam a Terra.

No fim das contas, ele acabou sendo capturado por Maxwell Lord, que outrora havia chefiado a Liga da Justiça Internacional e ‘amigo’ de Kord. Assim que ficou frente a frente com Ted, Max apresentou seus planos de escravizar ou exterminar todos os meta-humanos através do Projeto OMAC, desenvolvido pelo Batman logo após ele descobrir que havia tido sua memória apagada por seus companheiros de Liga da Justiça, como foi revelado na mini Crise de Identidade, e roubado por Max.

O vilão ainda oferece a Ted a chance de se juntar a ele, mas este recusou-se a colaborar, com isso Lord o assassina impiedosamente com um tiro na cabeça do Besouro.

Em ambas as histórias temos um fato marcante semelhante, ambas as mortes são provocadas por “amigos” das vítimas. De qualquer forma, ambas as mortes (Para mim) acabaram sendo chocantes justamente pelo fato de terem sido causas por pessoas próximas dos personagens que foram assassinados.

Além disso, ambas as histórias serviram de trampolim para Crise Infinita, que traria novamente o Multiverso DC que havia deixado de existir na Crise nas Infinitas Terras de 1985.

Agora se você quer ver um pouco mais sobre esse tema, eu sugiro ouvir o ComicPoc #46 do Multiverso DC, que só aborda o tema de morte nos quadrinhos, boas, ruins, marcantes e inúteis, inclusive abordam essas mortes citadas neste último artigo.

Leia mais em: , , , , , , , , ,

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  • Ricardo G. Souza

    Hmm…Crise de Identidade é muito boa. E ela deixa marcas até hoje (ou deixava, essa reformulação ta confundindo tudo). A única coisa que não gostei nela foi o “excesso” de heróismo por parte de alguns de não quererem lobomotizar o Dr. Luz. Houve um exagero no que se diz “somos super herois e temos que fazer o bem”. Teve até uma cena rídicula na revista “Sexteto Secreto” onde o Homem-Gato (um “vilão”) meio que da um esporro no Arqueiro Verde pelo o que eles fizerem. Como se os vilões tivessem carta branca para fazerem o que bem entender e os heróis tivessem que se limitar a ética.
    É complicada essa relação heroi x vilão. Em uma HQ que eu não lembro se era do Arqueiro Verde ou algo da Marvel, citam algo como “os vilões não tem nada a perder, e mais do que isso, eles sabem que vocês não vao matar eles”. A DC sempre exagerou nos heroismo, na ética, no conceito de herói deles, e essa série veio pra mudar isso.

    Outra coisa legal da série foi a morte do Jack Drake. Essa morte foi fundamental para o crescimendo do Robin (que agora ja é Red Robin). Ela deixou ele mais perto ainda do Batman. Ai você pega aquelas edições dos Novos Titãs ondem surgem heróis do futuro e o Tim Drake é um Batman que mata e usa arma, e percebe que ele (no presente) está ficando bem parecido com esse futuro (ok, essa frase ficou estranha de entender haha)

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