Meu Sério Problema com Cinema Brasileiro – Atuações

Clássico é Clássico segunda-feira, 06 de setembro de 2010

A maioria das pessoas que eu conheço na área de cinema me olha torto quando eu dou minha opinião sobre 1) Woody Allen; 2) Cinema Brasileiro. A questão do judeu de óculos até não é tão marcante – eu consigo reconhecer algumas pérolas em sua filmografia… Apesar de que quando digo pérolas eu me refiro a Vicky Christina Barcelona ou Tudo Pode Dar Certo e não o oscarizado Noivo Nervoso, Noiva Neurótica ou o cult Tudo o que você queria saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar, mas enfim. Já a questão do cinema nacional é mais complicada.

Ainda assim, vale esclarecer que o fato de eu ter um sério problema com cinema brasileiro não significa que eu não apoio, não assisto ou não conheço o assunto. Pelo contrário – apesar de eu não ter medo de enfurecer “os intelectualóides pseudo-cults” ao defender o cinema industrial americano (E ainda sim atacar Avatar) e ser extremamente anti-patriótico (Mas isso era assunto para a finada Théos é Tanga).

O primeiro ponto que eu vou abordar no entanto, acredito ser indiscutível. O nível rídiculo da maioria dos atores brasileros no que se diz a atuação cinematográfica. E não adianta usar a lógica comunista (Vixe, estou arrumando briga com todo mundo hoje) de “Ah, mas o cinema americano também tem atuações pífias”. Até mesmo porque os culpados são muito claros: a Globo a cultura das novelas e o predomínio do teatro.

 Escola de Atores

E antes de mais nada: Sim, eu odeio teatro (Não importa se é um musical da Broadway ou uma peça “indie” com atrizes nuas e besuntadas) e novelas. Mas esse ódio pouco tem a ver com minha críticas a ambos. Vamos olhar cada caso separadamente.

Não. Cinema e Teatro não são formas de arte irmãs.

Eu não tenho idéia de quem levantou a bandeira dizendo que cinema e teatro são muito parecidos. Provavelmente foi alguém que nunca esteve num set de filmagem. A única semelhança entre ambos é que são artes pautadas, entre outras variáveis, na interpretação. Porém, o teatro oferece uma arte “única” (Walter Benjamim ia adorar essa definição), e as suas divergências derivam daí. Quando digo único, quero dizer que – todo espetáculo vai ser diferente do outro (Mesmo que a peça e os atores sejam diferentes), seja por um erro de um ator ou o momento de inspiração de outro (E diferenças infinitamente mais sutis). E mais do que isso: O espetáculo para alguém na 2ª fila vai ser diferente daquele que foi para alguém que está na última.

Por esse último fator, principalmente, as interpretações no teatro precisam ser teatrais exageradas, com gestos “espaçosos” e frases declamadas – não há espaço para sutileza. O sussurro da atriz ou pequeno gesto do ator parecem ter sido dirigidos pelo vocalista de uma banda de rock. Essa inclusive é uma das maiores dificuldades da adaptação de atores do teatro para o cinema, e vice-versa. É claro que alguns são bem sucedidos (Inclusive dois dos meus atores favoritos: Natham Lane e Kevin Spacey), mas são exceções. E em um país onde a produção cinematográfica ainda é muito pouco incentivada, o caminho mais comuns para os atores iniciantes são os teatros – e isso acaba sendo prejudicial para 7ª arte nacional.

Pausa para a descontração.
http://www.youtube.com/watch?v=6HDvaLOq-6Y

O vício causado pelo formato das novelas.

Quantos famosos atores brasileiros que só trabalham com cinema que você conhece? Alice Braga, que está fazendo sucesso, Selton Mello e mais quem? Ah sim, João Miguel, também… Rodrigo Santoro, se quiser forçar um pouco… Mais três ou quatro. Noventa e cinco por cento dos outros grandes nomes que você pensar, possivelmente estão em uma novela nesse exato momento, ou estão indo para uma, ou (Na melhor das hipóteses) descansando de outra. Tirando os fatores biológicos que envolvem o contrato de uma novela (Ficar meses preso a um trabalho desgastante), a produção em série que consiste uma novela, impede o ator que construa seu personagem através da interpretação – não existe uma grande cena sequer em que você tenha uma interpretação magistral. Os personagens uma vez definidos, ficam sendo repitidos ad eternum, até que (Com sorte) um acontecimento mude os rumos da história. Não é a toa que os bordões se popularizam tanto – os diálogos são rasos, não há espaço para desenvolvimento ou identificação. São verdadeiras caricaturas – artifício que funciona muito bem em personagens cômicos (Tanto que frases como “Cada mergulho é um Flash” ou “Salgadinhooo.” fizeram sucesso) mas que de maneira alguma deveria se trazido ao núcleo dramático.

Compare o diálogo que abre o vídeo, a diferença de trabalho por trás de um ator especializado em cinema, e de uma atriz de novelas.

O resultado é que, quando um ator de novela vai fazer o filme, já tem um arquivo de “como atuar” encapsulado, ou seja, se seu personagem for um italiano ou alguém do interior, automaticamente acessa àquele sotaque canastrão do personagem que interpretou. E se isso funciona (Não sei como, mas enfim) em uma novela, o mesmo no cinema fica ridículo e forçado (Pare e pense rapidamente em alguns delegados/policiais de filmes brasileiros, apenas para ilustrar).

Só para ilustrar.

O sistema americano, por outro lado, em que séries são mais populares do que novelas, permite que os atores (Lembrando sempre que estou falando de bons atores, atores ruins existem em todos os lugares, e nada pode se fazer com eles) se dediquem a seus personagens (Tanto é, que temos atuações a nível de cinema em seriados como Breaking Bad, Damages, Dexter, Mad Men, entre tantos outros) servindo de reduto de dinossauros da sétima arte (Como é o caso da Glen Close e William Hurt em Damages) mas também, observatório de talentos. Ambos coexistem e se completam, e quem ganha na minha opinião, é o espectador – com o melhor dos dois mundos: Grandes atuações na telinha e na telona.

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