Menino Maluquinho – O Filme

Bogart é TANGA! terça-feira, 04 de outubro de 2011

Outro dia eu estava vagando pela internet, quando achei um tutorial de como limpar fitas VHS. Segui o que dizia lá e notei que… Funcionava. Corri, desci as escadas para o cômodo abaixo e desenterrei uma caixa de papelão; abri, e lá estavam elas: As fitas. Alguns dos filmes que eu recuperei são bem conhecidos, foram relançados em DVD e eu já os revi. Mas um filme na caixa não era assim; sei que ele deve ter sido lançado em DVD também e estar por aí, mas o fato é que eu nunca mais o tinha visto: Menino Maluquinho.

O personagem, Menino Maluquinho, é uma criação do cartunista Ziraldo. Ao invés de ter mensagens políticas e filosóficas ou coisa assim, o Maluquinho é só uma criança, e suas tiras tratam de criancices: Das aventuras do menino que gosta de brincar e sua turma. Mas enfim, isso eu suponho que vocês que viveram em algum ponto das últimas três décadas saibam.

O filme baseado no quadrinho do Ziraldo foi lançado em 1994. A verdade é que não é nenhuma super produção, nem de brilhantes atuações ou de efeitos especiais. É um filme simples, calmo, do tipo que passaria na Sessão da Tarde (E provavelmente já passou muito) e que com certeza não desperta a simpatia de muitos críticos. Preciso dizer que, para mim, o filme tem mais de memórias, de quando eu mesmo era um garoto nos anos 90, do que de análise cinematográfica.

A história se passa em algum ponto do final dos anos 60. Durante algum tempo se mostra a vida do Maluquinho: Um garoto popular com seus amigos, peralta, esperto, que gosta de ler, brincar, etc. O ator que interpreta o garoto, Samuel Costa, se vira bem no papel e foi uma boa escolha por lembrar bastante o menino desenhado pelo Ziraldo. O primeiro e leve tom dramático da estória é a separação dos pais do menino; alguns veriam aí uma oportunidade de explorar as implicações disso numa criança e etc, mas não é o que acontece. Nem mais pra frente, quando outros acontecimentos vêm, o filme ainda evita entrar em algum momento realmente triste demais ou mais profundo. Escrevendo neste momento, fiquei um tanto confuso sobre como explicar qual o ponto central do filme, qual seu objetivo; mas me vem na cabeça que é algo bem simples mesmo: A infância.

Ora, muito se fala no “ser criança”, “a inocência das crianças” e essa patacoada toda. Certo, corro o risco de entrar nesse clichê, mas preciso dizer que a criança mostrada e personificada no Maluquinho e seus amigos, essa criança não representa mais a realidade. E aí está o que talvez seja a intenção do Ziraldo quando desenhou as tiras ou de quando se fez o roteiro do filme (E mesmo que não tenha sido, acaba soando deste jeito): Mostrar uma imagem de infância que era muito mais saudável e que está sumindo. O cartun é dos anos 80, o filme de 94, mas agora em 2011 a sensação de que o que eles mostram não é mais real é muito maior.

Por se passar nos anos 60, não existe ainda nada eletrônico. O Maluquinho e sua turma brincam na rua (Uma rua pacata de um grande centro urbano), não têm problemas psicológicos, nada assim; havia distintamente o papel dos meninos e das meninas, respeitava-se os mais velhos, essas coisas todas, que distingüem a infância de antes e a moderna. Não quero soar como nenhum puritano ou saudosista, não é isso. Mas já tive momentos de passar na rua e ver crianças de sete anos falando palavrões que eu mesmo (E nem sou tão velho assim) só fui conhecer bem depois; ou então essas mesmas crianças ouvindo Mr. Catra. Podem me chamar de quadrado, mas nunca vou achar essas coisas normais. Enfim.

Vou cortar o papo chato e dizer que Menino Maluquinho – O Filme vale à pena ser assistido. Não vai te fazer refletir sobre acontecimentos sociais (O que é surpreendente, já que o fim dos anos 60 é um poço de inspiração para a “intelligentsia” brasileira, mas neste filme não vão ver nem uma gota de política); não vai te dar grandes efeitos especiais, grandes atores, grande direção, não. Vai dar simplicidade. E talvez seja o que muita gente precisa. Até eu.

Menino Maluquinho – O Filme

(83 minutos – Aventura)
Lançamento: 1994
Direção: Helvécio Ratton
Roteiro: Ziraldo, Maria Gessy, Helvécio Ratton, Alcione Araújo
Elenco: Patrícia Pillar, Roberto Bomtempo, Samuel Costa, Othon Bastos e Luiz Carlos Arutin

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  • Ricardo G. Souza

    Eu perdi a conta de quantas vezes assisti isso na infancia. Era muito bom. Tinha uma cena inocente e idiota, mas eu rachava de rir sempre que via. Quando fazem uma pegadinha e passam merda no bastão, ai o cara pega e fala “ui, é cocô” HAHA

  • yuri

    É… esse filme aí lembra da infância pra caralho. Tipo, é clichê pra gente do final dos anos 80/início dos 90, ter que fugir dos valentões mais velhos, brincar de esconde-esconde com todas as crianças da rua e todas essas coisas.

    Nem gosto de pensar que as emoções humanas “se digitalizaram”. Eu acho que eu vivo na época errada!

    Pra gente, só resta a nostalgia!

  • Julio Kirk

    Pô, essa cena é legal mesmo. Quando o cara vai pro parapeito da ponte lá onde eles estão e grita “É cocôôô!” HAHAHA

  • Julio Kirk

    Eu reassisti o filme ontem pra fazer o texto, e foi uma onda nervosa de nostalgia mesmo. Os sons, as falas, as músicas e tal. Fazia uns dez anos que não assistia.
     

  • Juliana Cardoso

    Doce melancolia…

  • joao

    é muito bom

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