Meia Noite em Paris (Midnight in Paris)

Cinema segunda-feira, 16 de abril de 2012

 Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e sonhou ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que fez com que fosse muito bem remunerado, mas que também lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.

Começo perguntando primeiro: Porque diabos ninguém falou deste filme aqui no Bacon? Me parece que há alguma birra com filmes ambientados na França (Ou será com Woody Allen?). Para deixar bem claro, não sou nenhum grande fã do tal diretor ai, mas vamos combinar, esse filme foi um dos mais originais que apareceram no cinema mainstream dos últimos anos. Além disso eu resolvi resenhar este filme pois senti identificação com o mote do filme, uma vez que as vezes eu sou um pouco nostálgico.

Nota do editor: É birra com filmes franceses mesmo.

Como a sinopse ali falou, Gil é um escritor, apesar que na verdade não. O que ele faz é escrever roteiros para Hollywood, o que está para a literatura o que compor músicas de axé está para a composição musical: Dá grana, mas não respeito. Porém, o cara resolve que quer emplacar um livro de verdade e parte de uma premissa básica: Um cara que trabalha em uma loja nostálgica (Que vende coisinhas antigas) e não gosta do seu próprio tempo. Entretanto, como todo escritor de filme, ele não sabe bem que rumo dar em sua história, apesar de achar que Paris pode ajudá-lo.

Gil é interpretado com competência por Owen Wilson, porque ele é um cara desprovido de força de vontade, o que para mim encaixa perfeitamente com Wilson. Não sei porque mais eu sempre achei que ele é perfeito para interpretar uma besta quadrada. Bom, o personagem não é lá muito interessante, ele me parece a todo tempo alheio às coisa que acontecem a volta dele, mas em um segundo momento fica igual um cachorrinho no meio dos grandes personagens da história.

Inez (Rachel MacAdams), noiva de Gil, por sua vez é uma aprendiz de megera, que apesar de ser uma mulher linda, é um saco puro. Além de dominar a vida do noivo, submetendo-o a seus gostos, a danada fica o filme todo as voltas com Paul (Michael Sheen), um esnobe pedante (Como bem colocado pela guia turistica interpretada pela belíssima Carla Bruni) que parece ser especialista em tudo, desde arte clássica à jogos da seleção do Panamá. Interessante como Inez se interessa por este cara. Na verdade, é no mínimo curioso como alguém pode se interessar por uma pessoa que parece querer esfregar o conhecimento dele na cara de todos, e fazer te parecer menos inteligente, ele é realmente um porre. Os outros personagens do presente não são lá grandes coisas, se os pais de Inez falam duas frases é muito.

 “Só 18 mil dólares a cadeira amor.”

Durante uma das escapadas de Inez com Paul, Gil resolve dar uma caminhada por Paris e acaba se perdendo. À primeira badalada acusando a meia noite, um carro dos anos 20 passa perto do personagem e seus passageiros convidam-no para uma festa. Qual seu espanto ao chegar na festa e se deparar com personagens clássicos da música e da literatura, como Cole Porter, a excêntrica Zelda Fitzgerald e seu marido Scott Fitzgerald (Wikipédia neles).

As voltas ao seu tempo não o animavam muito, pois ele parecia preferir o passado ao seu presente, assim como seu protagonista, principalmente pela iminência do seu casamento, o qual ele não parece estar totalmente seguro. E o mote do filme é justamente esse, a relação conturbada de Gil com o seu presente. Bom, mas isso você decide se procede ou não.

No passado, ele conhece também Adriana, uma estudante de moda sempre as voltas com artistas famosos, que acaba cativando o protagonista. Adriana é muito bem interpretada pela belíssima e ótima atriz francesa Marion Cotillard. Ela passa a se colocar na vida de Gil como contraponto amoroso à sua esposa dominadora.

 Muito bem caracterizada.

Nas suas visitas cada vez mais frequentes ao passado, ele conhece o escritor inglês Ernest Hemingway, a escritora Gertrude Stein, que o ajuda com seu livro, Pablo Picasso, Salvador Dali, Luis Buñuel. A maioria destes personagens não são nem um pouco importantes no roteiro, são apenas ilustrações de uma época. Outros influem diretamente na história.

O roteiro em si é interessante pela originalidade do pano de fundo, porém seu desenvolvimento não é nem um pouco surpreendente. Um cara insatisfeito com sua vida busca no passado uma maneira de se encaixar, só que nesse caso o passado é literal. As situações vivida pelo protagonistas são bacanas, a personagem Adriana é bem legal, apesar de não ter nada de especial. Na minha opinião, Hemingway é o melhor do filme, pelo seu temperamento forte e suas palavras de impacto. O final foi relativamente previsível, a não ser por um fator, que eu não irei apontar. Porém, mesmo não sendo cem por cento visível, também não é nada que nos faça pensar o quão brilhante é Woody Allen.

Meia Noite em Paris é um ótimo filme para se ver sozinho ou acompanhado. Tem uma premissa interessante, boas atuações, mas também você não estará perdendo “O” clássico do cinema caso não o assista. Apesar disto, recomendo-o a todos que tenham uma hora e meia livres e não tenham nada melhor para fazer.

Meia Noite em Paris

Midnight in Paris (130 minutos – Comédia Romantica)
Lançamento: EUA, 2011
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Kathy Bates, Adrien Brody, Carla Bruni, Marion Cotillard, Rachel McAdams, Michael Sheen, Owen Wilson, Kurt Fuller, Tom Hiddleston, Gad Elmaleh, Mimi Kennedy, Corey Stoll, Manu Payet

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  • Almirante de banheira

    Acho que nostalgia não é a palavra correta, seria mais uma contemplação, não?

    Tenho um certo preconceito com filmes de romance, mas quem sabe…

  • Arthur Arantes Souza

    Pode ser contemplação também, sem problemas. Mas o romance no filme só com as épocas mesmo, pois o conteúdo romântico é secundário.

  • lucas

    O Woody Allen é o cara mais chato do mundo, mas a parte dos surrealistas é GENIAL.

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