Marcador de página existe por um motivo

Livros sexta-feira, 09 de abril de 2010

Deixando de lado a briga 140 caracteres versus literatura de verdade, o assunto do post é algo que me ocorreu agora e por uma coincidência inexplicável, tem uma ponta no comentário do Egotista lá no meu outro texto: todo mundo estraga seus livros.

Não importa, qualquer pessoa (Que não seja você) estraga suas coisas, e com livros não é diferente. Usando aqui a frase do supracitado escritor do Bacon:

Gosto de espancar quem usa a aba dos meus livros pra marcar a página.

 Abrir um livro num ângulo de 180º é um “me assassine!”.

Quando você é jovem e ingênuo, pode se deparar com tal pergunta (Ou uma equivalente): “Me empresta?”. Bem, é aí que o problema começa. Devido à sua “confiança deliberada no mundo”, você empresta (O que quer que seja) na maior boa fé e, claro, se decepciona ao ver o estado de conservação do objeto quando o mesmo é devolvido (Muuuuuuuito tempo depois de você ter emprestado, diga-se de passagem). Como já diria um amigo, expectativa só gera decepção.

O que ocorre é o seguinte: O objeto é seu, você cuida dele como um tigre briga por um prato de trigo. Você toma cuidado para que não molhe (Salvo objetos que devem ser molhados, claro), para que não rasge, não manche, enfim, você é um verdadeiro pai (Ou mãe, ou pai e mãe, ou pai e pai, ou mãe e mãe, ou responsável legal) praquele objeto.

Somos assim com tudo: Celulares, canetas, computadores, óculos, roupas, TVs, correntes. Lembro-me de quando ganhei meu GameBoy Advanced: Bastava um simples toque em algo duro e eu procurava na hora um suposto risco na tela de cristal líquido (Novidade na época…). Com livros (Pelo menos para quem gosta) é a mesma coisa: qualquer “barulho estranho” é motivo para um check-up na integridade do mesmo.

 Declare GUERRA contra qualquer pessoa que fizer isso.

Quando emprestamos algo pela primeira vez (Emprestar mais de uma vez, com os mesmos resultados, é burrice) temos a utópica ideia de que a pessoa terá os mesmos cuidados que nós, que fará as coisas do mesmo jeito que nós. Obviamente isso não acontece, e é nesse ponto que sua ingenuidade fica mais suja que o banheiro do Pizurk [Nota do editor: Meu banheiro é limpo, mesmo porque não sou eu quem limpa.].

É simplesmente traumatizante ver o estado em que os livros ficam depois do empréstimo: é folha rasgada, folha cortada na ponta, aba usada para marcar página (Como bem lembrou o Egotista), capa com marca de unha, ponta do livro dobrada, lombada com marca da dobradura, páginas com vãos por abrir demais, marca de dedos nas páginas, mancha de comida, página faltando, risco de caneta… A lista de atrocidades é gigantesca.

 Ponta de capa dobrada merece ser punida com empalamento.

Aliás, nunca li o livro acima, se você já leu deixe um comentário no post. Tratando-se dos males impostos aos livros, o que mais impressiona é a cara de pau e a indiferença que a pessoa para quem você emprestou o livro demonstram. Já repararam nisso? Ao ver a sua cara (Volte à imagem do Bob Esponja caso não se lembre dela) de “WHAT THE PORRA ACONTECEU AQUI?!”, a pessoa é tão descarada que solta um simples “Foi mal”. Isto é, quando se desculpa, porque a reação mais normal é a indiferença, ou seja, nem para tentar negar usando uma desculpa vagabunda.

 “Olha minha cara de quem liga…”

Sério, poucas coisas são piores (Em relação a livros) do que notar que as páginas estão amareladas devido ao suor das mãos de alguém. Páginas amareladas pelo tempo são legais, páginas amareladas por excreção corporal é algo nojento. E é incrível a taxa de livros com digitais que tem como tinta manteiga, chocolate, Coca-Cola, chiclete, cuspe, entre outros, claro, tudo com muito cuidado, há todo um design, uma estética, da “arte” de “Sujar o livro daquele otário”.

Além dos maltratos sofridos pelos seus livros (Os quais você fica imaginando à noite), há o completo descaso com o tempo do empréstimo, e isso é atormentante. Quando aqueles “15 dias” duram 20, você pensa “Ahh, nada de mais.”, quando chegam a 30, muda para “Ué… tá demorando.”, 3 meses depois de você ter emprestado o livro você recebe aquele que agora parece um rascunho feito em papel higiênico e guardanapos.

 E você não está com seu livro, para ler durante a espera.

De toda essa história, o que mais me irrita é o que as pessoas costumam falar depois de te devolver seu livro. Elas não tentam negar, não fingem que não notaram, não botam a culpa no cachorro, não inventam uma aventura épica com meteoros e lasers, elas simplesmente olham pra tua cara e soltam um “Foi mal…”. Eu sei que eu já disse isso alí em cima, mas é tão irritantemente cruel que não dá para deixar de repetir. Você não quer um “Foi mal…”, você quer um “Eu sou um imbecil, vou te comprar um novo, pagar um almoço, um sorvete e pular de cima do Empire State”, ou seja, de forma geral, você não quer uma desculpa indiferente, você quer estripar o filho da puta que estragou sua coisa.

 Isso, assim mesmo

São nesses momentos que você considera os assassinatos em escolas coisas extremamente benéficas para a sociedade. Rambo vira um cara legal, o Predador se torna seu amigo de infância, Darth Vader é um exemplo e a Uiara é a melhor aliada possível. Claro, depois de perder um ou dois membros é bem possível que a pessoa aprenda, mas quando chegar neste ponto, você não mais emprestará nada para ninguém no mundo, logo, a carnificina que você faz é por pura vingança.

As lições que tiramos disso são simples: Nunca empreste nada para ninguém que tenha mãos (Nem pés…), só empreste um livro para uma pessoa caso você a faça jurar (Com uma espada na garganta) de que seu livro será devolvido intacto e ensinar pessoas a usar um marcador de páginas é algo fundamental para a saúde delas mesmas. Ahh sim, uma lição que também é valida é “Abas são abas”.

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