Malditos sejam os ecléticos e as músicas pop

Música quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Você já tentou ser poser? Sério, alguma vez na vida você já tentou pagar de mano do hardcore, metaleiro, sambista, rapper ou seja lá o caralho que for? Eu sei que já, mesmo você respondendo que não. Tudo bem meu amigo, a culpa não é sua, é culpa é desses filhos da puta que fazem música POP. Porra, quem curte POP é o que? Não tem uma definição pra quem só curte POP, se você só curte POP, você tem que falar que é eclético. Porra, pau no cu dos ecléticos.

“Ain, mas POP é tudo aquilo que a galera curte.” VÁ SE FODER, FILHADAPUTA!

Eu também quero ser hardcore, porra. No mínimo eu quero ser roqueiro. Mamãe eu quero ser roqueiro mas a Lorde não deixa. Eu quero ouvir só AC/DC mas o Bruno Mars lança umas musiquinhas bem fodinhas. Porra mamãe, me ajuda. Não, calma. O problema aqui não é gostar de uma caralhada de músicas distintas. Não senhor. O problema aqui é você ser o pau no cu que se julga eclético. Mas calma lá, eu sou eclético. “Porra, mas que puta puteiro do caralho este texto, hein?” É, eu sei, to num assunto difícil de explicar, mas vamos por partes.

Você tem 8 anos e você tá assistindo Chiquititas. Você tem dois CDs, um da já citada novelinha e outro do Pokémon. Porra, do que é chamado alguém que curte trilhas sonoras? Eu espero que não exista um rótulo para isso. Enfim… Aí você cresce, chega aos 13 anos, começa a bater punheta pros comerciais de ginástica da Polishop e num dia, acidentalmente você conhece uma banda chamada Nirvana. Pode ser Guns ‘n’ Roses ou Iron Maiden também, mas há chances de você crescer e se tornar um completo idiota por causa destas duas últimas.

Então você ouve Smells Like Teen Spirit e você não sabe o que é, mas uma vontade de dar um soco na cara do seu pai, um chute na canela da sua mãe e sair por aí xingando todo mundo brota do nada. Pouco tempo depois você descobre o que é o rock ‘n’ roll. Entra em contato com Ramones, Rolling Stones, Beatles e acaba comprando uma camisa do AC/DC, pois por mais que você nunca tenha escutado, aqueles tios de paletó e bermuda parecem bastante rebeldes. No mesmo dia você chega em casa e cria uma comunidade no Orkut chamada Rock é vida, quem não gostar senta na minha pica. Neste momento você está pensando: “Porra, serei eternamente roqueiro. Não existe nada melhor do que o rock and roll. Todos que não curtem rock merecem a morte”.

Você segue assim até os 17 anos, quando do nada, durante um rolê com a sua turminha rock and roll você percebe que uma menina nada rocker está te olhando. Provavelmente ela seria a garota mais bonita que você pegaria em toda a sua vida, mas o simples fato dela estar vestindo uma camisa branca, short jeans e sandália faz com que você a esnobe. Alguns amigos mais velhos até estão rindo da sua cara nesse momento, mas você não percebe porque é muito idiota. Então você chega repentinamente aos 18 anos. Camisas de banda não te representam mais, você chegou a conclusão de que não é um outdoor ambulante pra ficar por aí fazendo propaganda de bandas que nem sabem da sua existência, você resolve cortar o cabelo e certo dia, enquanto assiste a MTV esperando algum clipe do Bad Religion, pega-se curtindo uma música de uma bela moça chamada Cindy Lauper. Bem vindo a maturidade, jovem.

Enfim PPKS!

“Meu Deus, o que é essa mulher descabelada de maquiagem borrada correndo alucinadamente por aí?” Você pensa ao assistir o clipe. “Por que esta atitude rock and roll numa música que não tem nada de rock and roll?” E é nesse momento que você percebe que não precisa ser um moleque mal vestido e fedorento pra ser rebelde. Por alguns meses você acaba sem saber o que está acontecendo e então, do alto de sua babaquice dos 18 anos, você começa a dizer cheio de orgulho para os seus amigos que é eclético. Mais tarde você perceberá o quão pau no cu este termo é, mas ele já fará parte da sua alma. Mas calma, tudo ainda piora.

Com o tempo você acaba indo em festas. Festas que não tocam somente rock and roll. Lá você conhece B-52’s, Run DMC e INXS. Acaba arrumando uma gatinha e se vê dançando com ela ao som de Backstreet Boys e N’Sync “só de zoa”. É o maior agito e você acaba entrando em uma boceta. Isso acontece repetidamente até que o sambão que seu tio avô curte nos fins de semana começa a não ser mais tão ruim quanto você insistia em dizer que era. Você começa a curtir Cartola, Bezerra da Silva, João Nogueira e até uns pagodinhos. Por que não?

No fim das contas, você, que jurava ser o eterno roqueiro encontra-se com 31 anos, curtindo musiquinha da Lorde, do Marcelo D2, da Casuarina e dizendo por aí que o Bruno Mars é o novo Michael Jackson. Entre outras coisas mais. E é nesse momento da vida que você percebe que indiferente de quantos solos você toque na guitarra, você não passa de um eclético pau no cu.

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  • ClaytonSlayer

    Essa fase do Metal é muito necessidade de fazer parte de um grupo. Um grupo que nos diferencie dos c.d.f.’s que somos (ok, não funcionava, pois o público do rock normalmente era c.d.f.). A o medo da zoeira enfrentada por tentar ouvir algo diferente atrasava a descoberta de novos sons e estilos. Quando eu ouvia (só) metal, se quisesse ouvir algo diferente tinha de adiar a compra do último do Blind Guardian e gastar minha grana em outro disco. Impensável. Hoje está mais fácil experimentar. Agora qualquer moleque com camiseta do Entombed pode se trancar no quarto, por uns fones, ouvir “Yesus” e ver se gosta sem parecer um crápula bastardo comedor de corações de criancinhas que trai movimentos.

  • Eclético

    Aaa aquelas mulheres do polishop, sempre de shortinho e suas blusas coladinhas florescendo a puberdade de vários jovens, com seus movimentos sensuais nas máquinas mais revolucionárias que as da North Central Positronics, malditos sejam os horários do grill george foreman.

  • Aline Esteves

    De Mozart a Bruno Mars, nos vemos aí

  • Gosto muito dos textos do Jo porque são muito hardcores. Pena que eu tenho que ler escondido da minha mãe. xD

  • FooFighter

    eu vi o que vocês fez aí hehehe

  • FooFighter

    Porra, outro excelente texto aí gordo… Me identifiquei muito em boa parte do mesmo, com algumas pequenas adaptações, lógico. Eu do nada me peguei curtindo Eminem (?!?!?!?!?!?) assim, de uma hora para a outra (aliás, essa seria minha grande mudança pessoal em comparação ao final do teu texto).

    Ah, felizmente o Nirvana me salvou do Guns N’ Roses hehehe.

    E porra, outro texto que pensei em fazer na cabeça e alguém vai lá e PUM, faz antes.
    E não, NÃO VOU CHORAR não Pizurk…

  • Que pessoal sensível. Nem falei nada.

  • Ingrid M H Pianta

    Vou dar uma dica de um grupo daqui de Floripa que eu acho show de bola : Dazaranha :)

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