Injustiças do Oscar – parte 1

Clássico é Clássico segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

A maior festa do cinema está chegando.
E com ela a certeza de mais uma noite tremendamente injusta.
Não que eu esteja fazendo adivinhações, a minha afirmação se fundamenta já nas indicações. Wall-E e The Dark Knight não estarem concorrendo a principal categoria por preconceito com seus gêneros, é um exemplo claro. Mas para não ficar somente nele, alguém acha que O Curioso Caso de Benjamin Button merecia 13 indicações ao Oscar? Ou que Valsa com Balshir – uma animação israelense, favorita ao Oscar de melhor filme estrangeiro, não deveria estar entre os indicados a melhor filme animado? Ou como explicar a total ausência de Gran Torino, um dos melhores filmes de Clint Eastwood, na premiação? Vou parar por aí para não me desvirtuar do propósito da coluna.
O que eu quero dizer, é que conservadorismo e protecionismo está empregnado na academia desde sua criação em 1927. E é sobre esse passado vergonhoso que eu quero falar, e nada mais efetivo para isso do que começar falando sobre alguns diretores que nuncam levaram o Oscar da categoria.

 Chaplin, Kubrick e Hitchcock – Três dos maiores diretores da história foram para o túmulo de mãos abanando

Embora sendo o menos lendário dos três, o caso de Hitchcock ainda tem um agravante: o mestre do suspense conseguia bilheterias exorbitantes em quase todos os seus filmes, sendo além de tudo, queridinho dos produtores.
Não menos vexatório é o fato de outros grandes nomes, como Orson Welles, de Cidadão Kane, Ridley Scott, de Gladiador, Sidney Lummet de Um Dia de Cão e Howard Hawks de À Beira do Abismo nunca terem levado a estatueta.
Saindo da cena Hollywoodiana o quadro fica ainda mais ridículo, ou você acha que nomes como Fellini – indicado a 12 Oscars, Kurosawa, Jean Renoir e Truffaut, já ganharam alguma coisa? Então podem tratar de acalmar os ânimos, a falta de indicação de Christopher Nolan pelo filme do Batman é só mais um arranhão, na já devastada credibilidade da academia.
Ainda vale ressaltar que muitas vezes um diretor acaba levando o Oscar por um filme não tão bom – como foi o caso da vitória de Scorsese por Os Infiltrados. A sensação de desculpas pela falta de premiação em seus dois clássicos, Taxi Driver e Touro Indomável ficou evidente. Ao menos não precisou receber um Oscar honorário, como aconteceu com Chaplin. Retomando as palavras do crítico Sérgio Augusto:

Um Oscar cravejado de vergonha e hipocrisia.

Afinal estamos falando do principal nome do cinema, e que só foi agraciado por um Oscar de melhor música em 1973, por Luzes da Ribalta – um filme de 1952, para o qual se aproveitaram de uma “brecha” do regulamento, já que o filme só foi lançado em Los Angeles vinte anos depois.

Mas as injustiças não ficam restritas a categoria de melhor diretor. Premiações técnicas e de roteiro sofrem do mesmo mal. Um exemplo recente, foi a inexplicável derrota de Transformers para A Bússola de Ouro, na premiação de Efeitos Visuais.

 Robôs > Ursos

E não menos prejudicados por essas babaquices escolhas da academia são os atores. Vejamos por exemplo a clara tentativa de “retratação” com a Kate Winslet – não estou julgando sua atuação em O Leitor ou Foi Apenas um Sonho; que já concorre a sua sexta indicação ao Oscar e quem tem passado semelhante no que se diz a outros prêmios. Porém diversos atores não tiveram a mesma sorte de ter seu erro corrigido.
Escolhi quatro exemplos marcantes.

1) GRETA GARBO
A atriz sueca concorreu a quatro Oscars e ficou imortalizada para sempre na história do cinema. Mas não da do Oscar. A não ser como um dos únicos casos de duas indicações em uma mesma categoria, já que isso não é mais permitido.

2) PETER SELLERS
Um dos maiores atores da história, Sellers nunca recebeu muitas indicações por puro preconceito dos acadêmicos com os seus papéis em comédias. Ainda sim foi responsável por uma das maiores atuações da história do cinema em Dr. Fantástico, que passou em branco.

3) DEBORAH KERR
Embora vencedora de um Globo de Ouro, e iconizada para sempre na cena do beijo de A um passo da eternidade, a loira nunca levou o prêmio em nenhuma de suas 6 indicações.

4) PETER O’TOOLE
Eternizado por seu papel em Lawrence das Arábias já foi indicado a 8 Oscars, e até agora nada. Embora seja o único da lista ainda vivo, depois de sua última indicação, por Vênus, não acredito que haverá outra chance para o já morto em pé idoso ator.

Estes são apenas alguns representantes, de toda uma infinidade de nomes que não tiveram sua carreira reconhecida pelo prêmio.
Na próxima coluna, quando já saberemos quem foram os novos injustiçados vencedores, eu falarei sobre as principais injustiças cometidas na categoria de Melhor Filme.
Para encerrar uma citação de Woody Allen, quando este explicava o porque de não ter aparecido na cerimônia em que venceu por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa.

Sei que isso soa terrível, mas ganhar um Oscar não significa nada para mim. Quando você vê quem ganha e quem não ganha, pode perceber a falta de sentido do Oscar.

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