Hotline Miami (PC)

Games terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Imagina só, em pleno 2012, ser lançado um jogo com visão de cima [Top down], com jogabilidade e visual parecidos com o primeiro GTA? É muita brisa, quem vai querer jogar essa merda? Porra, eu quero, cara. Qualquer coisa que lembre GTA me interessa.

O problema é: O jogo lembra GTA por conta da visão de cima e dos gráficos, talvez a violência. Mas o resto, meu amigo, é diferente. Hotline Miami é um outro mundo.

A comparação com GTA pode ser inevitável, mas é injusta. GTA é um mapa gigantesco em que você pode fazer o que quiser: Roubar carros, atropelar inocentes, matar policiais, explodir carros, tacar fogo em pedestres, todas essas alegrias da criançada. Cê pode inclusive fazer missões. Já em Hotline Miami não. O foco dos jogos é fazer as missões. Se você não faz a missão, no melhor estilo linear, você não avança no jogo. E avançar no jogo é fundamental pra retroceder no jogo, e sem retroceder é bem provável que você não entenda que diabos tá se passando. Muito confuso?

Olha o trailer. Cê não viu nada.

Vamos lá, guia rápido do que você faz no jogo: Você recebe um telefonema, pega seu carro, vai até o local. Mas você não vai dirigindo, você entra no carro, e numa jogada a lá Batman dos anos 60, aparece na porta do local onde você tem que fazer o serviço. E o serviço é a diversão do jogo: Cê vai passar a rapa em quem tiver dentro do prédio, andar por andar, sala por sala, homem por homem. Sim, porque o jogo é machista e você só combate homens. A única mina que aparece você resgata. Feito o trailer [Só que no jogo é uma loira, não uma morena. Não que isso faça diferença de verdade].

 Dica: Esse sangue não é menstruação.

Ai você, garoto criado a leite com pera, ovomaltino e todo aquele blá blá blá do Gil Brother, logo pensa: “Coisa fácil, tio. Só chegar sentando o dedo nos coxinha.” Ledo engano, meu jovem. Fazendo isso, você vai ser sapecado feito uma virgem num baile funk. Ao contrário do que possa parecer, o jogo demanda estratégia. Você não pode chegar chegando, você tem que ir com jeito, na manha. Feito você faz com mulher: Ou você faz direito ou você vai tomar toco. E, assim como mulher, você vai tomar toco. Vários. O negócio é não desanimar e continuar tentando. Afinal, não faltam mulheres no mundo. Nem novas tentativas pra você matar um monte de capangas com armas improvisadas e pouco estardalhaço.

 Abre essas pernas, baby.

Sim, você quer manter o low profile. A sua vida depende disso. Ser visto te mata. Tiros chamam a atenção, o que geralmente te mata. Errar o tiro te mata. Errar o soco te mata. Uma porta que é aberta sem querer te mata. Cachorros que você não matar te matam. É um mundo cão, no fim das contas. Mas isso não tira a graça do jogo, pelo contrário. Afinal, o que tem demais em um jogo muito fácil? Quer jogo fácil, vai jogar sinuca em flash. Inclusive, o visual do jogo lembra muito os jogos porcos em flash que pipocam por ae. Sim, os gráficos são malacabados, porque o foco do jogo não é na pornografia sadista de ver sangue voando e corpos mutilados. A ideia é você entrar sem ser visto, ou ser visto somente o necessário, e sair vivo. Afinal, esse não é o grande desafio da vida?

Não, não é. O grande desafio da vida é ficar rico, mas isso não vem ao caso. O que importa é que, mesmo com um visual pixelado, o jogo tem um estilo meio Drive com LSD. Ou talvez, voltando a comparar com os GTA, uma mistura do primeiro com o Vice City. A grande diferença, no entanto, é que você tem que pensar, e agir, na velocidade da luz. E, muitas vezes, isso não vai ser o bastante, porque você vai pensar, mas não vai executar como pensou, e vai se frustar. Mas isso é bom, fará com que você cresça [Ao menos, como jogador].

 Isso é uma armadilha. Pra quem? Vai saber…

Tem também a história, mas a história é tão fudida quanto a cabeça do protagonista, que nem nome tem. Ele vê coisas que não existem, fala com gente morta que usa máscaras de animais, mata gente porque recebeu telefonemas. E nada é muito bem explicado. As coisas começam a fazer sentido quando você para de jogar com o cara sem identidade mas que usa uma jaqueta daora e encarna o motoqueiro. Ao contrário do jaqueta, o motoqueiro é fodão e só usa o cutelo [Peixeira?] dele. E ele descobre em quatro mapas mais do que o jaqueta descobre em quinze. Mas no final, não tem muita coisa a ser explicada. Talvez seja tudo uma bad trip do jaqueta, quem sabe?

Mas o mais incrível é: Eu já fechei o jogo, coletei todas as armas [Sim, você vai desbloqueando armas, e não, não é como você tá pensando], máscaras, descobri o password, passei a faca em todo mundo e continuo jogando. O fator replay; ou, pros leigos, o que te leva a jogar de novo e de novo e de novo; é bem alto. Não sei se é por diversão [Claro que é diversão, quem eu quero enganar], um pouco de nostalgia ou só falta de jogos melhores e que não demandem uma imersão tão grande. Porque, convenhamos, esses jogos modernos que tem loadings imensos pedem um tempo que nem sempre você tem. Agora com licença, que eu parei esse texto pra jogar umas 17 vezes, e agora que eu terminei, vou jogar mais um pouco.

Hotline Miami


Plataformas: Microsoft Windows
Plataforma Avaliada: Microsoft Windows
Lançamento: 2012
Distribuído por: Devolver Digital
Desenvolvido por: Dennaton Games
Gênero: Ação 2D

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  • Meu, tá que em 2012 não joguei muito, mas sem duvida Hotline Miami tá entre os melhores troços que vi. A trilha sonora é violentíssima, achei a história bacana, apesar de maluca e a insanidade toda no enredo, na jogabilidade realmente é muito boa.

    E como cê disse, o ‘fator replay’ é um dos melhores que vi nos últimos tempos.

  • A trilha sonora, cara. Como eu esqueci de falar da trilha sonora. Eu odeio esses tuntz tuntz, mas não conseguia jogar sem a trilha original, que é do caralho.

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