Hitchcock

Cinema quinta-feira, 27 de junho de 2013

 Adaptação do livro “Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho”. Retrata os bastidores do clássico do suspense Psicose (1960), com foco no romance entre o diretor Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) e sua esposa e parceira Alma Reville (Helen Mirren).

Hitchcock é um filme baseado no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello. Quando o filme foi anunciado, e eu fiquei sabendo que o grande Anthony Hopkins iria interpretar o “Mestre do Suspense“, falei bem alto comigo mesmo: “Esse vai ser um filmaço! E ainda vai tirar o Oscar de Lincoln!”. Mas não tirou (Argo fez isso.). Pior, Hopkins nem ao menos foi lembrado pela academia, aliás, o filme inteiro foi praticamente ignorado (Com exceção de Mirren, que ganhou uma indicaçãozinha de Melhor Atriz). Apesar disso, digo logo que a crítica lá fora adorou o filme. Então, por que isso aconteceu?

Mesmo tendo trinta e dois anos desde a sua morte, Alfred Hitchcock se firma cada vez mais como um dos diretores mais famosos de todos os tempos. Definitivamente, o cara tá na moda. O filme Um Corpo que Cai conseguiu finalmente destronar Cidadão Kane como o melhor da história (Na votação da prestigiosa revista Sight & Sound), o diretor se tornou protagonista de duas cinebiografias, The Girl (Para a TV, sobre sua obsessão por protagonistas loiras) e Hitchcock, que é um thriller bem humorado sobre a produção de Psicose, uma de suas maiores obras-primas. Eu poderia falar de Hitchcock por horas a fio (Meus amigos sabem como fico chato quando começo), sobre como ele e Tarantino são dois dos poucos diretores que conseguiram um adjetivo para chamar de seu (Tarantinesco e hitchcockiano) e tudo o mais. Mas vamos nos ater somente ao filme.

Como biografia, Hitchcock não agrada tanto, por se concentrar muito mais numa época só: As filmagens de Psicose. Fica um gosto de quero mais durante todo o filme. O diretor bem que poderia sair um pouco da narrativa linear e nos brindar com alguns bons flashbacks, mas o filme não sai da linha. Segue seu caminho e nos mostra com uma riqueza de detalhes maravilhosa quase tudo sobre como Psicose foi filmado, praticamente um making of do filme, só que romantizado. Vemos como foi a tão famosa cena do chuveiro, como Hitchock escolheu o livro que se baseou e como fez pra manter o final em segredo, mesmo durante as filmagens. Mas algumas coisas não colam.

O filme é baseado num livro que romantiza, isso é, inventa fatos e conta outros existentes de uma maneira mais “interessante” pro público. Algumas coisas mostradas na tela talvez nem tenham acontecido realmente. Outras, mostram-se interessantes curiosidades, como o fato de que foi oferecido ao velho mestre do suspense o roteiro de Cassino Royale, que seria o primeiro filme do agente 007 nos cinemas. Mas ele se recusou, pois tinha acabado de finalizar Intriga Internacional, com Cary Grant (Que também era cotado pra fazer James Bond nos cinemas). Já pensaram como teria sido se Hitchcock tivesse aceitado? E sobre a trilha sonora mais impactante de todos os tempos (Junto com Tubarão de Spielberg), vemos como ela nasceu e como foi pensada pra fazer o efeito que sempre faz. Abaixo um video com a cena como a conhecemos e como Hitch queria inicialmente, SEM MÚSICA ALGUMA:

Outro aspecto explorado é a interprete da personagem Mariom Crane, a atriz Janet Leigh, interpretada aqui por Scarlett Johansson (É, um filme sobre outro filme dá essas confusões). Um grande problema foi tentar dividir a atenção do público com a loira, que rouba todas as cenas que participa. A maior expectativa é com a cena mais icônica do filme, a famosa cena do chuveiro. A reconstituição da tão falada cena é maravilhosa, mesmo não tendo nenhum deslize mostrando um pouco mais do corpo da desejada atriz-fetiche. Alías, isso pode ser encarado como uma das grandes brochadas do filme. Mas a presença de Scarlett em cena por si só justifica todo o hype que seus filmes proporcionam. A loira está demais no filme, tanto em beleza quanto em interpretação. Merecia mais cenas.

Sobre a interpretação de Anthony Hopkins, é chocante. E bizarra. A caracterização o tornou irreconhecível. Mas não conseguiu deixar ele completamente igual ao velho diretor. Mesmo assim, sentimos como se tivesse ficado igual. O que torna ainda mais convincente a sua interpretação. Os fãs do diretor que somente viram seus filmes nem notaram a diferença, mas fãs como eu que assistiam o clássico seriado protagonizado por Hitch nos anos 60 (Uma espécie de Contos da Cripta ou Além da Imaginação, apresentado por Hitchcock com seus trejeitos inconfundíveis e que só mostrava estórias de suspense) sentiu um pouco o baque quando viu Hopkins interpretando perfeitamente o icônico diretor. Não sei dizer o que realmente tirou a indicação de melhor ator. Mas o cara está muito bem, como sempre. Mais um grande trabalho deste grande ator.

Já a subtrama da esposa de Hitchcock não engrena, pois tudo que está acontecendo na tela sobre as filmagens é infinitamente mais interessante que saber se o velho Hitch era mesmo chifrudo. A todo momento a narrativa é interrompida pra mostrar Alma e um amigo escritor. Esse corte no climax prejudica em muito o ritmo do filme, que já não tem nada de agil. Mas em um ponto o diretor Sacha Gervasi conseguiu totalmente exito: Fez desta pretensa cinebiografia realmente um suspense. Um suspense não tão bom assim, mas realmente um suspense, como a vida de Hitchcock era.

Hitchcock

Hitchcock (92 minutos – Suspense)
Lançamento: EUA, 2012
Direção: Sacha Gervasi
Roteiro: John J. McLaughlin
Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Jessica Biel, Toni Collette, James D’Arcy, Michael Wincott, Danny Huston e Ralph Macchio

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