Guia do Blues – Cap. V – Sam & Dave

New Emo quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Antes que vocês comecem a ler, ouçam um pouquinho pra ficar feliz mesmo sem as dorgas, manolos e manolas:

Eis que chegamos no desenvolvimento da época de ouro do Blues. Aqui é, logicamente, onde mais me demorarei. Igual a bêbado sem querer sair do bar, entende? Antes de escrever, pensei se eu seguiria a ordem cronológica da coisa, como estava fazendo, mas decidi que não. Então Chuck Berry, Buddy Guy e Ray Charles terão que esperar até as próximas semanas.

É inegável a aproximação do Soul com o Blues. Tal qual bêbado e bar. Motivos não faltam: Aproximação histórica, geográfica e racial, temáticas semelhantes, roster de instrumentos parecidos. Como o bar e bêbado. Tá certo, perdeu a graça já. Desde a primeira vez.

Por esses motivos, hoje teremos Sam & Dave, uma dupla que transita, e muito bem, em ambos os territórios musicais. E pra ser sincero, quem é que liga? Ainda mais com quem teve lugar de honra no Blues Brothers, a coisa mais preciosa em termos de Blues moderno, provavelmente o fechamento desse guia.

É mais fácil de se ver Sam Moore e David Prater como aquele cara que faz uma ótima música, mas que ela ganha mais sucesso na mão de outros. Não por falta de talento, ou reconhecimento, até porque são uns dos mais premiados, mas… Ahh, sei lá. Por exemplo, Soul Man, eternizada pelo velhinho chicka boom boom James Fuckin’ Brown, foi composta por eles, assim como um outro sucesso na mão do rei B. B. King, Hold On, I’m Coming. Qualquer marujo do Blues que não se lembre delas merece morrer torrado no sol amarrado à figura de proa. E depois fatiado e comido pelos canibais mais amarelos da ilha mais próxima.

Tendo formação na fé dos crentes, irmão! na musicalidade gospel, como 200% dos cantores do gênero, formavam a dupla clássica em termos de voz. Os frescos chamam de barítono e tenor. Eu chamo de baixo e agudo. Talvez você chame de quase-macho e maricas. Mas não eles! Eles não… Saca só a pompa dos sujeitos:

 Eu nunca consegui distingui-los. “Distingui-los”. Palavra engraçada, hein?

Isso no alto dos anos 60. Era Woodstock pegando fogo enquanto esses dois colocavam pra dançar, conhecidos por suas performances live. Não é à toa que alguns os chamavam de “dinamite” não quero nem pensar que isso tenha a ver com dotes sexuais. Dançavam, cantavam, interagiam e trocavam de roupa todo o tempo. Exatamente o que nos falta hoje. Não a parte da roupa, que só me faz lembrar das nojeirinhas de hoje em dia, né família Restart? É um saco você pagar por um show e não sentir empolgação vinda do artista. O cara chegar, plantar raiz no pedestal do microfone, e simplesmente fazer o trabalho dele, NADA além disso.

Infelizmente, a dupla se rompeu muitas vezes, perigando a carreira solo. E como é bem sabido, sempre que isso acontece fode as coisas. É como separar bêbado do… Tá, parei. Mesmo com a carreira não indo tão bem, e retirarem o sustento de atividades alternativas, sempre tiveram grande reconhecimento. Abriram até show do The Clash(?!?!?!?!)!

Tempos depois, Dave acabou morrendo num acidente de carro, em Abril de ’88. As coisas nem andavam tão bem entre eles. Diziam que não se falavam há anos, fora dos palcos.

Barack Obama, a salvação que até agora não fez porra nenhuma de grandes mudanças, usava a música deles nos comícios. O que isso tem de importante? Nada, mas é bom pra ficar sabendo.

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