Flashpoint: Batman Cavaleiro da Vingança – Surpresas e mais surpresas

HQs sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Há pouco tempo atrás escrevi um artigo falando que muitas histórias que abordam realidades paralelas são muito boas (Para relembrar, clique aqui). E essa semana eu li a revista Flashpoint: Batman Cavaleiro da Vingança (Flashpoint: Batman Knight of Vengance no original) que vem sendo publicada atualmente nos EUA como parte do evento Flashpoint dã… e que será responsável pelo reboot/relançamento do Universo DC.

O evento todo (Ao menos o que li até agora) tem sido interessante e com histórias muito boas, mas nenhuma superou a revista do Batman envolvido neste evento. Escrita por Brian Azzarello e desenhada por Eduardo Risso, a revista apresentou uma história que superou as expectativas de todos, levando o relacionamento entre Batman e Coringa ao extremo.

É claro, que se você não quer saber de spoillers, pare aqui mesmo.

Mas antes de abordarmos o quanto Azzarello mostrou-se mais uma vez um grande roteirista, é preciso dizer que sou fã do trabalho dele. O autor norte-americano ficou conhecido principalmente por causa da série com temática policial 100 Balas, que pertence ao selo Vertigo da DC, onde também firmou parceria com o argentino Eduardo Risso.

Foi com 100 Balas que a dupla Azzarello/Risso conquistou o público e alcançaram a fama. Com seu sucesso, Azzarello assumiu outro título de sucesso da Vertigo: Hellblazer, estrelada por John Constantine, onde permaneceu por dois anos (Entre 2000 e 2002).

Em sua escalada pelo sucesso, Azzarello também escreveu para a Marvel, em minisséries como Banner e Cage, e também pelo selo Wildstorm, como a série Deathblow e a mini El Diablo. Outra mini de sucesso foi o western Loveless; e em quase todas as suas histórias, a violência e o crime se fizeram presente como grande inspiração.

Azzarello também mostrou que conhece o universo de Batman com histórias como Batman/Deathblow: depois do Fogo (2003); Batman: Cidade Castigada (2003-2004), publicada na série mensal do morcegão e, principalmente a graphic novel Coringa (2008).

Esta última inclusive mostrou um Coringa como jamais havia sido visto anteriormente. O vilão nesta história foi retratado como extremamente louco, inconseqüente, imoral e muito, muito, mas muito violento. O visual do vilão nesta história acabou servindo de inspiração para Christian Nolan no filme Batman: O Cavaleiro das Trevas.

Ou seja, normalmente uma história escrita por Azzarello é sinônimo de sucesso, e foi por essa razão que os fãs ficaram alvoroçados quando a DC Comics anunciou que a dupla Azzarello/Risso ficaria responsável de apresentar aos leitores o Batman no universo Flashpoint.

Mas ninguém poderia imaginar o quão surpreende seriam essas três simples edições ligadas ao evento principal. Apesar das poucas páginas, Azzarello mostrou porque muitas vezes histórias que se passam em realidades alternativas são superiores as histórias dos “universos oficiais”.

É verdade que Flashpoint mudará mais uma vez o Universo DC, e isso acontecerá devido ao vilão Flash Reverso que ao alterar alguns eventos no passado acabou por criar essa nova realidade, e cabe ao Flash (Barry Allen) concertar a linha temporal. A série principal escrita por Geoff Johns utiliza a mesma inspiração mostrada no filme Efeito Borboleta, e toda a teoria do caos.

Logo na primeira edição de Flashpoint, que abriu esse grande evento, Johns nos mostra que o Batman deste universo não é Bruce Wayne, mas sim seu pai, Thomas Wayne. Mas a surpresa não se completa até conhecermos a história nos apresentada por Azzarello.

Somente ao ler a mini Flashpoint: Batman Cavaleiro da Vingança que os fãs puderam ver o quanto boas histórias podem ser contadas. Na primeira edição vemos um Batman mais violento. Ao longo de toda mini o clima noir marca a história.

Além disso, a contextualização da mini neste universo tem mais seriedade e é mais sombrio que no Universo DC normal. Vemos na primeira edição um Thomas Wayne com a alma enegrecida e amargurada, mas em momento nenhum os criadores tentam usar a origem traumática do herói como a razão de suas atitudes extremistas. Thomas ficou assim pela morte da esposa e do filho, ponto final. Ao menos é o que pensamos nesta primeira edição.

De forma sutil, Azzarello nos mostra Thomas Wayne como o diretor de um grupo de cassinos, que tem conexões com todo o tipo de gente maligna, além da proteção do Comissário James Gordon, que neste universo conhece a identidade dupla do Batman.

O Batman deste universo é violento tanto quanto os bandidos e não mede esforços para eliminar, literalmente, bandidos e psicopatas. Nesta primeira edição apenas conhecemos as lutas de Wayne que, em seu cassino, conta com o Pinguim como administrador.

Vemos uma luta do Batman enfrentando o Crocodilo em meio os esgoto, onde ele mata o vilão usando uma espada. Thomas é um Batman na mesma altura que Bruce no universo tradicional, porém sem apego moral pela vida.

Somente no fim desta primeira edição é que Azzarello nos apresenta o Coringa, deixando o gancho para a edição seguinte, onde a identidade do Coringa revelada na última página deixou todos de boca aberta.

Isso porque nesta edição vemos mais uma vez Batman perseguindo seu arquiinimigo, o Coringa. Porém ao longo da história vemos o clima ficar ainda mais tenso, principalmente após a armadilha montada pelo palhaço do crime, que faz Gordon atirar contra os filhos do promotor Dent (O Duas Caras do universo tradicional) e finalmente ser morto pelo vilão.

Mas em momento algum Azzarello deixa transparecer quem é o Coringa de Flashpoint, fazendo o leitor se agarrar à história até a última página quando descobrindo que “o palhaço do crime” é na verdade Martha Wayne, a mãe de Bruce e esposa de Thomas.

E aqui é que podemos ver a genialidade de Azzarello, que na primeira edição da mini ele apenas cita a tragédia que originou o Batman e não nos mostra o que realmente aconteceu, com isso os leitores, e me incluo nesta lista, acabam induzindo que Martha teria morrido junto com Bruce. Ou ainda que Bruce teria sobrevivido e enlouquecido com a morte da mãe tornando-se posteriormente o Coringa.

Mas na verdade, quem enlouquecera fora Martha, ao ver o filho morto e seu assassino conseguir fugir da justiça. Justiça essa que ela mesma realiza ao matar aquele que tirou a vida de Bruce, como nos é mostrada na última edição, onde o foco é praticamente todo no passado de Martha.

A mini se encerra com o herói Batman perseguindo a vilã Coringa. E Thomas perseguindo sua esposa Martha numa dicotomia incrível, pois ao mesmo tempo que os quatro personagens são o âmago partido de apenas duas pessoas, temos as questões separadas totalmente e ambas as psiques brigando entre si. Enquanto Batman/Coringa travam a luta do Bem e do Mal, Thomas/Martha procuram uma última fagulha de amor.

Tal fagulha se demonstra no diálogo travado pelos dois quando Thomas diz que Bruce pode novamente viver se a história for alterada novamente como deveria ter sido desde o início com eles morrendo e Bruce se tornando o Batman, chance essa apresentada por Barry Allen na primeira edição de Flashpoint.

A edição termina com mais uma tragédia para Thomas e Martha com a morte do Coringa ao cair em uma caverna. Ainda não sabemos o destino do Batman deste universo já que Flashpoint termina apenas dia 31 de agosto. Mas sabemos que esse universo não existirá, dando lugar a um novo mundo começado praticamente do zero.

Mas de qualquer forma, Azzarello mostrou mais uma vez que sabe realmente criar boas histórias e nos deixa amargurados por saber que esse Batman e seu universo sequer poderão ser revisitados já que o potencial de histórias ali existentes ainda era enorme…

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  • Ricardo G. Souza

    Esse Flashpoint ta lindo. É a Era do Apocalipse da DC. Todo mundo morrendo e um monte de coisa louca o/

  • Frances

    muito obrigado, fazia tempos que eu não lia um texto tão longo e interessante aqui no bacon…

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